Sentimentos contidos

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Seguiram para o centro da cidade, onde achavam que teriam mais chances de encontrar algo relacionado a almofada. Durante todo o trajeto nenhum dos dois disse uma única palavra, estavam muito ocupados navegando em seus próprios pensamentos.

Laxus não conseguia acreditar no que tinha acontecido, ficou em choque total. Apesar de ter sido um simples selinho, para ele era a melhor coisa do mundo. Não tinha certeza se a loira tinha feito isso no calor do momento ou se ela realmente sentia algo por ele...

Por outro lado, Lucy estava em uma guerra interna. Foi impulsiva, se deixou levar pelos sentimentos a muito tempo esquecidos... Ou pelo menos era achava que foram esquecidos.

Admitia que a algum tempo atrás se sentia atraída pelo loiro, não sabia como ou quando isso aconteceu, apenas ignorou e fingiu não sentir nada. Quanto mais o sentimento crescia, mais ela o escondia.

Nunca em sua vida achou que fosse ser correspondida, as coisas que lhe falavam sobre o loiro ficaram gravadas em sua mente. Quantas vezes escutou as pessoas dizendo que ele era frio, maldoso e calculista? Quantas vezes a alertaram para que não se aproximasse dele, pois ele não tinha dó nem misericórdia de ninguém?

A cada nova suposição, mais medo sentia. Medo de se apegar, medo de ser rejeitada... Nessa quase uma semana ela finalmente conheceu o verdadeiro Laxus, e ele era muito diferente do que diziam.

Ela descobriu quem o loiro realmente era, quem ele sempre foi, e estava feliz por descobrir isso, viver sabendo as coisas pelos outros era... Estranho.

Por conta disso ela tomou coragem e se aproveitou da situação, no caso o avental, e fez o que achou melhor. Arrependida? Nem um pouco, claro que teve medo da reação dele, por isso saiu da casa.

Agora sua única alternativa era torcer para que tudo continuasse fluindo pelo caminho certo.

—— // ——

Depois de conseguir as flores que Tamandra pediu, o gatinho explicou a situação para Nights e Loki que aceitaram sua decisão de voltar a viajar com os dois loiros.

Happy se sentia culpado por deixar os dois fazerem o trabalho que lhe foi atribuído, mas Loki disse que estava tudo bem, faltava apenas dois ingredientes para a poção.

Assim que terminassem, ambos os espíritos iriam voltar para o mundo celestial. Após muita conversa, o ruivo conseguiu convencer o Rei a aceitar a pequena coruja de volta no Mundo Celestial, porém sua constelação continuaria extinta. Nights ficou muito feliz com a notícia, estava com saudades de seu mundo.

Depois que se despediu, Happy voou até onde Tamandra tinha dito que estava, não demorou mais do que cinco minutos para chegar. Entrou na pousada e a encontrou sentada com um monte de confetes espalhados pelo chão.

— Que cruel, Dona Tamandra... Fez uma festa e nem esperou eu chegar... — fingiu estar triste.

— Ora, Happy! É ótimo te ver de novo. Não fiz festa nenhuma.... Ainda. Estou apenas comemorando — sorriu feliz.

— Por quê?

— Nosso amado casal está se acertando sozinho. Não vamos mais precisar da poção!

— Eu trouxe as flores para nada? — entregou as cinco flores que tinha coletado.

— Bem... Elas dão um belo bolo, que tal? Prometo fazer mais biscoitinhos de peixe para você — propôs.

— Bolo é melhor que poção — sorriu feliz. — Agora vou atrás daqueles dois, estou com saudade de perturbar a Lucy — sorriu sapeca.

— Certo, eles foram para o centro da cidade — apontou para a esquerda. — Cuidado para não se perder e leve esse envelope para eles. Também use essas luvas, são regras da cidade!

— Aye! Pode deixar — saiu voando.

—— // ——

— Então... Alguma ideia? — a loira parou de andar, olhando ao redor.

— Se nos perder for uma ideia... Sim, eu tenho — riu.

Chegaram ao centro comercial depois de trinta minutos andando. O lugar era mais agitado do que esperavam, tinha barracas espalhadas por todos os lados, pessoas dançando, cantando e crianças correndo. Parecia um festival, mas era só mais um dia normal.

— Gostei! Me lembre de voltar aqui depois que tudo isso acabar, vai ser como estar de férias — Lucy olhava para tudo de forma admirada.

— Pode deixar, prometo de trazer aqui depois. Também quero voltar.

— LUXY! — alguém se aproximou correndo.

— Mas o que é isso? — se virou curiosa, até que sentiu algo grudar em seus seios.

— Eu senti sua falta, sua estranha — Happy chorava.

— Happy! Você não sabe o quanto estou feliz em te ver — o abraçou. — Conseguiu todos os ingredientes?

— Não, mas Loki e Nights estão procurando. Só falta dois. Depois disso eles vão para o Mundo Celestial — sorriu.

— Até a coruja? — Laxus estranhou.

— Sim, Loki conversou com o Rei e ele permitiu que ele voltasse.

— Isso é ótimo!

— Aye! Ah, quase esqueci. Eu me encontrei com a Dona Tamandra no meio do caminho e ela me pediu para entregar isso — deu o envelope para Laxus.

Quando o loiro abriu o envelope, ele encontrou duas coisas: um bilhetinho escrito “Esqueci de colocar isso na pista” e uma etiqueta.

— Deve ser a etiqueta da almofada — entregou para a loira.

— Será que isso muda algo?

— Se ela colocou acho que sim...

— Que almofada engraçada — Happy riu. 

— É meio... Estranha. Vamos ver... — começou a analisar a etiqueta — Instrução para lavagem... E o nome Arriba, deve ser a marca...

— Exatamente igual aquela loja ali no final da rua — Laxus apontou.

— Uma loja é um lugar bem inusitado para se esconder a parte de um cajado, não? — gota.

— Vamos logo, eu quero aventura — Happy saiu voando na frente.

— Esses últimos dois dias deixaram ele mais maluco do que já era — Laxus comentou rindo.

— Com certeza — Lucy também riu, seguindo o gatinho.

Ao se aproximarem do local notaram que era nada mais nada menos que uma loja de brinquedos enorme. Happy se animou quando viu pela vitrine alguns aquários artificias e pelúcias de peixe, então tentou entrar, mas a porta estava trancada apesar da placa dizer que estava aberto.

— Eu quero entrar, como pode estar fechado se diz que está aberto?

— Qual a senha? — uma voz perguntou através de uma lácrima de som que tinha na parede.

— Senha? Como assim senha? Eu quero peixe! — Happy se irritou.

— Calma, Happy! — a loira pegou o gatinho. — Desculpe por isso... Enfim, não sabemos de que senha você está falando...

— Sem senha ninguém entra — desligou. 

— Impaciente... E agora, o que fazemos?  

— Quando for meia noite, nos voltamos aqui — Laxus explicou.

— E o que vamos fazer aqui?

— Nós vamos invadir — sorriu macabramente, enquanto os outros dois apenas arregalaram os olhos.

— Ferrou — disseram em uníssono, seguindo o loiro de volta para a pousada.

A Pena da CuraOnde histórias criam vida. Descubra agora