NOVE ANOS ATRÁS

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A noite em que conheci Jonathan foi a mesma em que minha vida mudou para sempre. Na época, eu acreditava que algumas pessoas entravam em nossas vidas para nos salvar. Hoje sei que algumas chegam para nos destruir — e fazem isso sorrindo.

É claro que Genny estava comigo quando tudo aconteceu.

A festa era da turma de Direito, uma daquelas comemorações universitárias organizadas para arrecadar dinheiro para a formatura. O namorado de Genny estudava lá e nos convenceu a ir. Parecia apenas mais uma noite comum. Música alta, gente bonita, bebidas espalhadas pelas mesas e jovens tentando aproveitar o melhor período de suas vidas.

Mas foi naquela noite que conheci o homem que mudaria completamente quem eu era.

Infelizmente, para pior.

Tudo aquilo que existia de mais inseguro, assustado e vulnerável dentro de mim encontrou Jonathan Martins. E ele soube exatamente como despertar cada uma dessas partes.

Naquela época, eu ainda não possuía a experiência que tenho hoje. Não sabia reconhecer sinais escondidos atrás de um sorriso bonito. Não entendia que algumas pessoas conseguem mascarar suas sombras com tanto talento que parecem feitas de luz.

Eu era inocente.

Inocente o suficiente para confundir fascínio com amor.

Jonathan era o tipo de homem sobre quem as pessoas comentavam nos corredores. Eu já tinha ouvido inúmeras garotas falarem dele, suspirar por ele, disputar sua atenção como se fosse um prêmio raro.

Quando o vi pela primeira vez, entendi o motivo.

E, infelizmente, me apaixonei quase no mesmo instante.

Ele era alto, elegante e naturalmente bonito. Os cabelos castanhos caíam perfeitamente alinhados, os olhos tinham um tom claro e intenso que parecia observar mais do que revelava. Não sorria com frequência, mas talvez fosse justamente isso que tornasse cada sorriso tão perigoso.

Jonathan tinha algo que atraía as pessoas.

Algo difícil de explicar.

Mulheres o observavam quando ele passava. Homens buscavam sua aprovação. E ele parecia completamente consciente do efeito que causava.

Naquela noite, vestido inteiramente de preto para a festa de Halloween, ele parecia ainda mais irresistível.

Lembro de parar na entrada ao lado de Genny e Fábio enquanto a música vibrava pelas paredes. Meu olhar percorreu o salão até encontrá-lo.

E então o mundo pareceu diminuir.

Ele estava cercado de amigos, conversando e rindo de alguma coisa. As luzes coloridas atravessavam seu rosto e, por um segundo, tive a impressão ridícula de estar observando uma cena de filme.

Quem não se apaixonaria por Jonathan Martins?

Eu certamente me apaixonei.

Mesmo sem nunca ter acreditado que teria qualquer chance.

Eu não era como as mulheres que costumavam andar ao redor dele. Não era sensual. Não era popular. Não chamava atenção quando entrava em um ambiente.

Era apenas Clara.

Tímida demais. Discreta demais. Comum demais.

Por isso, quando seus olhos encontraram os meus naquela noite, levei alguns segundos para acreditar.

Primeiro ele olhou.

Depois desviou.

Então voltou a olhar.

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