Capítulo 4

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Capítulo 4
  Anni descobriu sua comida favorita quando soube que gostava de fazer coisas arriscadas, escondidas. Gosta de ter um segredo, o mais bobo que seja. Então sempre de noite, quando a cozinheira do seu avô fazia lasanha, com a antiga receita de sua avó, ela comia até passar mal. E seu avô a encontrava toda suja de queijo no chão da cozinha. Rindo, ele dizia que era para guardar para o velho dela. Um dia parou, seu avô não encontrava mais com ela na cozinha de noite. Percebeu que a graça era dividir o pedaço com seu avô escondido.

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— Tive uma ideia! Larga o que estiver fazendo! — Levanto do sofá rapidamente.
Escuto Breno larga literalmente o que estava fazendo, pelo o que ouvi, minha panela caiu bem no chão.

—  Largar digo metaforicamente! — Grito indo até a cozinha.

— Desculpa. Mas me assustei com seu grito. — Breno diz, com um leve sorriso nos lábios -- Qual a ideia, Anninha?

— Primeiro, sem graça com meu nome. Segundo, vamos tirar mais algo da lista. Minha comida favorita! —  Digo animada. Pera eu pulei? Cacete eu pulei na frente dele?! Eu pulando fico estranha.

—  Anni?

— Oi - Saio do meu devaneio.

— A comida favorita, é a comida que sustenta você em pé?

Olho feio para Breno. Cruzo os braços.
— Sim, é.

— Lá se foi a animação toda. Você estava tão fofinha, animada. —  Breno começa a fazer voz melosa.

— Nossa, vai apertar minhas bochechas agora, titio?

— Oh, vou. Agora fazendo biquinho ficou mais fofinha. —  Breno larga o pano de prato e aperta minha bochecha. É impressão minha ou a mão dele é quente, bem quente e lisa? Gostosa.

  Ok, devaneio de novo. Pisco os olhos.

—  A comida é a lasanha que minha avó fazia.

— Ah, Claro. Eu já devia saber—  Breno coça a cabeça — Preciso da receita.
Rio sem graça.

—  Claro, claro. Vou pegá-la.

  Depois  que Breno fez a lasanha, nós comemos. Fiquei  surpresa, a lasanha ficou igual a da minha avó. Comer ela trouxe saudade, não dá comida, mas dos  momentos em que ela esteve presente. Como no último dia do meu avô, eu tinha entrado escondido na casa, ninguém da família gosta muito de mim,  meu avô estava no quarto dele, eu havia pegado um pedaço de lasanha e levado. Comemos escondidos, me despedi dele. E pensa que foi mesmo uma despedida para sempre...

- Anni.

Viro-me ao espelho do meu quarto. Breno está encostado na batente da porta de forma relaxada. Ele já está de roupa de dormir.

—  É.. oi. —  Esqueci que estou só de blusão, graças que ele é bem comprido, pois não estou usando nada por baixo.

— Pode me dar uns cobertores?  —  Breno percebe meu incômodo e deixa sua postura tranquila.

—  É claro, eu esqueço que não coloco nada no quarto de hóspedes. Levo em um minuto.
Breno some, logo procuro um short. Levo uma coberta e dois travesseiros para ele.

— Desculpa entrar lá sem bater. — Brendo diz envergonhado.

Coloco os cobertores na cama.

— Tá tudo bem. — olho sorrindo Breno — sei que não me faria mal.

— Que bom que sabe, mas desculpa dizer, você está linda. Essa camiseta combina com seu jeito.

Não reajo bem a elogios, não sei o que responder. Um obrigada seria o certo, ou dizer nada seria estranho? Sei que sou bonita por fora, claro, o padrão da sociedade. Cabelos loiros e olhos azuis, os azuis da minha avó. O loiro do meu avô.  Mas sei que não sou bonita por dentro...
Mas é tão estranho. Minha família sentia inveja, mas faziam de tudo para deixar meu interior feio. Conseguiram. Um perfume com embalagem bonita, mas com um cheiro horrível.

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