💌 5 - A casa de torta de limão 💌

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       Senti as mãos de Robert em minha cintura e, por um segundo, pensei em me aproximar ainda mais. Mas então, vi o garoto do aeroporto. Ele estava abraçado a uma mulher alta e negra de cabelos cacheados, que julguei ser sua mãe, ela acariciava o topo de sua cabeça e os dois dançavam juntos. 

       Fiquei petrificada, lembrando que eu dançava do mesmo modo com a minha mãe.

       Me afastei, deixando Robert confuso, o encarei, pensando no que mamãe faria. Provavelmente ela o beijaria, afinal, ele era bonito e como ela sempre dizia "faça tudo que tiver vontade na hora" e, por um segundo, era aquilo que eu queria.

      Só por um segundo.

       - Estou com fome. - foi a única coisa que consegui falar, amarelando completamente - Vou procurar algo para comer, daqui a pouco eu volto.

       - Eu chamo um garçom. - respondeu levantando a mão para um dos homens.

       - Não. - respondi mais rápido que deveria - Eu busco... Me espera aqui.

      - Tudo bem. - ele respondeu, passando a mão pelos seus cabelos cacheados, parecendo confuso.

       Dei as costas à ele e caminhei para fora daquela praça. Eu queria que todos soubessem que eu era confiante, mas não dava. Eu só conseguia parecer confiante quando tinha a mulher que me ensinou tudo que sei ao meu lado.

      - Ei, Saphira! - ouvi a voz de Kayla me chamando.

       - Sim? - parei e virei para encara-lá.

       - Onde você está indo? - semicerrou os olhos.

       - Acho que vou voltar para o apartamento, já está deve ter passado das 22:00...

       - Como assim? - sorriu - Você nem viu a melhor parte, que é quando passa de meia noite e os vizinhos começam chamar a polícia por causa do barulho.

       - Adoraria ver isso. - abri um sorriso sem graça - Mas acho que vai ficar para a próxima.

       - Nada disso. - pegou na minha mão, me puxando para a lanchonete que ainda estava aberta - Vamos comer alguma coisa longe da muvuca e voltamos.

       - Kayla, espera! - a voz de um garoto nos fez parar, ao olhá-lo reconheci ser o garoto do aeroporto, que eu não lembrava o nome - Onde vocês estão indo?

       - Oi, Jonas. - Kayla me soltou e o abraçou - Estamos indo comer alguma coisa no Queen's, quer ir também?

      Então, esse era o nome. Minha memória realmente era péssima.

       - Claro, meus pais começaram dançar, não quero ficar lá para ver a cena. - se virou para mim - Eu te encontrei no aeroporto, não é?

       - Eu mesma. - respondi, os acompanhando enquanto estes seguiam para a lanchonete - Essa lanchonete fica aberta até que horas?

       - Ela não fecha. - Jonas respondeu - E não chame de lanchonete é um insulto para o dono que é um dos caras mais ricos da cidade, chame de Queen's.

       - Ah, claro. - senti um forte vento bater em meus braços, me fazendo arrepiar. Por isso, desamarrei minha jaqueta da cintura e a vesti - De noite sempre é frio assim?

       - É por causa do lago. - Kayla deu de ombros, parecendo não se importar com o vento gelado, já que estava com um vestido que deixava toda as suas costas descoberta - Com o tempo acostuma.

       - Ouviu falar do shopping que vai ser construído às margens dele? - Jonas falou, super empolgado.

       - Claro, Jonas. - Kayla estralou os dedos na frente do rosto dele - Meu pai é um dos banqueiros, ele falou que o engenheiro vem do Canadá e que vai morar ao lado da nossa casa e tem mais... parece que ele tem um filho.

Isso é um AdeusOnde histórias criam vida. Descubra agora