De volta a Caldas da Imperatriz

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― Dulce? Tá aí? ― Eu escutei uns murmúrios, não fui capaz de identificar o que se passava pois eu ainda estava em choque.

Meus pés caminhavam atrapalhados enquanto eu tentava respirar. Comecei a sentir uma falta de ar, junto com alguns tremores, um pânico repentino havia se apossado em mim. Subitamente eu lembrei que a Annie ainda estava na linha.

― Obrigada por me avisar Annie. Até mais ― eu falei desorientada, não sabendo o que responder direito.

Desliguei o celular em seguida e passei pela sala indo em direção à rua. Eu queria poder voltar a respirar normalmente, mas a sensação de sufocamento não me deixava.

― Dulce? O que aconteceu? ― ouvi a voz do Ucker meio abafada quando passei pelo local.

A verdade era que eu não sabia como agir naquele momento. Abri a porta, sem pensar muito no que eu estava fazendo, e fui para o lado de fora com a intuição de que eu conseguiria voltar a respirar direito.

― Espera aí Dul ―, o Christopher segurou no meu braço me impedindo de ir para qualquer lugar. ― o que está acontecendo?

― Eu... ― as palavras pareciam ter escapado da minha mente, eu não sabia o que dizer. ― A minha mãe está muito doente, eu preciso voltar para vê-la. ― eu disse quase sem fôlego, pois o ar me faltava. ― Não pensei que voltaria para lá tão cedo ― eu sussurrei as últimas palavras.

― Calma, olha para mim. ― Ele segurou meu rosto com suas mãos. ― Inspira e expira devagar. ― Eu fiz o que ele mandou. ― Você não está sozinha e além do mais o seu pai não tem mais nenhum poder sobre você. ― Ele encostou a sua testa na minha, eu encarei os olhos dele mais calma.

― Obrigada ― eu falei quando consegui respirar melhor, sem ter a sensação de sufocamento. ― Ainda bem que eu tenho você. ― Eu fechei os olhos e ficamos alguns minutos em silêncio, apenas aproveitando o momento.

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― Puxa, eu mal posso esperar para ver a Annie. Estou morrendo de saudades! ― eu comentei animada.

― Pois é, sempre tem um lado bom das coisas. ― Ele sorriu por me ver entusiasmada.

― É verdade. ― Eu sorri de volta para ele. ― Olha, já estamos chegando. ― Apontei pela janela do ônibus a placa que dizia bem-vindos a Caldas da Imperatriz.

Ele segurou na minha mão e eu desviei a minha atenção da janela, observando-o segurando em seus braços a nossa filha e eu sorri ainda mais feliz por ser privilegiada por ter os dois na minha vida.

Quando descemos do ônibus na rodoviária eu procurei a cabeleira loira da Anahí pela multidão, meus olhos buscavam com ansiedade por ela. Assim que avistei a Annie com seus óculos escuros ao lado do Alfonso caminhei apressada pelo aglomerado de pessoas, e no momento que apareci em sua frente nos abraçamos apertado.

― Poxa vida, você tem que ir nos visitar um dia. Sinto muitas saudades de poder conversar com você ― eu expressei quando nos separamos.

― Eu sei, eu sei. Prometo que eu vou dessa vez, quer dizer nós vamos. ― Ela olhou para o marido e depois sorriu para mim. ― Mas e cadê a minha afilhada? E o Ucker? ― Ela procurou por eles entre a multidão.

― Eles estavam bem atrás de mim. ― Olhei para trás e vi o Ucker caminhando na nossa direção. ― Eu fiquei tão empolgada em ver você que saí apressada.

Os dois deixaram escapar uma risadinha, e assim que o Ucker chegou até nós a Annie pegou a Laurinha no colo. Como já era perto do almoço, nós resolvemos parar em um restaurante no centro da cidade. O tempo parecia curto para tantas novidades, eu e a Annie não paramos de conversar.

― Não to acreditando que a minha afilhada está desse tamanho já. ― A loira olhou na direção da menina e depois voltou a me encarar. ― Poxa, parece que foi ontem que você me enviou as fotos dela e nos falamos pela vídeo chamada. ― Ela balançou a cabeça.

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