Só leiam...
Por mais que as suas tentativas de novos contatos durante a festa tiveram sido fracassados – fugia a todo o momento, até mesmo entre as crianças e os seus sapateados na grama verde -, Christian não prometeu parar de tentar durante as semanas que se seguiram.
Ele deixava flores na minha mesa assim que eu chegava, bilhetes durante o almoço na minha porta, fazendo com que todos ali lesse as três palavras eu te amo em letras gritantes - que eu logo pegava o papel da porta e rasgava rapidamente. – Comecei a ficar estressada com isso.
Fui ficando mais atenta nas madrugadas também, pois após a festa de noivado, perguntei ao porteiro sobre sua subida na noite anterior, e o mesmo disse que ninguém havia passado por ali naquela madrugada. Mesmo que achasse que ele pudesse estar mentindo, fiquei atenta com uma possível invasão do Grey em meu quarto.
Ele mandava mensagens pela câmera no final do expediente. Eu era sempre a ultima a sair, e sabendo disso, ele aproveitava que ficava de olho na câmera de segurança, e me mandava beijos, ou passava a mão pelo seu corpo, piscava seus olhos brilhantes até mim, como se eu ficasse assistindo a cada uma de suas investidas.
Eu ficava.
No sábado, era o único momento que eu, efetivamente, recebia informações, sem pedir, claro, dele por Anne. Nossos encontros juntamente com Jack, haviam se tornado comuns. Passávamos mais tempo juntos em sorveterias ou em lanchonetes infantis, do que em restaurantes estilosos, com vinhos caros e pratos incomestíveis.
Sempre que ia embora das reuniões de sábado, mudava minha rota para voltar ao apartamento. Uma vez, quase bati em um poste ao ficar fixada no retrovisor, para ver algum carro zapeando entre as ruas atrás de mim.
Com o tempo, suas mensagens foram diminuindo, as flores, onde as jogava fora assim que saia pelo hall, pois eu tinha certeza de que ele tiraria o lixo no dia seguinte e as veria, foram ficando escassas até desaparecerem totalmente da minha mesa, as informações de Anne sobre o pai, foram substituídas pelo silêncio.
Não tive mais notícias de Gia.
Comecei a ficar com raiva de mim mesma. Por muitos dias, aquelas ações me irritaram. Será que minhas palavras não deixaram claro que eu não o queria mais? Que eu estava cansada? Que eu havia desistido? Mas se eu sentia tudo aquilo, porque comecei a ficar inquieta com a falta de suas investidas?
Esperei por semanas para que seu corpo adentrasse meu quarto, que seu corpo, suas mãos, me possuíssem novamente, me levassem ao ápice do prazer, me pedisse que eu gritasse seu nome, que sua boca subjugasse-me, que seus dentes fizesse meus lábios implorarem por mais, que sua língua tornasse o ponto entre minhas pernas em um tremendo explosivo.
Mas até seus sonhos cessaram em minha mente.
-Você está calada. – Mia consegue sentir tudo, mesmo com a antecipação de duas semanas do seu casamento.
-Eu estou com sono. – Minto. Na verdade, estava entediada. Olho para Foffy ao longe, e bato na cama. Ela pula na minha cama se acomodando em meu braço. – Como está a preparação de tudo? – Digo antes que seu suspiro se torne uma investigação.
-Eu estou ficando maluco. – E fecho os olhos para as suas informações. Sinto vontade de perguntar se ele estará lá, mas como não perguntei nem quem havia o convidado para aquela festa, decidi segurar minha língua.
Não queria me importar.
Deixo que ela fale, até que decido dormir. Foffy já cochila em meus braços, e sinto minhas pálpebras pesadas. Naquele dia, havia sido transferida de uma reunião para outra durante o dia todo, mas estava mais do que preparada para dormir durante todo o sábado.
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Just one more night
FanfictionEla amava o emprego, o ambiente de trabalho, as reuniões até altas horas, os clientes, os amigos que ali havia feito, o barulho de inicio e o silêncio do fim de expediente. Sua vida era sacrificar-se naquele trabalho. Até que seu superior a manda ir...
