DIAS ATUAIS

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Abri os olhos lentamente. Pela posição do sol atravessando as cortinas e pela claridade que invadia o quarto, imaginei que já não fosse tão cedo.

Espreguicei-me devagar e, por um instante, estranhei o lugar onde estava. O colchão era macio demais, o quarto tinha um cheiro familiar de madeira e perfume masculino.

Então me lembrei.

Virei o rosto para o lado.

A cama estava vazia.

Eu estava coberta apenas por um lençol branco, incrivelmente macio. Ao abaixar os olhos para meu corpo, vi que estava completamente nua.

As lembranças da noite anterior voltaram de uma só vez.

O beijo.

As risadas.

A piscina.

As palavras sussurradas.

Os carinhos.

Steven.

Levei as duas mãos ao rosto.

— Ai... meu Deus...

Afundei novamente a cabeça no travesseiro.

— O que eu fiz?

Choraminguei baixinho, escondendo o rosto.

— Isso não podia ter acontecido...

Mas bastou fechar os olhos para sentir novamente o calor dos braços dele, ouvir sua voz dizendo que me amava e lembrar da maneira delicada como me olhava.

Um sorriso escapou sem minha permissão.

— Claro que podia...

Murmurei, quase rindo.

— Eu sou uma mulher adulta. Posso fazer as minhas escolhas.

Ri sozinha.

— Você é completamente maluca, Clara...

A felicidade parecia querer explodir dentro de mim.

Até que outra lembrança atravessou meus pensamentos.

A voz de Jonathan. As ameaças. O medo.

Meu sorriso desapareceu.

— Meu Deus...

Passei a mão pelos cabelos completamente despenteados, outro lembrete silencioso da intensidade daquela noite.

Sorri outra vez. E logo em seguida senti vontade de chorar.

Nunca tinha experimentado uma mistura tão confusa de emoções.

Era como se duas Claras brigassem dentro de mim. Uma queria correr para os braços de Steven e nunca mais sair de lá. A outra queria fugir antes que Jonathan descobrisse e transformasse aquele sonho em um pesadelo.

Fechei os olhos.

Era exatamente assim que Rapunzel devia ter se sentido ao sair da torre pela primeira vez.

Encantada com a liberdade. E, ao mesmo tempo, assustada com tudo o que existia do lado de fora. Meu coração estava leve. Mas carregava um medo enorme. Eu queria viver aquilo. Queria amar Steven. Queria deixar que ele me amasse. Só não sabia se podia. 

Ainda estava perdida nos próprios pensamentos quando ouvi a porta se abrir. Levantei o rosto. Steven entrou devagar, usando apenas uma calça de moletom cinza. Os cabelos ainda estavam levemente úmidos e, nas mãos, carregava uma caneca fumegante.

Assim que nossos olhares se encontraram, ele sorriu.

Aquele sorriso... Pronto.

Todo o conflito dentro de mim pareceu desaparecer por alguns segundos.

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