7. DIAS ATUAIS

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Tudo estava indo exatamente como eu havia planejado.

E, de repente, o destino resolveu destruir cada um dos meus planos.

Por mais que eu tivesse fugido de Steven, mentido para ele e cortado qualquer possibilidade de um reencontro, a vida parecia determinada a colocá-lo novamente no meu caminho.

Enquanto terminava de me arrumar, minhas mãos tremiam tanto que precisei respirar fundo mais de uma vez para conseguir fechar os botões da blusa.

Foi então que me lembrei do que Lívia havia contado.

"A mãe da Beth morreu."

Meu peito apertou.

Então era verdade.

Steven era viúvo.

Olhei meu reflexo no espelho por alguns segundos.

Beth havia perdido a mãe cedo demais.

Não era de admirar que eu enxergasse tanta doçura e tanta timidez naquela menina. De repente, senti ainda mais vontade de fazê-la se sentir acolhida naquela casa. Queria que aquele fim de semana fosse leve. Feliz.

Alguns minutos depois, o interfone tocou.

— Chegaram! — Lívia gritou antes mesmo que eu pudesse reagir.

Ela saiu correndo em direção à porta, autorizou a entrada e foi esperar a amiga diante do elevador.

Meu coração começou a bater depressa.

Muito depressa.

Respirei fundo.

Era apenas o pai da melhor amiga da minha filha.

Só isso.

Ignorei completamente a voz da minha consciência, que fazia questão de me lembrar das horas que passamos juntos naquele quarto de hotel.

Fiquei na sala observando Lívia.

Fazia tempo que eu não a via tão feliz.

Ela pulava de um lado para o outro, incapaz de esconder a ansiedade.

Aquilo me fez sorrir.

A felicidade dela sempre encontrava um jeito de aliviar a minha.

O elevador anunciou a chegada.

Logo em seguida ouvi a gargalhada das meninas.

Aproximei-me da porta.

Beth saiu primeiro.

As duas correram uma para os braços da outra como se estivessem há meses sem se ver.

Sorri.

Então levantei os olhos.

Steven já estava olhando para mim.

Meu sorriso desapareceu.

Meu Deus...

Por que aquele homem precisava ser tão bonito?

Vestia uma camisa azul-marinho de mangas dobradas até os antebraços e uma calça escura. Parecia ter acabado de sair do trabalho. Os cabelos estavam levemente despenteados, como se tivesse passado a mão por eles várias vezes durante o dia.

O cansaço estava estampado em seu rosto.

Mesmo assim...

Continuava absurdamente bonito.

Não olhe muito.

Não olhe para os olhos dele.

Muito menos para a boca.

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