AAAAAAh Já estavam achando que eu não ia postar, né?
Não! Estou atrasada, mas não deixaria vocês sem uma "capzinha" bem lindinha.
Deixarei perguntas para o final, então... Bora ler?
As pessoas andam de um lado para o outro lá fora. Sei que elas devem estar falando sobre suas vidas. Talvez, os pacientes em recuperação, ou sobre seus casamentos felizes. Elas podem estar conversando também sobre como nós somos patéticos.
-O senhor me ouviu?
Um vidro fosco nos separa das pessoas vestidas de verde. No final do corredor, escuto um tilintar. Deve ser algum sino de emergência.
-Sr. Grey?
-Sim. – Automaticamente sou puxado para a realidade. A doutora me observa, entendendo o que acha ser possível entender. Olho-a confuso.
-Sei que precisa de um tempo. Assim que quiser, poderá ver sua filha...
-Anne. – É minha ultima palavra, antes de simplesmente me levantar, sem nenhuma explicação e entender que aquele tilintar, era apenas um barulho estranho de um telefone de emergência.
Minhas pernas não funcionam muito bem enquanto caminho. Quero correr, chorar, me bater por não ter percebido, gritar. Mas fico ali, forte, como se finalmente entendesse que essa era a função que todos esperavam de mim.
Meus pensamentos acabam me levando até a cafeteria. Lembro-me desse lugar. Lembro que eu tinha até meu lugar favorito.
Procuro pela janela que dava para o pátio de entrada, e lá está. Uma das cadeiras está afastada, como se me convidasse para estar onde eu merecia.
-Um café puro grande, por favor. – A atendente não me olha por um tempo. Será que eles são treinados para isso? Para não questionar o que cada pessoa que sentava naquela sala estava sofrendo? Quem deveria estar morrendo?
O café vem maior do que da ultima vez. Vou até a mesa e caio sobre a cadeira. Cai uma chuva pesada do lado de fora. A minha camiseta ainda está molhada, mesmo estando aqui há umas três horas. Lembro-me de Gia.
-Preciso ligar para ela. – Repito meu pensamento, mas nada se move. Continuo encarando pelo vidro as gotas grossas de chuva, esperando por algo. Mas nada, de novo. Parece que nada foi absorvido por mim ainda, parece que estou apenas em um sonho ruim, ou em uma lembrança, e que se eu me mover, vou perdê-las de novo. Mas de alguma forma, eu sei que eu já perdi.
Quando meu celular vibra, eu finalmente acordo, e calmamente, como em transe, eu atendo.
-Filho, como está?
-Mãe. – Solto apenas uma palavra, um adjetivo, uma característica, porém, carregada de emoções. Não que a minha voz tenha sido calorosa, ou demonstrasse o que estava acontecendo, ao contrário. Foi à falta de calor que fez com que ela entendesse.
-Vocês não merecem. – Ela estava tentando abafar suas palavras. Conseguia vê-la de costas para Gia, meu pai observando minha mãe de longe e entendendo a gravidade de tudo aquilo. "Você precisa pará de ser cholão". – Meu filho...
-Avise Gia. Ela está com Leucemia avançada. – Desligo o telefone quando finalmente digo as palavras.
Respiro fundo e espero. Espero pelo baque, pelo soco no estômago, pela fúria. Mas ao contrário disso, eu sinto saudade da minha filha.
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Just one more night
FanfictionEla amava o emprego, o ambiente de trabalho, as reuniões até altas horas, os clientes, os amigos que ali havia feito, o barulho de inicio e o silêncio do fim de expediente. Sua vida era sacrificar-se naquele trabalho. Até que seu superior a manda ir...
