4. DIAS ATUAIS

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- Mamãe chegou!

O grito animado de Lívia ecoou pela casa.

No instante seguinte, ela veio correndo em minha direção e se jogou nos meus braços com tanta força que quase perdemos o equilíbrio.

Ri enquanto tentava segurá-la.

- Meu amor... que saudade!

Tentei colocá-la no colo por instinto, mas logo desisti.

- Meu Deus... você está enorme! Daqui a pouco vai ser você quem vai me carregar.

Ela gargalhou.

- Estou crescendo!

- E muito. Como foi o seu dia?

- Foi ótimo! Mas vem logo! A vovó e o vovô já estão esperando a gente para jantar.

Ela segurou minha mão e praticamente me puxou para dentro da casa.

Assim que entrei na sala, encontrei meus pais à mesa. O cheiro da comida da minha mãe enchia o ambiente e, como sempre, bastaram poucos minutos para que eu me sentisse em casa.

Depois que Cecília chegou, trazendo consigo o bom humor de sempre, a conversa ficou ainda mais animada.

Minha família sempre foi assim.

Acolhedora.

Barulhenta.

Cheia de risadas.

Era o lugar onde eu mais gostava de estar.

Durante anos, Jonathan conseguiu me afastar deles aos poucos. Hoje, recuperar esse tempo perdido era um dos presentes mais valiosos que a vida havia me dado.

Depois do jantar, nos acomodamos na sala.

Lívia deitou a cabeça sobre o meu colo enquanto eu acariciava seus cabelos.

- Como foi a escola hoje?

Os olhos dela brilharam.

- Foi muito legal! Eu e a Beth fizemos um trabalho juntas, e a professora adorou.

Sorri.

- Sobre o quê?

- Animais domésticos! E sabe o que aconteceu? A Beth levou um cachorrinho!

Ela se sentou de repente, completamente empolgada.

- Sério?

- Sim! O nome dele é Bob. Ele é bem pequenininho, parecia uma bolinha de pelo.

Ela juntou as mãos, tentando mostrar o tamanho do cachorro.

- E tem um olhão azul enorme! Mãe... ele era a coisa mais fofa do mundo!

Não consegui conter o riso diante da animação dela.

- Então a Beth tem um cachorro?

- Tem. Na verdade, ela pediu para o pai comprar um justamente para apresentar no trabalho.

Ela fez uma pequena pausa.

Conhecia aquele olhar.

Era o mesmo que sempre aparecia antes de algum pedido.

- Mãe...

- Hum?

- Será que... um dia... a gente pode ter um cachorrinho também?

Sorri antes mesmo de responder.

- Meu amor, você sabe que eu também acho cachorro uma delícia. Mas moramos em um apartamento. Você passa boa parte do dia na escola, eu trabalho... ele ficaria sozinho por muitas horas. Não seria justo com ele.

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