Prestando socorro

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Alguns dias depois.

Faltavam duas semanas para o meu aniversário e eu contava todos os dias desesperada por não saber o que poderia acontecer na data da festa. Eu queria parecer tranquila, mas por dentro eu estava surtando, eu não conseguia entender essas atitudes do meu pai, se ele queria o melhor para mim por que complicava o meu lado? O que será que ele acha que eu sou? Uma mercadoria que pode "vender" para outra pessoa? Pois era isso que parecia. Desde quando recebi a notícia, eu não descansei direito. Eu até tentei colocar minhas energias em outras coisas, mas estava difícil. No momento eu pretendia relaxar, pensando em coisas boas e estava funcionando por agora. Para a minha sorte, hoje era o dia que eu dedicaria a minha energia em alguma atividade. Longe de casa, para a minha alegria.

Eu e a Annie iríamos ser voluntárias em uma instituição que ajuda os necessitados. Nós fazíamos isso pelo menos uma vez ao mês. Mas na verdade eu tentava ficar por dentro no que a cidade precisava, fosse doação de roupas, ajudar os cachorrinhos de rua, qualquer movimento desse eu buscava ajudar. Eram essas horas que me socorriam do que eu passava em casa. Olhei a tela do celular para saber se a Annie não havia me mandado mensagem, já que eu estava na sala de casa esperando ela para irmos juntas. Um instante depois, o meu celular vibrou mostrando uma nova mensagem da minha amiga.

Annie: Já estou aqui fora :)

Dul: Ok, loira.

Levantei do sofá rapidamente e segui até a porta.

― Mãe, estou saindo. ― Não quis esperar pela aprovação dela, eu só estava comunicando, por isso girei a maçaneta, caminhei para fora de casa e antes que eu atravessasse o jardim, pude escutar ela falando:

― Vai aonde, Dulce Maria? Ai, seu pai não vai gostar nada disso. ― Cassandra suspirou.

Encontrei com a Annie do lado de fora da casa, nos cumprimentamos e fomos em direção ao centro.

― Hey Dul, você não esqueceu que amanhã nós vamos atrás de decoração e outras coisas do meu noivado, né?

― Claro que não, depois do serviço eu passo na sua casa e já vamos de lá.

― Ótimo! Eu quero a sua opinião em algumas coisas. ― Ela piscou para mim, repetidamente.

― Hum, eu bem que poderia dizer que não vou. Aí queria ver como você ia sobreviver sem mim. ― Eu sorri para ela.

― Sua boba, eu sei que você não vai fazer isso. ― Ela me mostrou a língua e eu retribuí.

― Então, qual é a nossa missão hoje? ― a loira perguntou após a gente passar pela pracinha.

― Bem, eu li no grupo que seria entrega de alimentos. Lembra que arrecadamos no mês passado?

― Sim, sim. Só não sabia se seria isso ou a entrega de roupas que arrecadamos também.

― A entrega de roupas vai ser mais perto do inverno ― expliquei tranquilamente enquanto subíamos o morrinho para chegar na instituição.

A casa onde ficava a instituição era duas ruas depois da pracinha e a gente precisava subir um morrinho para chegar lá. Quando chegamos nós cumprimentamos os outros participantes e depois fomos encaminhadas para algumas tarefas. A melhor parte desse trabalho voluntário era ver a alegria dos que não tinham nada recebendo "socorro". Isso era muito gratificante. Depois que o pessoal arrumou tudo para receber as pessoas, cada um foi designado para outras atividades. Alguns recebiam os necessitados, outros cuidavam em distribuir os alimentos e os que sobraram iam trazendo os mantimentos para fora, com o objetivo de sempre repor o que estava faltando.

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