De mãos atadas

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Eu respirei fundo, olhei para o rosto da minha mãe, ela parecia apavorada com todas as revelações. A minha mente girou várias vezes, pensando no que responder. A verdade ou uma mentira? Eu tinha medo do que o meu pai poderia fazer. Ele conseguia ser bem ameaçador. Eu mordi o meu lábio inferior, nervosa, pois sinceramente eu não sabia o que dizer, estava em dúvida se falava a verdade ou uma mentira.

― Anda Dulce, estou esperando. Eu quero a verdade.

― Eu... Puxa, me dá um tempo. ― Suspirei indignada.

Meu pai estudou o meu rosto por um momento e depois voltou a falar:

― Eu sabia! O bebê é daquele moleque, não é?

― Sim, o bebê é dele ― falei cansada.

Eu não aguentava mais ter que esconder as coisas deles, ter que pensar sempre no que falar. Eu estava cansada de tudo isso já.

― Ótimo, eu vou adiantar o casamento ― ele disse contente.

― O quê!? Eu não posso casar com o Marquinhos grávida de outro homem. Pai, isso é errado!

― Você vai se casar com o Marquinhos querendo ou não. A não ser que você queira perder essa criança antes mesmo dela nascer.

Eu arregalei os olhos assustada e depois a minha boca abriu um pouco. Ele tinha ultrapassado todos os limites. Eu estava sendo obrigada a me casar com o Marquinhos e eu não tinha o que fazer para escapar dessa.

― Você é um monstro ― comentei muito emotiva, com os hormônios da gravidez fazendo efeito.

― Você pode não entender que tudo o que eu estou fazendo não é para o seu mal. Eu só quero o seu bem. ― Ele caminhou até as escadas e depois se virou. ― E acho melhor não contar nada para o Marquinhos agora, só depois do casamento. ― Ele deu mais alguns passos, mas retornou. ― Ah, e também isso vale para o pai dessa criança, melhor ele não ficar sabendo.

E então ele saiu apressado, subindo as escadas.

― Dulce, filha...

― Agora não, mãe. ― Eu interrompi ela, saindo da sala.

Caminhei até o meu quarto e quando cheguei lá, tranquei a porta e fui até a minha cama. Eu chorei descontroladamente e eu não conseguia parar de chorar. Dessa vez, não tinha como inventar plano algum e o meu pai tinha vencido a batalha, pois se eu desistisse do casamento agora, ele cumpriria a ameaça.

Senti algo molhado na minha bochecha, abri os olhos devagar, aparentemente eu havia pegado no sono chorando, encarei o Manchinha bem na minha frente. Ele estava lambendo o meu rosto sem parar.

― Bom dia para você também. ― Eu sentei na cama, bocejando. ― Pelo menos eu ainda tenho você. ― Acariciei o pelo macio do cachorrinho.

Fiquei encarando a janela, minhas cortinas da cor creme impediam que a luz do sol entrasse totalmente no quarto, eu não sei por quanto tempo permaneci só observando a janela. Eu estava totalmente perdida, desmotivada e sem vontade de fazer qualquer coisa. Como eu explicaria isso para o Ucker? O que eu iria fazer agora? Ele não vai acreditar que eu estou me casando por vontade própria. No instante seguinte o meu celular apitou mostrando que havia uma nova mensagem.

Annie: Oi Dul, semana que vem estamos de volta. Não vejo a hora de te encontrar, a sua barriga já cresceu? Você vai ficar tão linda, eu sonhei com você grávida :)

Ouvi novamente o barulho de notificação e ela havia mandando outra mensagem.

Annie: Eu queria saber como estão as coisas aí, alguma novidade?

Eu pensei por alguns segundos para responder e achei melhor não contar nada para ela agora. A Annie tinha que aproveitar a lua de mel.

Dul: Está tudo certo, só estou com saudades :) nos vemos semana que vem então e aí você confere se a minha barriga cresceu.

Após mais alguns minutos encarando a janela, decidi ir até a cozinha, minha barriga roncava, eu estava com muita fome. Ao chegar lá, minha mãe preparava o café.

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