Sofia é uma jovem doce, amorosa, educada e do interior. Mesmo em um momento difícil aprendeu uma lição importante com sua mãe: concertar o que se está quebrando.
Lorenzo é capo da mafia italiana, um homem impiedoso e cruel. Cruel ao ponto de obrigar...
- Eu não aguento... - é a última coisa que ela sussurra antes de desmaiar.
Pelo menos ela não convulsionou como a maioria. A minha Sofia é forte.
Não sei o que sentir em relação a isso. Eu nunca quis machucá-la. Mas foi necessário. Não posso permitir me passar por um capo fraco e perder o respeito dos meus colegas. Usei o recurso menos pior que eu tenho, e estou rezando para que seja mais que suficiente, pois sei que em relação a máfia significará alguma coisa.
"Na vida real nós curamos as pessoas com amor e compreensão, mas as vezes é necessário chamá-las a atenção e mostrar o que está errado."
O que ela disse não sai da minha cabeça. Tenho a minhas dúvidas de que ela realmente pense assim.
O som de uma batida na porta me traz de volta de meus pensamentos. Então a mesma se abre.
- Senhor, os gritos cessaram, vim verificar se precisa de algo... - então Mike olha surpreso o corpo de um dos meus homens no chão.
- Eu preciso sim! - levando e pego um lençol, cobrindo Sofia em seguida - Preciso que retirem o lixo - indico com o queixo o corpo do homem morto a minha frente.
- Sim, senhor - e se retira.
Dezato as amarras de Sofia e pego-a no colo. Carrego-a em meus braços até nosso quarto, depositando seu corpo desacordado em nossa cama.
Vou até o banheiro e pego uma toalha pequena, imergindo na água morna de uma bandeja. Vou até Sofia e passo o pano por sua pele suada até notar que ela está mais quente que o normal.
Febre.
Mais uma vez ergo o corpo de minha esposa. Tiro seu vestido e suas roupas íntimas, levando-a até o banheiro em seguida. Coloco Sofia dentro da banheira e deixo a água fria cobrir seu corpo. Os efeitos colaterais da toxina já estão aparecendo; além da febre, sua pele está coberta por manchas vermelhas, cujo eu espero que seja temporário. Nunca deixei alguém vivo para descobrir se elas se vão.
Após ver que sua temperatura abaixou, tiro-a da banheira e a enrolo em uma toalha, secando seu corpo. Deito ela na cama mais uma vez, após terminar. Vou até seu guarda-roupas e pego uma camisola de seda para vesti-la.
Ao ver que está tudo certo, ligo o ar condicionado e saio do quarto.
- Joana! - grito enquanto desço as escadas.
Ela aparece rapidamente com uma bandeja de lanches em sua mão.
- Aqui está seu lanche, senhor Merluzzo - ela segue em me entregar, mas faço um sinal para que pare.
- Leve isso ao meu quarto e dê para Sofia quando ela acordar. Priorise todos os serviços da casa para as necessidades dela. Chame o médico se precisar.
- Sim, senhor - e Joana segue escada acima.
Vou para o meu escritório resolver problemas como sempre. Mas encontro meu amigo Natanael quando chego lá.
- Mike trouxe a fixa do capanga que você matou. Já cuidei disso - ele diz assim que fecho a porta atrás de mim.
- Menos um problema pra resolver - vou até minha mesa e abro a gaveta maior, tirando certa fixa de lá. Fazendo alguns cálculos em seguida.
- Como está Sofia? - então ele quebra o silêncio, sua voz mostra preocupação.
- Vai viver.
Mais um minuto de silêncio.
- Amico mio, não precisa ter medo de se apaixonar por ela - Natanael nota minha tensão -. Qualquer um se apaixonaria.
Olho para ele.
- Ela é uma mulher com a sentença de morte marcada.
- E tenho certeza que ela o perdoaria por isso.
- Por mandá-la para a morte ou pelo o que a fiz a uma hora atrás?
- Tenho certeza que pelos dois.
Eu já estou confuso o suficiente para ter essa conversa com Natanael. Entrego a fixa que estou para ele, já com os cálculos prontos.
- Paola Baroni - digo a ele, que analisa a fixa -. Tá me devendo uma boa quantia em euros e acha que pode me enrolar só porque comi ela mês passado na festa do nosso assessor de Portugal. Garanta que ela me pague.
Natanael dá um sorriso que eu conheço bem. O sorriso do assassino que ele adora ser.
- Conheço a Paola. Vai ser um prazer - então se levanta e sai da minha sala, levando a papelada.
Jogo-me em minha poltrona confortável e olho para o teto.
Me apaixonar por ela... quanta bobagem!
Tudo isso não passa de remorso. Ela é uma garota inocente e não merece passar por isso. Então me sinto mal por ela. Não quero o seu perdão! Na verdade, preferiria que ela me odiasse. Mas tenho minha dúvidas que ela seja capaz disso.
🖤
Ops! Esta imagem não segue nossas diretrizes de conteúdo. Para continuar a publicação, tente removê-la ou carregar outra.