— Você fez o quê? — Genny praticamente gritou.
Levei a mão ao rosto e olhei discretamente para as mesas ao redor. Estávamos no restaurante onde costumávamos almoçar, e metade das pessoas parecia ter ouvido.
— Dá para falar mais baixo?
— Repete, porque eu devo ter entendido errado. Porque eu acho que ouvi algo como sexo por uma noite e deus grego ... é isso mesmo, você passou a noite com ele?
Suspirei.
— Foi exatamente isso.
Os olhos dela brilharam como se tivesse acabado de ganhar na loteria.
— Meu Deus... eu não acredito! A minha amiga mais tímida, mais reservada, resolveu viver uma aventura de uma noite... e ainda por cima transou três vezes?
— Genny...
Ela levou as mãos à boca, tentando conter o riso.
— Desculpa... desculpa. Mas isso é histórico!
Não consegui evitar um sorriso.
— Você está mais animada do que eu.
— Claro que estou! Faz séculos que não vejo você fazer algo por impulso. E três vezes, Clara... três! Que saudade da época em que sexo servia apenas para dar prazer, sem complicação nenhuma.
Ela apoiou os cotovelos sobre a mesa.
— Agora me conta. Como ele é? Tem potencial?
Sorri sem perceber.
— Bem... ele era justamente o que eu estava precisando. Ele apareceu exatamente quando eu precisava esquecer que o mundo existia.
— Nossa... ele é lindo mesmo. — Ela arregalou os olhos. — Isso quer dizer que ele é bom mesmo?
Baixei o olhar para o copo de suco.
— Você não faz ideia.
Só de lembrar, meu corpo inteiro reagia. A forma como ele me olhava, o cuidado em cada toque, a paciência... tudo parecia distante de qualquer coisa que eu tivesse vivido antes.
— Ai, meu Deus! — Genny bateu palmas baixinho. — Quero todos os detalhes.
Ri, balançando a cabeça.
— Você é impossível.
— E você está com aquela cara de mulher que finalmente lembrou que ainda sabe sentir.
As palavras dela me atingiram de um jeito estranho.
Talvez fosse verdade.
Depois de muito rirmos e conversarmos, pedimos a conta e seguimos embora.
Assim que entrei no carro, Genny virou para mim.
— Então... quando vocês vão se encontrar de novo?
Meu sorriso desapareceu.
— Não vamos.
Ela franziu a testa.
— Como assim?
Permaneci olhando para a rua.
— Não vai existir uma segunda vez.
— Ele não ligou?
— Deve ter ligado.
— "Deve"?
Assenti.
— Vi uma mensagem dele pedindo que eu avisasse quando chegasse em casa.
— E respondeu o quê?
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Medo
Storie d'AmoreClara Brayner finalmente está livre. Após anos em um casamento abusivo, ela reconstrói sua vida ao lado da pequena Lívia, acreditando que a felicidade, mesmo simples, está ao seu alcance. Mas Clara sabe que sua liberdade tem limites: seu ex-marido p...
