Flashback - Lorenzo

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Três meses e alguns dias atrás

Me levanto e apresso meus passos para chegar até porta do hall de entrada. Mas me surpreendo ao ver que alguém está parado na entrada esperando por mim.

Sorrio ao reconhecer quem é.

Então eu começo a saudação.

- Olá, mio amici. Estava esperando por você.

- Tenho que admitir que me passar por morto foi mais fácil do que eu pensava. Ninguém procura por um cadáver - sorrio. Faz tempo que eu não sorrio. Mas se Natanael já está aqui, significa que seu plano correu bem.

- Não exatamente. Você até que andou procurando por um nesses últimos meses.

- Isso foi fácil também. Quando se sabe que não tem ninguém procurando por você, as pessoas deixam de se precaver.

- Vamos discutir sobre isso tomando uma bebida - caminho até meu carro e Natanael me acompanha.

- E não tem bebida na sua casa? Você está mal mesmo.

- Quero beber na boate hoje. Tem tempo que não vou lá.

***

Assim que adentramos minha boate vários olhares interessados vem em nossa direção.

Entretanto até agora ninguém reconheceu Natanael devido as luzes coloridas girando em meio o lugar sem muita iluminação. Todas as luzes brancas ficam direcionadas somente para o palco, onde as strippers dançam. Ao contrário do que todos pensam, eu nunca explorei essas garotas, nunca cobrei por trabalharem aqui. Se elas vendem o próprio corpo, o dinheiro deve ser direcionado somente à elas. Então entramos em um acordo: eu sedia um lugar seguro fora dos becos frios das ruas e em troca meu número de clientes só cresce. Boas strippers, bons clientes.

- Opa! Já vai começar o pole dance. Minha parte preferida - Natanael comemora -. Finalmente vou me deliciar com alguma mulher após tanto tempo - conta enquanto sentamos em uma mesa reservada.

- Não esteve com ninguém todo esse tempo? - indago surpreso.

- Precisava estar 100% focado na missão. Sabemos que a mafia russa é muito boa em distrair seus adversários.

- Só que ele não é mais de mafia alguma.

- Mas já foi. Tem experiência e é tão bom quanto um.

- Sei - dou um longo gole no whisky que colocaram sob minha mesa, minha bebida de sempre, e para Natanael, Rum -. Onde o encontrou?

- Inglaterra, Londres. Abriu uma barbearia no centro da cidade.

- Genial - admito.

Escolheu um lugar ainda na Europa, quando se procura por alguém que se sabe que está fugindo, normalmente se pensa que se está, no mínimo, num outro continente, mas ele não, resolveu se esconder bem embaixo do nosso nariz; o último lugar onde vamos procurar. E ainda em um lugar movimentado, fácil de se camuflar. E sobre a barbearia... Melhor lugar para se fazer amizades fortes com homens, se não, um bar também serve.

E também são bons lugares para se guardar armas.

- Conhece? - Indico com o queixo para o palco a dançarina de pole dance fazendo seu número.

Luanna.

Ele a reconhece e sorri.

- Descobriu algo aqui também? - indaga sem tirar os olhos do palco, enquanto se reclina na poltrona e pega sua bebiba, dando um longo gole.

- Luanna deu em cima de mim - Natanael dá um sorriso de lado acompanhado de uma risada nazal

- Ela é uma caçadora - rio também.

- Sem dúvidas - me viro e me atento ao palco também.

Luanna olha em nossa direção e arregala os olhos. Para de dançar e esfrega a vista, nos olhando mais uma vez em seguida, certificando-se de que seus olhos não a estavam enganando. Ao reconhecer Natanael sentado ao meu lado, seus olhos grandes e cinzas cintilam com a luz dos refletores sobre o palco.

- Natanael... - ela move com os lábios finos no nome do meu amigo, mas pelo som da música alta, é impossível de ouvi-la dizê-lo.

O mesmo levanta seu copo em sinal de saudação, com seu sorriso lateral ganhando extensão.

Outra dançarina cutuca Luanna e a puxa pelo braço para fora do palco, dizendo que música havia acabado. Então Luanna se vai, mas sem tirar os olhos do homem ao meu lado.

- Sem mais delongas - me viro para ele outra vez -. Ele vai nos ajudar ou não?

- Sim. Ele vai.

- Mas?

- Preciso fazer um favor para ele antes.

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Maldito MafiosoOnde histórias criam vida. Descubra agora