Nosso futuro

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Voltei para o momento mais esperado Brasil.

Vamos ler?




Sinto meu corpo inerte, mas forte o suficiente para aquela batalha. Christian está em sua camisa branca, sua gravata já está toda desmanchada em sua mão, e seus passos demonstram exatamente o que sinto. Cautela.

-Está tudo bem, baby? - Ele se aproxima como se um bicho peçonhento estivesse a sua frente, e como forma de proteção, cruzo meus braços sobre meus seis, o que faz com que o volume aumente, e que seus olhos dispararem para eles.

-Você tem algo para me contar?

-Tenho?

-Me diz você. - Meus olhos começam a ficar cheios, e me forço a não deixar isso transparecer.

Seu rosto é impassivo, como se não quisesse mostrar nada, ou fingir que estava tudo bem. Mas não estava.

Minha barriga começa a querer que o almoço saia pela boca, e agora meu trabalho é maior. Consigo ouvir a voz de Elliot em minha cabeça, e minha consciência me recrimina pela minha escolha. Eu sabia que poderia sair machucada.

-Você me odeia? - Sua voz carregada, faz com que com minha visão volte ao seu rosto que agora está diferente. É como ver um edifício desabando.

-Não ouse! - Minha voz sai mais alta e áspera do que esperava, mas parece ser o suficiente.

Se ele chorasse eu não ia aguentar, eu ia chorar, daria a ele a chance de falar, eu perdoaria muito rápido.

-Você disse que dormiam em camas separadas...

-Não passou na sua cabeça que isso poderia ser coisa do Elliot? - Sua expressão machucada, sua dúvida sobre isso me machuca, porém o que me enche de raiva é saber que ele estaria colocando seu primo em algo que ele sabia muito bem que não era culpado.

-Primeiro! Acha que não pensei nisso? - Minhas lágrimas caem pela minha face, mas não existe mais tristeza, e sim, raiva. - Segundo! Acha que não fui atrás para saber? - Começo a andar lentamente em sua direção com os dedos levantados. Isso faz com que suas pernas comecem a tremer. Será que estou dando medo a ele? A sensação faz com que eu continue. - E terceiro! Você não tem vergonha de colocar a culpa em alguém... - Agora eu estava a pouco centímetros dele. Sentia seu coração batendo por sua camisa, seus olhos assustados, tristes, mas isso não me afeta. - Que não é culpado? - Finalizo com a voz mais baixa, empurrando-o com as minhas mãos para o sofá.

Não espero sua resposta, apenas continuo meu discurso.

-Você disse que dormiam em camas separadas a muito tempo. - Começo a andar pela sala. Meus pés me levando aonde eles achavam necessário. Os olhos de Christian sempre me seguindo.

-Mas fui burra sim, em não ter perguntado se vocês haviam tido relações sexuais.

-Meu passado, não é interessante para o nosso futuro...

-Nosso futuro? - Sinto meu rosto corado em meio as lágrimas. Como ele pode dizer isso? A raiva substituiu tudo, pela primeira vez.

-Seu passado está afetando o "nosso futuro". - Termino colocando aspas drásticas com meus dedos.

-Podemos passar por isso...

-Um bebê, Christian! Um bebê! - Grito, totalmente sem controle.

-Como você soube? - Sua pergunta me deixa ainda mais furiosa.

Just one more nightOnde histórias criam vida. Descubra agora