Pontos Discutíveis

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Olha, eu não sei quem tem mais sorte, se são vocês ou se sou eu.

Estava em uma saga de uma semana sem internet, como postaria o ultimo capítulo na quarta, e acabei postando na terça, posso dizer que o destino é fogo. Na quarta, minha internet acordou morta, e foi assim na quinta, sexta, sábado comigo fazendo barraco na "vivo" três vezes por dia.

Não vou negar, to exausta, mas feliz QUE HOJE TEM CAPÍTULO EEEEEEEH!!

Vamos ler?



O céu escuro começou a ficar de um azulado, quase preto quando começamos a nos levantar sobre a terra. Sua mão, que antes mantinha distância da minha, tornou-se um refúgio para a minha como a única segurança. Sabíamos que se soltássemos as mãos, possivelmente a nossa bolha seria furada.

Entro no meu carro com Foffy encharcada e suja pulando no bando de trás, enquanto Christian senta ao meu lado. Fico imaginando onde estaria seu carro, mas minha voz simplesmente desaparece. Estamos tensos, desnudos, cansados, e tristes. Sabemos que muita coisa teria que ser discutida ainda.

-Anne. – É tudo que ele diz, e quando ligo o carro e caminho pela ruim recém-clareada ainda com os pingos de chuva nos cercando, encontro minha nova rota para seu apartamento.

É o único momento que nossas mãos estão separadas, e cada um de nós afunda em seu próprio silêncio, na sua própria escuridão. Não é preciso dizer nada, para que? Para que os possíveis pontos ainda não respondidos ficassem a mercê de nossa mente podre? Para discutirmos novamente quando tudo que queríamos era nos trancar em um quarto e fingir que nada daquilo aconteceu?

Não. Não éramos apenas nós, agora.

O carro está quente mesmo com a temperatura baixa no lado externo. Gotas geladas ultrapassam minhas roupas e atingem minha pele que se arrepia com o frio. Grey parece não perceber. Ele fita a janela ao lado, observando algo mais interessante conforme a cidade se ilumina.

Paro meu carro no estacionamento cheio de carros, onde pessoas ainda dormentes, não fazem a menor ideia da merda que ocorriam nas vidas alheias. Caminhos até a frente do carro, indo em direção ao elevador, e sinto seus dedos se entrelaçando nos meus. Não olho para seu rosto porque ele também não faz isso. Christian aperta o botão de prata e logo, somos levados até seu apartamento.

O escuro deve refletir nossas emoções. Ele joga suas chaves na mesa e solta minha mão, correndo por aquelas escadas.

As escadas.

Flashbacks de noites atrás fazem com que eu me curve até o sofá. Fecho os olhos. Não é real. Não é real. Não é real. Minhas mãos repousam em meu ventre que por modo psicológico, faz com que dores inexistentes entrem em contato com a minha pele.

Sentada na ponta do sofá bege, me encolho com as mãos ainda em minha barriga e me balanço. Para frente e para trás. Não é real.

-Vamos para a cozinha. – Sua voz está ao meu lado, mas a possibilidade daquela sensação faz com que eu pule do sofá e corra até a cozinha escura, me acomodando em um banquinho de ferro na ilha central.

Ele acende as luzes, e pela primeira vez observo. As maiorias de seus armários grandes e luxuosos foram embora. A cozinha estava mais vazia. Olho para trás e observo a sala. Havia uma poltrona extra que agora tinha sido substituída por um espaço maior de "nada". Seu piano também, havia se tornado pó. Os quadros do hall de entrada, de três, se tornaram apenas um.

Just one more nightOnde histórias criam vida. Descubra agora