Caminhos cruzados

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— Onde estou? Que lugar é esse? — Lucy se levantou da maca.

O lugar onde ela estava parecia uma enfermaria, mas ela tinha certeza que aquela não era a da guilda. As paredes e o chão eram completamente brancos, chegando a incomodar os olhos, e tinha uma única maca e uma porta, também brancas.

Voltou a se sentar na maca e foi então que se lembrou do que tinha acontecido, olhou para si, mas não viu nenhum sinal de machucado, o local nem enfaixado estava. Será que tudo não passava de um sonho? Seria ótimo, mesmo isso não explicando o porquê de estar ali.

Calmamente ela foi até a porta e tentou abrir sem sucesso, estava trancada. Sua única alternativa era esperar ou usar uma de suas chaves. Procurou em todos os cantos e não encontrou. Entrou em desespero, quem pegou suas preciosas chaves?

— Ora, vejo que acordou — um homem alto e moreno entrou pela porta, a encarando com seus olhos azuis.

— Quem é você?

— Prazer, me chamo Jones. Sou um seguidor do Mestre Zeref — sorriu.

— Espera... Você não é o mesmo que a... — foi interrompida.

— Eu mesmo. Tamandra foi muito tola em achar que eu estava morto, ou será que fui eu quem fez ela acreditar nisso? — fingiu confusão.

— O que você quer?

— Eu quero o que a maioria quer: poder. Controlar Tamandra foi a melhor ideia que eu já tive na minha vida, anjos são muito poderosos além dela ser muito influente entre os outros. Agora você, minha querida, nem deveria estar aqui, mas acabou vindo por se intrometer onde não é chamada.

— Por que atacou o Nico?

— Porque eu quis, simples. Demônios só atrapalham, assim como os anjos. Quanto menos melhor, aliás se eu fosse o Mestre Zeref eu me livraria dos dele.

— Você é cruel — falou com raiva.

— Talvez — riu. — Agora preciso resolver alguns problemas, temos dois convidados xeretando onde não deviam. Ah, suas chaves estão comigo, acho que elas podem ser úteis em alguma magia ou poção, não me decidi — não esperou resposta e saiu, trancando a porta.

— Droga... Sair daqui vai ser difícil... Por que será que ele me curou? — perguntou para si mesma. — Tem algo muito estranho acontecendo...

—— // ——

Cendy corria pelos corredores de celas o mais rápido possível. Aquelas pessoas pareciam zumbis correndo atrás de si. Tentou despistar eles, mas no processo ela se perdeu, de novo.

Depois de muito correr ela teve um plano, podia não usar sua magia, mas ainda era habilidosa. Subiu em uma das grades, até o topo e começou a andar nas vigas de ferro que estavam ali.

Os “zumbis” passaram correndo, desorientados por não saberem onde ela estava. Pelo menos não a maioria.

Exatamente ao seu lado estava uma mulher, a olhando sem nenhuma expressão. No susto, Cendy acabou dando um passo em falso e começou a cair, fechou os olhos e esperou o impacto.

Felizmente a sorte estava do seu lado, e ela acabou caindo em cima de um monte de feno. Olhou ao redor e viu que ainda não havia passado por aquele corredor. Assim que virou a cabeça, viu uma porta de madeira, do tamanho de uma criança.

Os perseguidores ao ouvirem sua queda começaram a correr novamente atrás dela. Desviou de todos com maestria, correndo até a portinha. Rapidamente se agachou a abrindo, sem muita alternativa, entrou, fechando logo em seguida.

Suspirou aliviada por estar a salvo. O novo lugar onde estava parecia uma sala de estar, com um padrão muito semelhante ao da prefeitura. Do lado direito tinha duas escadas, uma para cima e outra para baixo.

Cendy escolheu subir, sentia que algo estaria ali. Calmamente subiu degrau por degrau, sempre olhando para trás e para frente, todo cuidado era pouco.

Quando já estava lá em cima, viu um novo corredor parecendo um de hospital, com várias portas de ambos os lados. Curiosa ela se aproximava, olhava pela janelinha e por fim entrava. Fez isso com todas, até chegar na última e a encontrar trancada, mas com a chave na fechadura.

Girou a chave e entrou, mas não viu nada. Quando estava para sair algo a segurou.

— Mas o que... — olhou para trás. — Lucy?

— Cendy? — a soltou. — Meu Deus, me desculpa. Achei que fosse o cara de agora pouco...

— Tudo bem, fico feliz por te encontrar. Esperava te ver desacordada.

— Eu fui curada, não sei o porquê...

— Você falou em um cara... Ele fez algo contra você?

— Roubou minhas chaves... Como era o nome dele... Jones se não me engano.

— Jones? Eu falei para o Laxus que era culpa desse maldito...

— Laxus? Ele está aqui?

— Nos separamos assim que entramos,. Não vi ele desde então.

— Droga... Você sabe como sair daqui?

— Sinceramente não, mas vi uma escada para descer no andar inferior. Talvez suas chaves estejam lá.

As duas saíram do quarto, deixando a porta exatamente como estava. Desceram a primeira e a segunda escada, chegando em um lugar cheio de macas e máquinas estranhas.

— Aquela não é a Dona Tamandra? — Lucy apontou para uma maca.

— É ela mesma, não faz sentido ele ter deixado ela aqui... A não ser que... Lucy, vamos sair daqui — disse desesperada.

— Por quê?

— Jones controla ela, provavelmente essa é uma armadilha.

— Tarde demais, minhas jovens — Tamandra se levantou.

Antes que pudessem raciocinar, Tamandra fez sua asas aparecerem, ela era meio amarelada. Segundos depois ela partiu para cima das duas com uma espada que surgiu em sua mão.

Mesmo surpresas, as duas conseguiram desviar do primeiro golpe, mas os problemas só estavam começando. A anja era rápida e conseguia atacar as duas sem muito esforço. 

As duas desviavam do jeito que podiam, mesmo com dificuldade. Aos poucos iam pegando o jeito, até Tamandra começar a usar suas asas a seu favor. Olharam uma para a outra e bolaram um plano mentalmente.

Lucy em um momento de distração acabou tropeçando no nada, e foi nessa hora em que acabou levando um chute e batendo na parede. Rapidamente a anja afastou Cendy e se aproximou da loira, encostando a espada em seu pescoço.

— Acabou, Loira.

— Sim, acabou... Para você — Lucy sorriu.

Cendy se aproximou, cravando sua adaga nas costas da anja, que caiu no chão, automaticamente desmaiando.

— Ela vai ficar bem? — Lucy olhou para baixo assustada.

— Sim, anjos são imortais, além de que essa adaga foi feita com uma magia do sono, não mata e é indolor. Daqui a pouco ela se regenera. Melhor corrermos antes que isso aconteça — puxou a loira.

Escolheram um corredor aleatório e saíram correndo, sem olhar para trás. Precisavam sair dali.

— // ——

— Hum... Muito interessante. Concorda, garoto? — James olhou para Nico que estava desacordado em sua cama. — Sua irmã e a amiguinha dela andando feito baratas tontas, é tão engraçado. Pena que aquele loiro lá não vai viver muito para ver o que eu vejo... Isso está ficando cada dia melhor — sorriu, segurando o menino nos braços e se teletransportando.

A Pena da CuraOnde histórias criam vida. Descubra agora