NOVE ANOS ATRÁS

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Passei o dia seguinte inteiro revivendo os beijos de Jonathan.

Bastava fechar os olhos para sentir novamente o toque dos seus lábios nos meus.

Sorri sozinha inúmeras vezes, lembrando da maneira como ele havia me olhado naquela noite.

Quando recebi sua mensagem me convidando para sair no sábado, meu coração quase saiu pela boca.

Passei o restante da semana vivendo em função daquele encontro.

Conversávamos por mensagens durante o dia e, quando a noite chegava, as conversas atravessavam a madrugada. Sempre havia mais uma história, mais uma pergunta, mais um motivo para continuarmos acordados.

Era como se estivéssemos tentando recuperar todos os anos em que apenas cruzávamos pelos corredores da faculdade sem realmente nos enxergarmos.

No sábado, ele me levou para jantar.

Depois seguimos para a praia.

A noite estava agradável. O vento trazia o cheiro do mar, e o som das ondas quebrando na areia parecia acompanhar nossos passos. Caminhávamos lado a lado, falando sobre tudo e sobre nada ao mesmo tempo.

Em determinado momento, Jonathan entrelaçou seus dedos aos meus.

Meu coração disparou.

Sem dizer uma palavra, levou minha mão aos lábios e beijou delicadamente a ponta dos meus dedos.

Foi um gesto simples.

Mas suficiente para fazer minhas pernas perderem a firmeza.

Continuamos caminhando por alguns metros em silêncio.

Então, sem nem ao menos parar de andar, ele perguntou:

— Clara... quer namorar comigo?

Parei imediatamente.

— O quê?

Ele deu mais alguns passos antes de perceber que eu havia ficado para trás.

Virou-se sorrindo.

— Foi exatamente isso que você ouviu.

Fiquei olhando para ele completamente sem reação.

— Você... está falando sério?

— Muito sério.

Balancei a cabeça, completamente perdida.

— Mas... até uma semana atrás você mal sabia que eu existia.

Minha voz saiu entrecortada pelo nervosismo.

— E agora... isso tudo aconteceu tão rápido...

Jonathan deu alguns passos em minha direção.

Seu sorriso era tranquilo.

Seguro.

— Você fica ainda mais bonita quando está nervosa.

Sorri sem conseguir evitar.

Ele segurou delicadamente minha cintura.

Meu rosto queimava.

— O que foi que você viu em mim naquela noite?

Ele sustentou meu olhar por alguns segundos.

Depois sorriu daquele jeito que parecia desmontar todas as minhas defesas.

— Acho que, pela primeira vez... eu realmente olhei para você.

Meu coração derreteu.

Passei anos desejando que Jonathan sequer percebesse minha existência.

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