6. DIAS ATUAIS

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— Você fez o quê? — Genny praticamente gritou.

Levei a mão ao rosto e olhei discretamente para as mesas ao redor. Estávamos no restaurante onde costumávamos almoçar, e metade das pessoas parecia ter ouvido.

— Dá para falar mais baixo?

— Repete, porque eu devo ter entendido errado. Porque eu acho que ouvi algo como sexo por uma noite e deus grego ... é isso mesmo, você passou a noite com ele?

Suspirei.

— Foi exatamente isso.

Os olhos dela brilharam como se tivesse acabado de ganhar na loteria.

— Meu Deus... eu não acredito! A minha amiga mais tímida, mais reservada, resolveu viver uma aventura de uma noite... e ainda por cima transou três vezes?

— Genny...

Ela levou as mãos à boca, tentando conter o riso.

— Desculpa... desculpa. Mas isso é histórico!

Não consegui evitar um sorriso.

— Você está mais animada do que eu.

— Claro que estou! Faz séculos que não vejo você fazer algo por impulso. E três vezes, Clara... três! Que saudade da época em que sexo servia apenas para dar prazer, sem complicação nenhuma.

Ela apoiou os cotovelos sobre a mesa.

— Agora me conta. Como ele é? Tem potencial?

Sorri sem perceber.

— Bem... ele era justamente o que eu estava precisando. Ele apareceu exatamente quando eu precisava esquecer que o mundo existia.

— Nossa... ele é lindo mesmo. — Ela arregalou os olhos. — Isso quer dizer que ele é bom mesmo?

Baixei o olhar para o copo de suco.

— Você não faz ideia.

Só de lembrar, meu corpo inteiro reagia. A forma como ele me olhava, o cuidado em cada toque, a paciência... tudo parecia distante de qualquer coisa que eu tivesse vivido antes.

— Ai, meu Deus! — Genny bateu palmas baixinho. — Quero todos os detalhes.

Ri, balançando a cabeça.

— Você é impossível.

— E você está com aquela cara de mulher que finalmente lembrou que ainda sabe sentir.

As palavras dela me atingiram de um jeito estranho.

Talvez fosse verdade.

Depois de muito rirmos e conversarmos, pedimos a conta e seguimos embora.

Assim que entrei no carro, Genny virou para mim.

— Então... quando vocês vão se encontrar de novo?

Meu sorriso desapareceu.

— Não vamos.

Ela franziu a testa.

— Como assim?

Permaneci olhando para a rua.

— Não vai existir uma segunda vez.

— Ele não ligou?

— Deve ter ligado.

— "Deve"?

Assenti.

— Vi uma mensagem dele pedindo que eu avisasse quando chegasse em casa.

— E respondeu o quê?

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