DIAS ATUAIS

25 3 0
                                        

A segunda-feira amanheceu sob um céu pesado. As nuvens cobriam tudo, deixando o dia frio, cinzento e melancólico. Meu coração parecia ter acordado sufocado, apertado por uma sensação que eu não conseguia nomear. Talvez fossem os efeitos da gravidez. Talvez fossem todas aquelas notícias recentes, todas as ameaças veladas, todos os medos que eu vinha tentando manter trancados em algum canto dentro de mim.

Havia um conflito estranho crescendo no meu peito. Eu queria acreditar que finalmente estava segura. Queria aproveitar a felicidade que começava a construir ao lado de Steven e do nosso bebê. Mas bastava uma pequena lembrança de Jonathan para que todo o medo voltasse a se espalhar pelo meu corpo.

Na noite anterior, eu decidi que iria conversar com Steven sobre Jonathan porque queria saber também se ele tinha algo a ver com tudo o o que estava acontecendo, mas eu havia esperado por Steven por tanto tempo que acabei adormecendo. Quando ele finalmente chegou da casa do pai, lembro-me apenas de sentir seus braços envolvendo meu corpo e seu peito se acomodando atrás de mim. Mesmo dormindo, reconheci seu toque. Foi assim durante toda a noite.

Agora, porém, acordei sozinha.

Estiquei a mão para o lado da cama e encontrei apenas os lençóis frios. Estranhamente, senti falta dele antes mesmo de abrir os olhos por completo.

Afastei os pensamentos ruins, vesti uma roupa mais quente e desci para ajudar as meninas a se arrumarem para a escola.

Steven já estava na cozinha.

Assim que entrei, ouvi sua voz ao telefone. Ele estava de costas para mim e falava em um tom baixo, sério, diferente do habitual. Aproximei-me, dei um beijo rápido em sua bochecha e sentei-me à mesa com as meninas.

Ele me lançou um olhar breve. Depois, afastou-se da cozinha, ainda ao telefone, entrando em outro cômodo. Franzi a testa. Aquilo era estranho. Tentei não dar importância e voltei minha atenção para as meninas, que conversavam animadamente enquanto tomavam o café da manhã. Servi-me também e procurei me concentrar nelas. Alguns minutos depois, Steven voltou. Mas não sentou-se à mesa, não disse nada e nem tocou na comida. Eu o observava discretamente, esperando que dissesse alguma coisa.

Nada.

Ele olhou o relógio em seu pulso rapidamente, e se afastou um pouco mais.

- Preciso sair mais cedo hoje.

Ergui os olhos para ele.

- Mas já?

Ele apenas se inclinou e beijou o topo da minha cabeça.

- Tenho algumas coisas para resolver.

E saiu.

Fiquei olhando para ele desaparecer pelo corredor. Eu nunca tinha visto Steven daquela maneira. Talvez estivesse acontecendo alguma coisa no trabalho. Talvez fosse algum problema relacionado à empresa do pai. Mas, depois de tudo o que havia acontecido nos últimos dias, era impossível não sentir uma pontada de inquietação.

Levantei-me e fui atrás dele.

- Ei.

Segurei sua mão antes que ele alcançasse a porta.

Steven parou.

Passei os braços ao redor dele e o abracei. Havia alguma coisa diferente naquele abraço. Algo que eu não conseguia explicar.

- Está tudo bem no trabalho?

- Nada preocupante.

Ele retribuiu o abraço, mas eu ainda conseguia sentir uma certa tensão em seu corpo.

- Tem alguma coisa em que eu possa ajudar?

- Está tudo sob controle.

Afastei-me apenas o suficiente para olhar em seus olhos.

MedoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora