Passando dos limites

327 18 1
                                        

― O que aconteceu pequena? ― Christopher perguntou preocupado quando eu comecei a pegar a minha roupa pela sala.

― A minha mãe, como sempre, parece que ela está indo para a casa da Annie. ― Coloquei as peças íntimas, depois vesti a calça rapidamente e procurei pelo meu casaco.

― Acredito que esteja buscando por isso. ― Ele me mostrou o agasalho e eu sorri agradecida. ― Então, temos que correr para a casa da Annie antes que a sua mãe chegue.

― Sim ― respondi firme. 


Quando terminamos de nos arrumar, colocar as roupas, fechar a casa e organizar a bagunça que fizemos, seguimos para a casa da Annie. O esquema foi o mesmo de antes, ele me deixaria na ponte e eu seguiria a pé até a casa da loira. Porém, eu já estava muito "atrasada" porque a minha mãe provavelmente já estaria na Annie a essa hora, então o Ucker resolveu me deixar uma rua antes da casa da minha amiga. Eu me despedi dele muito rápido, apenas disse um até logo e a gente se vê, pois não tínhamos mais tempo para um adeus mais apropriado. Após sair do carro, eu caminhei tão rápido que eu não sentia a minha canela, os meus pés, eu só pensava em chegar antes da minha mãe. Pelo meio do caminho eu enviei uma mensagem para a Annie deixar a porta da casa aberta e eu esperava que o aplicativo Bud-on funcionasse, na verdade eu desejava que a internet aqui nessa cidade pudesse me ajudar nesse momento delicado da minha vida. Desacelerei o passo quando avistei o portão rosa e entrei toda esbaforida, abri a maçaneta da porta e tentei localizar a voz da minha mãe pela casa.


― Anahí, minha querida, cadê a Dulce?


Olhei pelo corredor e somente a Annie podia me ver, já que a minha mãe estava de costas. A loira fez um sinal com a cabeça para o lado, indicando o andar de cima e eu entendi que era para ir para lá.


― Ela está no banho tia Cassie ― Annie a chamou pelo apelido carinhoso.

― Para o bem dela eu espero que sim. ― Escutei o comentário da minha mãe enquanto subia as escadas.


 Eu fui direto para o cômodo, tirei as roupas, peguei uma toalha do balcão para enrolar no corpo, abri a porta do banheiro, fingi que não estava acontecendo nada e com a maior naturalidade possível encarei a minha mãe.


― Mãe!? O que você está fazendo aqui? ― eu disse com um tom incrédulo.

― Seu pai ficou todo nervoso quando nós dois estávamos na casa da sua tia e um vizinho disse que viu você passar lá na ponte e embarcar em um carro preto, logo ele me mandou aqui para conferir a verdade.

― Nossa, isso é muito errado. ― Eu balancei a cabeça negativamente e suspirei. ― Bem, agora que você já conferiu que eu estou aqui, já pode ir. ― sorrir forçadamente.

― Não sei se o seu pai aprovaria, Dulce Maria ― ela falou séria.

― Então a senhora vai ligar para ele e perguntar se ele vai dar importância para todos os comentários que essa cidade faz.

― Ok Dulce, eu me resolvo com ele. Até amanhã, tchau meninas.


Nós nos despedimos da minha mãe e assim que ela passou pela porta desabamos em uma risada. Eu não sei se era de nervoso ou pela situação toda.


― Caramba Dul, essa foi por pouco ― Annie comentou ainda rindo. ― Quando a sua mãe apareceu aqui e você não tinha chego, eu pensei que ia dar muito ruim. ― Ela deixou uma gargalhada escapar. ― E aí do nada você surge e aparece no banheiro com a toalha, foi demais. ― Ela colocou uma mão na barriga.

Encontros ProibidosHistórias para pegar e não largar. Descubra agora