8. DIAS ATUAIS

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Naquele fim de tarde, saí mais cedo do trabalho para comprar alguns materiais de que a empresa precisava. Depois de resolver tudo, caminhei sem pressa pelos corredores do shopping, comprei uma garrafa de água e decidi que já era hora de voltar para casa.

Eu descia a escada rolante em direção ao estacionamento quando o vi.

Steven.

Ele subia acompanhado por uma mulher e outros dois homens. Conversava distraidamente com um deles quando, por acaso, virou o rosto na minha direção. Seus olhos encontraram os meus por um breve instante. Ele desviou o olhar por reflexo, mas imediatamente voltou a me encarar.

Seu semblante mudou.

Surpreso.

Então sorriu.

E, sem perceber, sorri de volta.

Naquele momento, senti um arrepio percorrer meu corpo.

O que quer que o destino estivesse preparando para nós começava a me assustar.

Era coincidência demais.

Será que existia alguma forma de escapar das linhas invisíveis que insistiam em cruzar nossos caminhos? Ou aquilo era apenas uma sucessão improvável de acasos?

Quando as escadas nos colocaram lado a lado, ele inclinou levemente a cabeça e perguntou, divertido:

— Você está me seguindo?

Balancei a cabeça em negativa, rindo sem graça enquanto baixava os olhos.

Continuei meu caminho até a fila do caixa automático para pagar o estacionamento. A fila avançava lentamente. Dei mais um passo à frente quando percebi um movimento ao meu lado.

Olhei.

Steven estava ali.

Desceu a escada e veio direto ao meu encontro.

Vestia um terno impecável. As mãos descansavam nos bolsos da calça enquanto aquele sorriso bonito iluminava seu rosto. Os cabelos estavam penteados para trás, levemente desalinhados, como se ele tivesse passado os dedos por eles depois de uma reunião longa e cansativa.

Meu olhar parou na gravata.

Por um segundo, imaginei minhas mãos ajeitando discretamente o nó que parecia um pouco torto... depois deslizando por seus cabelos outra vez.

Afastei rapidamente aquele pensamento.

— Fazendo compras? — perguntou.

— Sim.

A fila andou, e dei mais um passo.

— Você trabalha em alguma loja daqui?

— Não. Minhas lojas são virtuais.

Os olhos dele brilharam.

— Sério? Que legal!

Sorri.

— Hunrun.

Por um instante, ele pareceu procurar alguma lembrança. Então arregalou os olhos.

— Espera... por acaso o seu site é a Brayner?

Olhei para ele, surpresa.

— É. Como descobriu?

Ele sorriu, orgulhoso da própria dedução.

— Brayner é o seu sobrenome, não é?

— É, sim.

— Eu só arrisquei. Achei que você fosse dizer que não.

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