SETE ANOS ATRÁS

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Aqui vale a pena aumentar o peso dramático e diminuir a descrição sexual explícita. O foco deve estar na perda de autonomia da Clara, no medo, na confusão e no trauma. Isso torna a cena muito mais forte emocionalmente e ajuda o leitor a compreender por que ela tem tanto medo de Jonathan no presente.

Lívia dormia profundamente em meu colo quando saí do carro. Depois de entrar em casa, fui direto para o quarto e a coloquei cuidadosamente no berço.

Sorri ao vê-la suspirar baixinho, alheia ao mundo.

Passei a mão em seus cabelos fininhos e depositei um beijo em sua testa.

— Dorme bem, meu amor.

Endireitei as costas fazendo uma careta. Ela já estava grandinha para ficar tanto tempo no colo, e depois de uma manhã inteira resolvendo os últimos detalhes da festa de um aninho — que aconteceria dali a duas semanas — minhas costas pareciam implorar por descanso.

Apesar do cansaço, meu coração estava leve.

Organizar aquela festa era um sonho. Eu queria que tudo fosse perfeito.

Fui até a cozinha. Perla já havia ido embora, mas deixara o jantar pronto. Antes de comer, tomei um banho demorado, tentando aliviar o peso do dia.

Depois, sentei-me à mesa com meu notebook.

Comecei respondendo alguns e-mails e, quase por acaso, encontrei um curso de Design de Moda oferecido a distância.

Meu coração acelerou.

Era exatamente o que eu queria.

Li toda a programação, as disciplinas, os horários...

Sem pensar muito, fiz a matrícula.

Só depois veio a realidade.

O pagamento.

Respirei fundo.

Infelizmente, eu teria que conversar com Jonathan.

Fechei o computador e arrumei a mesa para jantarmos.

Resolvi esperá-lo.

Sentei-me na sala e liguei a televisão apenas para fazer companhia ao silêncio da casa.

Passei os canais sem realmente prestar atenção em nenhum.

Em algum momento, o cansaço venceu.

Adormeci no sofá.

Acordei assustada com o barulho da porta da entrada batendo.

Levantei a cabeça rapidamente.

Jonathan entrou cambaleando, jogando as chaves sobre o aparador.

Meu estômago afundou.

Ele tinha bebido.

Muito.

Levantei imediatamente.

— Jonathan...

Ele sorriu daquele jeito despreocupado, apoiando-se na parede.

— Ei, boneca... ainda acordada?

O cheiro de álcool chegou antes mesmo que ele se aproximasse.

— Estava esperando você para jantar.

Ele soltou uma risada arrastada.

— Fiz você esperar?

Assenti.

— Fez.

Passei um dos braços em volta dele para ajudá-lo a caminhar.

Seu corpo estava pesado.

MedoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora