Duas semanas se passaram. Duas longas semanas.
E, durante todo esse tempo, não tive mais nenhuma notícia de Steven.
Nenhuma ligação.
Nenhuma mensagem.
Nenhum sinal.
Nos primeiros dias, eu ainda pegava o celular sem perceber, como se esperasse encontrar seu nome iluminando a tela.
Mas ela permanecia apagada. Silenciosa. Assim como ele. Várias vezes me peguei fazendo a mesma pergunta.
Será que ele desistiu de mim?
E, antes mesmo que meu coração encontrasse alguma esperança, minha razão respondia com crueldade.
É claro que desistiu.
Quem não desistiria? Quem suportaria viver correndo atrás de uma mulher que só sabia recuar? Que dizia amar com os olhos, mas empurrava com as mãos? Depois de tudo o que eu o fiz passar... Depois da maneira como destruí seu coração... O que eu esperava? Que ele continuasse insistindo para sempre?
Fechei os olhos por um instante. Eu era um caos. Um verdadeiro caos.
Os dias passaram a acontecer no piloto automático.
Acordava cedo.
Levava Lívia para a escola.
Trabalhava.
Corria para a academia.
Voltava para casa.
Tomava banho.
Dormia.
Depois fazia tudo outra vez.
E outra.
E outra.
A rotina me mantinha ocupada, mas não me fazia viver. Era apenas uma forma de impedir que minha cabeça tivesse tempo para pensar. Mesmo assim, comecei a perceber que minha tristeza estava respingando em Lívia.
Eu estava mais distante. Mais distraída. Mais cansada. A culpa veio imediatamente. Para compensar, todas as noites eu a convidava para dormir comigo. Ela adorava. E, para falar a verdade, eu também. Aqueles poucos minutos antes de dormirmos eram o melhor momento do meu dia. Enquanto ela contava alguma história da escola ou inventava perguntas impossíveis de responder, eu conseguia esquecer, ainda que por pouco tempo, o peso da minha própria vida. Seu abraço era o único lugar onde eu ainda encontrava paz.
Havia, no entanto, outra coisa que chamava minha atenção.
Jonathan havia desaparecido. Desde o dia em que invadiu minha casa e me deixou no hospital, não nos encontramos mais. Ele havia ligado apenas uma única vez.
Depois...
Silêncio.
Um silêncio estranho. Incomum. E, quando se tratava de Jonathan, o silêncio nunca significava tranquilidade. Pelo contrário. Era justamente isso que me assustava. Parte de mim sentia um enorme alívio por não precisar ouvir sua voz, encontrar seu olhar ou lidar com suas manipulações. Mas outra parte permanecia em estado de alerta. Conhecendo Jonathan como eu conhecia, aquele afastamento parecia bom demais para ser verdade.
Ele nunca desistia.
Nunca.
Se estava quieto... Era porque estava pensando. Planejando. Esperando o momento certo para agir. O que mais me intrigava era o fato de ele nem sequer procurar por Lívia. Aquilo não fazia sentido. Por mais contraditório que parecesse, eu me perguntava até quando aquela aparente calmaria iria durar. Porque, depois de tantos anos vivendo ao lado dele, aprendi uma coisa da pior maneira possível:
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Medo
RomanceClara Brayner finalmente está livre. Após anos em um casamento abusivo, ela reconstrói sua vida ao lado da pequena Lívia, acreditando que a felicidade, mesmo simples, está ao seu alcance. Mas Clara sabe que sua liberdade tem limites: seu ex-marido p...
