Vida nova

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Eu nunca estive nem perto de uma casa tão bonita e grande assim. E olha que eu nem entrei ainda.

A mansão de dois andares com vista para as montanhas no horizonte e cortejada por um verde jardim ao redor, nem daria para desconfiar que se tratava do lar de um homem que aponta armas para o rosto dos seus semelhantes. A frente de pedra que se estende até a porta principal onde se vê uma pesada porta de madeira entalhada e escura, de alguma forma revela a personalidade dele; grosso e obscuro. Pelo menos é só isso que transparece em seu olhar.

- Vamos - meu... Como diria? Dono? Talvez. Fala assim que estacionam o carro.

- Desculpe - chamo sua atenção -, mas qual o seu nome mesmo? - não consigo mais conter a minha curiosidade. Não seria saudável para mim ficar me referindo a ele sem chamá-lo pelo nome.

Ele para e me analisa com atenção. Diferente de como foi em minha casa. Agora com seus olhos claros me estudando, seu maxilar cerrado e sua respiração pesada, ele parece procurar algo em mim... Mas o que seria?

Disse algo errado?

- Lorenzo - ele responde por fim, abre a porta e sai.

Em seguida a porta do meu lado é aberta pelo motorista e eu saio em seguida, acompanhando-o a passos apressados.

- Senhor! - uma senhora curvinea, que aparenta ter seus 50 anos, se aproxima de nós quase que correndo enquanto entramos - Aqui estão as roupas que o senhor mandou - informa logo antes de entregá-lo as três sacolas.

- Obrigado, comprarei o restante mais tarde - a mulher assente e sai apressadamente.

Pelo menos ele sabe agradecer...

E daí sigo ele para dentro da casa.

A casa consegue ser ainda mais fantástica por dentro. Uma decoração elegantemente italiana, mas com uma pegada sensual, acompanhada de grandes quadros nas paredes em molduras douradas e um tapete antigo feito a mão no centro do hall logo ao lado da escada com o corrimão te madeira entalhada e perfeitamente esculpida. Tudo nessa cara reflete a isso: perfeição. Devo estar igual uma criança observando tudo com atenção.

- Vou te mostrar o quarto - ele fala seguindo para uma porta metálica ao lado da escadaria de mármore e madeira maciça, que logo percebo que é um elevador.

- Você tem um elevador dentro de casa?! - pergunto surpresa. Ele já tem uma escada e a mansão só tem dois andares. Não vejo motivo aparente para um elevador.

- Minha mãe é deficiente física, usa cadeira de rodas - ele responde por fim. Com o olhar fixo na porta metálica enquanto subimos.

- Ela mora com você? - pergunto curiosa.

Ele dá um suspiro pesado, como se minhas perguntas o incomodasse.

- Não. Ela vem me visitar de vez em quando.

Resolvo ficar calada. Não quero correr o risco te tomar um tapa por falar demais. Realmente acredito que ele faria isso.

Depois que a porta do elevador se abre, seguimos pelo corredor em cor nude - carpete nude, paredes brancas e uma janela elegante que vai do chão ao teto onde deveria ser a parede no fim do largo corredor, emolduradas em madeira escura -, acompanhado de quadros e algumas estantes claras com flores naturais e objetos de decoração. Até chegarmos a uma porta pesada de madeira entalhada que lembra um pouco a porta de entrada de mansão.

Ele tira uma chave do bolso e a abre, revelando um enorme quarto, com algumas portas na parede esquerda, paredes em tons de cinza escuro e branco. O chão em um piso branco de mármore acompanhado de um tapete felpudo marrom que cobre quase todo o quarto, parece ser feito sobre medida. A cama é aquela tal de king size e janelas do chão ao teto, cobertas por cortinas que combinam com os tons das paredes.

Maldito MafiosoOnde histórias criam vida. Descubra agora