2. DIAS ATUAIS

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Sorrindo.

Sim, eu estava sorrindo. Porque, pela primeira vez em muito tempo, conseguia sentir uma emoção que, há um ano, parecia impossível alcançar.

Ainda não tinha conquistado tudo o que desejava, mas era grata por cada passo dado durante aquele último ano. Por cada pequena vitória. Por cada pedaço de mim que consegui recuperar.

A sensação de liberdade me fazia sorrir.

Respirar fundo e soltar o ar sem sentir que minha respiração seria interrompida. Caminhar sem medo. Fazer escolhas simples sem precisar pedir permissão. Eram coisas tão comuns para a maioria das pessoas, mas que para mim pareciam milagres diários.

E, naquele dia, eu estava feliz.

Muito feliz.

Mas cautelosamente feliz.

Aprendi que a felicidade também podia ser frágil. Por isso, preferia guardá-la em segredo, compartilhando-a apenas com as pessoas em quem realmente confiava.

Porque bastava lembrar de tudo o que havia vivido para que as emoções daquele tempo voltassem com força.

Como se nunca tivessem ido embora.

Às vezes, eu acordava no meio da noite assustada, sem fôlego, convencida de que tudo aquilo era apenas um sonho. Nessas horas, ainda conseguia sentir suas mãos apertando minha garganta, esmagando meu ar. O pânico era tão real que, instintivamente, levava as mãos ao pescoço apenas para ter certeza de que ele não estava ali.

Então eu olhava ao redor.

Via meu quarto.

O silêncio.

A escuridão tranquila.

E respirava aliviada.

Era apenas um pesadelo.

Mais um.

Agradecia a Deus por aquilo não ser mais a minha realidade e por finalmente viver a vida que sempre desejei.

Bem... não exatamente a vida dos meus sonhos.

Mas uma vida infinitamente melhor do que a que eu tinha alguns anos atrás.

E ela era minha.

Por isso, desde aquele dia, eu acordava de bom humor. Agradecia todas as manhãs por estar viva, por ver o sorriso da minha filha e por ter a liberdade de ir e vir quando e como eu quisesse.

Desde que estivesse sozinha.

Caminhava em direção ao meu carro quando olhei para o relógio.

Precisava falar com Genny.

Assim que entrei no veículo, liguei o som. Era um hábito adquirido depois da separação. Eu dirigia sempre com música alta, cantando todas as canções que gostava, como se cada verso me lembrasse que a minha voz finalmente me pertencia.

Dei partida e comecei a cantarolar junto com a música.

Enquanto aguardava o sinal abrir, liguei para minha melhor amiga e coloquei a chamada no viva-voz.

— Alô... — a voz sonolenta de Genny surgiu do outro lado da linha.

Minha amiga definitivamente não era uma pessoa matinal.

— Quais são seus planos para amanhã? — perguntei.

— Não acredito que você me acordou tão cedo. Vou te matar se ainda não forem dez horas.

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