Aqui vale a pena aumentar o peso dramático e diminuir a descrição sexual explícita. O foco deve estar na perda de autonomia da Clara, no medo, na confusão e no trauma. Isso torna a cena muito mais forte emocionalmente e ajuda o leitor a compreender por que ela tem tanto medo de Jonathan no presente.
Lívia dormia profundamente em meu colo quando saí do carro. Depois de entrar em casa, fui direto para o quarto e a coloquei cuidadosamente no berço.
Sorri ao vê-la suspirar baixinho, alheia ao mundo.
Passei a mão em seus cabelos fininhos e depositei um beijo em sua testa.
— Dorme bem, meu amor.
Endireitei as costas fazendo uma careta. Ela já estava grandinha para ficar tanto tempo no colo, e depois de uma manhã inteira resolvendo os últimos detalhes da festa de um aninho — que aconteceria dali a duas semanas — minhas costas pareciam implorar por descanso.
Apesar do cansaço, meu coração estava leve.
Organizar aquela festa era um sonho. Eu queria que tudo fosse perfeito.
Fui até a cozinha. Perla já havia ido embora, mas deixara o jantar pronto. Antes de comer, tomei um banho demorado, tentando aliviar o peso do dia.
Depois, sentei-me à mesa com meu notebook.
Comecei respondendo alguns e-mails e, quase por acaso, encontrei um curso de Design de Moda oferecido a distância.
Meu coração acelerou.
Era exatamente o que eu queria.
Li toda a programação, as disciplinas, os horários...
Sem pensar muito, fiz a matrícula.
Só depois veio a realidade.
O pagamento.
Respirei fundo.
Infelizmente, eu teria que conversar com Jonathan.
Fechei o computador e arrumei a mesa para jantarmos.
Resolvi esperá-lo.
Sentei-me na sala e liguei a televisão apenas para fazer companhia ao silêncio da casa.
Passei os canais sem realmente prestar atenção em nenhum.
Em algum momento, o cansaço venceu.
Adormeci no sofá.
Acordei assustada com o barulho da porta da entrada batendo.
Levantei a cabeça rapidamente.
Jonathan entrou cambaleando, jogando as chaves sobre o aparador.
Meu estômago afundou.
Ele tinha bebido.
Muito.
Levantei imediatamente.
— Jonathan...
Ele sorriu daquele jeito despreocupado, apoiando-se na parede.
— Ei, boneca... ainda acordada?
O cheiro de álcool chegou antes mesmo que ele se aproximasse.
— Estava esperando você para jantar.
Ele soltou uma risada arrastada.
— Fiz você esperar?
Assenti.
— Fez.
Passei um dos braços em volta dele para ajudá-lo a caminhar.
Seu corpo estava pesado.
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Medo
RomanceClara Brayner finalmente está livre. Após anos em um casamento abusivo, ela reconstrói sua vida ao lado da pequena Lívia, acreditando que a felicidade, mesmo simples, está ao seu alcance. Mas Clara sabe que sua liberdade tem limites: seu ex-marido p...
