Plano em prática

216 16 3
                                        

― Dul, eu tenho uma pergunta ― a Annie levantou o dedo enquanto falava. ― E se o seu pai já marcou o casamento? Sabe, ele está desesperado para você casar e se a data for para daqui uma semana? Um mês? ― Ela me encarou séria.

― Bem, a gente dá um jeito de adiar ― respondi ela. ― Mais alguma dúvida? ― Olhei para eles.

― Pode explicar de novo por que é que eu tenho que namorar a Paula? ― O Ucker olhou para mim com a testa enrugada.

― Nós precisamos jogar o jogo deles. Fazer com que nossos pais pensem que estamos obedecendo as regras deles. Então, amor, se você namorar de mentira a Paulinha e eu e o Marquinhos fingirmos que estamos juntos, podemos enganar eles.

Eles continuaram me olhando, dessa vez em silêncio absorvendo as palavras ditas por mim.

― Vocês estão de acordo? ― Eles balançaram a cabeça em sinal de positivo. ― Ótimo, agora vamos voltar para a festa antes que o meu pai venha atrás de nós. ― Apontei para o Marquinhos e para mim.

― Boa ideia, gatinha. ― O rapaz sorriu malandro. ― Ah e é melhor cada um esperar alguns minutos até o outro poder ir para o salão.

Eu concordei com a cabeça e enquanto nós nos preparávamos para voltar o Ucker se aproximou de mim.

― Pequena, já que agora nós temos um meio de podermos nos ver, será que amanhã conseguimos nos encontrar?

― Acho que sim, vou combinar direito com o Marquinhos e depois a gente se fala. ― Sorri contente e antes de ir para o salão, beijei os lábios dele rapidamente.

Quando todos já estavam de volta a festa, pudemos aproveitar o resto da noite dançando felizes como se tivéssemos encontrado a luz no fim do túnel. Parecia que havíamos achado a descoberta do ano, pelo menos era o que significava tudo isso para mim. A festa durou quase até o dia amanhecer, a maioria do pessoal ficou até o final, eu imagino que eles tinham gostado mesmo, mas eu dei graças a Deus quando deitei na minha cama, estava exausta. E antes de adormecer consegui refletir que afinal de contas meu aniversário de vinte anos não tinha sido tão ruim quanto eu pensava que seria. Às vezes as coisas não saem do jeito que a gente planeja, ficamos frustrados, porém sempre há um novo dia, com novos projetos, fechei os olhos, suspirei tranquila e dormi serena.

No outro dia acordei animada, a empolgação era tanta que eu não consegui dormir até mais tarde. E por incrível que pareça eu despertei disposta, as minhas forças haviam se renovado. Eu e o Ucker poderíamos passar um domingo inteiro juntos sem preocupações, isso nunca havia acontecido antes, o dia seria maravilhoso. Quando desci para tomar café eu tentei esconder a minha euforia, pois os meus pais não deveriam suspeitar da minha felicidade senão a possibilidade de eles desconfiarem seria alta.

― Parece animada, Dulce ―, o meu pai comentou ao me observar sentar na cadeira em sua frente. ― eu pensei que ficaria chateada com o noivado.

― Impressão sua, papai. Não estou de bom humor hoje. ― Peguei a garrafa de café e servi um pouco na minha xícara, disfarçando.

― Hum ―, ele inclinou um pouco a cabeça para o lado, pensativo, mas em seguida retornou a falar. ― o seu noivo me ligou hoje cedo e pediu permissão para vocês saírem.

Eu tomei um gole do meu café e o esboço de um pequeno sorriso tomou conta dos seus lábios, por dentro eu sorria realizada. Eu tinha mandado uma mensagem para o Marquinhos logo que levantei para ele fazer isso. Meu pai com certeza aceitaria um pedido desses vindo do rapaz.

― Olha pai, se você acha que eu vou aceitar tudo isso calada, está enganado. ― Eu fingi estar indignada, para ele não desconfiar.

― Eu já disse para ele que você iria. ― ele me olhou sério.

Encontros ProibidosHistórias para pegar e não largar. Descubra agora