Soltei o ar devagar, tentando acalmar o aperto que ainda permanecia no peito depois da discussão com Jonathan.
Joguei-me na cama, encarando o teto, quando uma sensação estranha atravessou meus pensamentos.
Minha menstruação.
Fazia dias que ela deveria ter descido.
Franzi a testa e peguei o celular às pressas. Abri o aplicativo que usava para controlar o ciclo e comecei a contar os dias uma, duas, três vezes.
Não.
Não podia ser.
— Meu Deus...
A tela ficou embaçada quando as lágrimas encheram meus olhos.
Nas últimas duas semanas eu estava tão mergulhada em provas, congressos e seminários que sequer havia percebido o atraso.
Levei a mão à boca.
No fim de semana anterior, eu e Jonathan tínhamos brigado como nunca. Passei dias inteiros pensando em terminar nosso relacionamento. O ciúme dele já não era apenas incômodo. Era sufocante. Cada ligação precisava ser atendida. Cada minuto sem responder uma mensagem virava motivo para interrogatório. Se eu demorava para vê-lo, ele dizia que eu estava mudando. Se eu saía com minhas amigas, perguntava quem mais estaria lá.
Durante muito tempo achei que aquilo era amor. Hoje já não tinha tanta certeza.
Sem perceber, comecei a sentir alívio quando passava um sábado sem vê-lo. Às vezes esquecia de ligar. Já não contava as horas para estarmos juntos como antes.
E Jonathan percebia.
Quanto mais eu tentava respirar, mais ele apertava o laço ao meu redor. Eu já havia dito inúmeras vezes que não existia outro homem. Quem estava destruindo nosso relacionamento era ele mesmo. Mas Jonathan nunca acreditava.
E agora... Justo quando eu reunia coragem para pensar em ir embora...
Uma gravidez.
A ideia não trouxe alegria. Trouxe medo. Muito medo.
— Clara... como você deixou isso acontecer?
Genny pegou meu celular e conferiu novamente a data da última menstruação.
Eu apenas balancei a cabeça.
— Eu sempre uso camisinha...
Minha voz morreu no meio da frase. A lembrança caiu sobre mim como uma pedra. Na última vez que ficamos juntos. Estávamos exaustos. Jonathan havia bebido. E, no meio da pressa...
Esquecemos.
Fechei os olhos.
— Meu Deus...
Caí novamente sobre a cama, cobrindo o rosto com as mãos.
— Sua maluca! — Genny bateu de leve na minha perna. — Quantas vezes eu disse para você tomar anticoncepcional?
Não consegui responder. Ela soltou um suspiro, pegou a bolsa e foi até a porta.
— Vamos.
Ergui a cabeça.
— Para onde?
— Fazer um exame de sangue. Agora.
— Mas...
— Não confio em teste de farmácia.
Engoli em seco.
— Estou com medo.
Ela me lançou um olhar cheio de carinho.
— Eu sei.
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Medo
RomanceClara Brayner finalmente está livre. Após anos em um casamento abusivo, ela reconstrói sua vida ao lado da pequena Lívia, acreditando que a felicidade, mesmo simples, está ao seu alcance. Mas Clara sabe que sua liberdade tem limites: seu ex-marido p...
