Capítulo 6

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Capítulo 6

As viagens para o hotel preferido do avô de Anni era uma tradição, visitando sempre antes do natal. As lembranças do lugar eram muito vividas, o lugar onde seu avô conheceu sua avó. As lembranças de Anni brincando, quando seu avô ainda era saudável, nunca se esqueceria de quando quebrou a perna e seu avô pintou borboletas no gesso. Lindas e grandes borboletas. Várias num tom de azul e amarelo. O ruim foi que não pôde ir para piscina, mas sua avó sabia como distrai-la. Livros e bolinhos!

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— Você fez o quê?!

— Arrume as malas, vamos sair cedo para o aeroporto. — Breno diz com a maior tranquilidade do mundo, com as mãos nos bolsos. Queria ter sua postura leve.

— Deveria ter me avisado. — Digo, abro a porta de casa com pequenos chutes.

— Quanto mais rápido terminarmos a lista, melhor. E também, estou animado para esse afazer.

Olho de canto de olho para Breno.

— E seu trabalho? Deixam você viajar sempre que quer?

— Eu trabalho para meu pai. No momento estou fazendo todo o trabalho pelo notebook.

Vou à cozinha pegar um copo de água, ofereço para Breno, ele aceita dizendo um obrigado.

— Que tipo de trabalho? — Pergunto com o copo perto da boca.

— Meu pai tem uma mini empresa de publicidade.

— Nossa. — Me impressiono sem perceber.

— É — Breno fala com um sorriso — Seu avô ajudou minha família a abrir a empresa, não tínhamos condição. Então meu pai batalhou, só faltava a oportunidade. Espero ser mais como meu pai — termina com um ar sonhador.

Meu avô... Queria ver ele só mais uma vez. Com borboletas e tudo. Nem se tivesse essa oportunidade, eu não poderia vê-lo, sou culpada pela sua morte...

— Aposto que ele sabia que tinha jeito para coisa. E acho que você já é como seu pai.

— Obrigado. — E me olha.

Eu olho de volta. Assim ficamos por um bom tempo. Os dois estão se relembrando de pessoas, situações. Tudo nos nossos olhos, na expressão, e eu vejo o orgulho de Breno apenas pelo brilho desses olhos castanhos. Parece um Sol pequeno.

Me obrigo a não mergulhar mais naqueles olhos castanhos brilhantes.

— Ok. — Coloco o copo na pia — vamos fazer as malas.

— Acordo você.

Já no caminho para meu quarto, viro-me para Breno.

— Só se quiser receber um soco — sorrio.

Percebo que Breno realmente pensa sobre. Então dá de ombros.

— Eu desvio rápido.

Olho feio, mas ainda com o sorriso no rosto.

— Idiota — digo, alcanço a marcaneta da porta.

— Eu ouvi. — Breno gargalha.

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Leve cutucadas na minha testa, começa fraca, depois médio e em seguida repetidas vezes com força. Com uma insistência irritante.

— Gr — Cubro meu rosto com travesseiro.

— Cadê o soco?

Ele só pode está de sacanagem!

— Levanta, temos que ir. Já fechei sua mala, peguei os documentos...

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