Sofia é uma jovem doce, amorosa, educada e do interior. Mesmo em um momento difícil aprendeu uma lição importante com sua mãe: concertar o que se está quebrando.
Lorenzo é capo da mafia italiana, um homem impiedoso e cruel. Cruel ao ponto de obrigar...
Destravo a minha arma ao avistar a entrada da mansão de Anton, a mesma é envolta de palmeiras das quais abrem alas formando um apreciado caminho até o enorme portão dourado e elegante, em contraste com a enorme casa branca atrás, também enfeitada de plantas e arbustos. Com certeza o jardineiro de Anton tem muito trabalho aqui.
Mas é óbvio que não entraremos por aquele caminho.
Um pouco antes de chegarmos a vista dos guardas de Anton, que ficam em pequenas torres, uma em cada lado do portão, Natanael para o carro e me deixa acompanhado de três dos meus capangas próximo a uma mata fechada onde um outro homem já estava nos aguardando. Anton foi muito inteligente ao construir uma casa elegante aqui, sendo no meio do nada, o deixava fora da vista da sociedade, mas também é chamativa ao ponto de não deixar ninguém pensar que está tentando se esconder.
- Élioth vai levá-los a uma entrada secreta da mansão no meio da mata - Natanael me informa -. Sofia está escondida dentro de um contêiner nos fundos da casa. Vou distrair Anton o levando para dentro com uma desculpa qualquer. Assim vocês tiram ela antes que ele veja.
- Mas só para o caso do seu plano não dar certo - pego o meu celular e aviso ao restante dos meus homens, que estão a poucos quilômetros de distância de nós, para ficarem atentos, pois já estamos próximos.
Natanael respira fundo, claramente incomodado com minha falta de fé nele.
- Toma - ele tira algo do bolso do paletó, que logo revela ser um silenciador da minha pistola. Sempre usamos o mesmo tipo de arma, então ele já sabe qual é o meu.
Pego o cano escuro da mão dele e acoplo no lugar certo. E Natanael faz o mesmo na pistola dele com um outro silenciador.
- Toma - tiro um pente de balas reserva do meu bolso. Eu sempre ando com mais munição que o suficiente... Para o caso de meus capangas não darem conta.
Nos encaramos e assentimos possitivamente um para o outro, em sinal de "prontos".
- Menino Élioth - me viro para o jovem que parece ser novo demais para estar envolvido onde está -, dependendo do seu desempenho hoje, você terá um grande futuro comigo.
O menino arregala os grandes olhos verdes, sentindo a pressão inesperada que estou depositando nele. O rapaz assente e me indica um caminho com o braço, que logo revela ser uma trilha secreta por entre a mata densa.
***
Caminhamos aproximadamente um quilômetro de mata, até chegarmos a um pequeno poço, onde descobri ter uma porta de madeira nos fundos do mesmo, que dava a uma passagem secreta.
E caminhar por aqui me fez descobrir que devo andar com um repelente também.
O clima quente e húmido desse lugar é insuportável. Parace que estou no meio a Amazônia.
- É por aqui, Senhor - Élioth abre a porta velha e sem tranca -. Vai te levar até a estufa de Anton. Um outro homem já te espera lá e vai guiá-lo até o contêiner.
Nego com a cabeça, discordando do rapaz.
- Nada disso, menino Élioth - aponto minha arma para ele, que mais uma fez se espanta -. Você vai na frente... Só por precaução - dou uma piscada e um sorriso sarcástico para o jovem, que engole em seco e começa a descer pela passagem. Dou sinal para que meus homens fiquem atentos e assim descemos também.
Acredito que andamos cerca de mais um quilômetro no subsolo. O caminho é cheio de insetos nojentos e teias de aranha, a iluminação que temos é a lanterna do celular de Élioth até se avistar uma outra luz no fim do túnel. Que logo vejo tratar-se de uma porta, cujo creio ser a da estufa do jardim.
- Por ali, Senhor - Élioth diz outra vez.
- Vai na frente, Élioth - repito com sarcasmo. Não estou disposto a sofrer uma emboscada hoje.
Ele segue até a porta e bate na mesma, esperamos alguns instantes até escutarmos o som de um tranca sendo aberta do outro lado, seguido da porta se abrindo também. Élioth me encara mais uma vez e eu inclino a cabeça para o lado, dizendo-o para que prossiga, o mesmo tira um revólver da cintura e segue em frente, passando pela saída, vou atrás.
Estou na estufa de orquídeas de Anton Ivanov. Onde vejo outros dois homens que, segundo Élioth, estão com a gente.
- Já desligamos as câmeras de segurança - informa um dos homens -. Natanael está no escritório com Ivanov. Está tudo limpo para irem.
- Obrigado - eu agradeço.
Encaro os meus capangas e lhes dou um aceno positivo de cabeça, onde retiram suas armas dos coldres, já com silenciadores, e atiram na cabeça dos outros homens, exceto do jovem que nos trouxe até aqui, o mesmo fica estático onde está, com o pânico começando a se revelar em seus olhos.
- Somos só nós, menino Élioth - informo ao rapaz. Que gira os calcanhares e prossegue para a porta da estufa, ainda com medo.
- Ela está ali dentro - ele indica um comprido e velho contêiner vermelho em situação deplorável; enferrujado e com frestas nas laterais, corroídos pela ferrugem. Sofia pode pegar tétano só de ter entrado ali.
Só a ideia de estar tão próximo da minha Sofia mais uma vez me deixa louco. Ela está tão perto e ao mesmo tempo tão longe que deixa meu coração apertado. Mal vejo a hora de estar com ela em meus braços outra vez. Descobrir que serei pai despertou algo em mim. Algo bom. Que quero compartilhar com minha esposa.
O problema é não saber se ela quer o mesmo.
Olhos fixo para a caixa de aço com labaredas em meu olhar.
Suspiro forte, como um touro bravo se preparando para atacar em um rodeio.
- Vamos resgatar minha esposa.
🖤
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