DIAS ATUAIS

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— Tem certeza, Cecília? Hoje é sábado. Você não vai ficar com o Sam?

— Tenho. Preciso pensar. Se ele ligar, posso convidá-lo para passar um tempo aqui comigo e com as meninas. Se ele aceitar, ótimo. Se não... talvez seja melhor assim. Hoje eu realmente quero ficar um pouco sozinha. E, para não afundar na tristeza, nada melhor do que a companhia das meninas.

Sorri.

— Tudo bem, então.

— Chego aí em alguns minutos.

— Está bem. Obrigada.

Naquela noite, resolvi me arrumar como há muito tempo não fazia.

Escolhi um vestido preto curto, tomara que caia, delicadamente contornado por renda. Fazia um pouco de frio, então separei um sobretudo creme para completar o visual. Pela primeira vez em muito tempo, não me olhei no espelho procurando defeitos.

Eu estava feliz.

Steven tinha esse efeito sobre mim.

Calcei uma sandália preta de salto fino e deixei que Cecília cuidasse do restante. Ela soltou meus cabelos, valorizando as camadas nas pontas, e fez uma maquiagem leve, destacando apenas meus olhos.

Quando terminei, parei diante do espelho.

Gostei do que vi.

Atrás de mim, ouvi um assobio.

— Nossa... você vai matar o seu deus grego do coração.

Ri.

— Exagerada.

Despedi-me das meninas e de Cecília. Como nossas casas ficavam a poucos minutos uma da outra, Steven havia pedido para Noam passar para me buscar. Durante o trajeto, meu coração parecia incapaz de manter um ritmo normal. Talvez fosse ansiedade pelo jantar. Ou talvez fosse apenas saudade dele. Descobri que qualquer programa simples ganhava outro significado quando se estava apaixonada. Como ainda queríamos manter nosso relacionamento longe dos olhares curiosos, escolhemos passar a noite na casa dele.

Assim que entrei, encontrei apenas algumas luzes acesas e uma música suave preenchendo a sala. A mesa estava impecavelmente posta, com velas acesas, taças alinhadas e um delicado arranjo de flores no centro.

Tudo tinha o toque de Steven.

Escutei barulhos vindos da cozinha.

Sorri.

Segui em silêncio pelo corredor.

Ele estava diante do fogão, terminando os últimos detalhes do jantar. Vestia uma bermuda azul e branca, uma camisa polo cinza e estava descalço.

Sorri sozinha.

Ele nem imaginava o quanto eu gostava daquela simplicidade.Por alguns segundos fiquei apenas observando. Meu coração acelerou outra vez. Não era apenas porque Steven era um homem bonito. Era porque, perto dele, eu finalmente conseguia respirar sem medo. Depois de tanto tempo vivendo cercada pelas sombras deixadas por Jonathan, era estranho perceber como a paz podia ser silenciosa. 

Aproximei-me devagar, querendo abraçá-lo pelas costas. Mas o som do salto denunciou minha presença. Ele se virou. Seus olhos percorreram meu corpo lentamente até encontrarem os meus. Então sorriu. 

Aquele sorriso.

— Nossa... — Deu um passo na minha direção. — Você está linda. Vamos sair?

— Não. Me arrumei para você.

Ele diminuiu a distância entre nós.

— Então venha aqui.

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