Um último encontro

44 5 8
                                        

                 Um último encontro

  Renata

Ela é burra! Burra!

Burra de não querer sumir comigo.
Burra de não querer ir  para longe dessa família.
Burra de não me escolher!

Anni começa a chorar e a pego. Acho que a criança sente mesmo mais que os adultos, parece que sente minha frustração e raiva.

- Tá tudo bem, Anni. Mamãe tá aqui, tá tudo bem. - Ela para ao ouvir minha voz.

Realmente só queria colo. Acho que a estou mimando demais. Sempre que chora a pego no colo. Mas não consigo deixá-la num canto chorando, é cruel.

Já tem alguém que é cruel e frio, essa pessoa é Luciana. Sério? Ela não vem?

- Ah!! Mas aquela filha da...

- Sou filha do que? - Pergunta ao surgir na porta.

  - Da puta! - termino sem nenhuma vergonha.

  Ela sorri sínica.

  Engulo todo meu orgulho e falo:
- Você vai com a  gente, né? Aqui já é perigoso.

- Perigoso do que? - Luciana revira os olhos - Você nunca me conta.

- Mas se eu fizer que há pessoas perigosas nessa mansão você acredita?

- Eu sei que todos odeiam uns aos outros, mas não precisa ser paranóica. - Luciana pega Anni dos meus braços e a coloca no berço.

Anni fica calma olhando Luciana andar até mim. Ela segura meus ombros e não posso evitar olhar nos seus olhos.

- Alguém está fazendo mal a você?

- Não! É que...

- Só quero ir embora. Nosso pai não liga mais. - falo.

- Ele liga sim, tem medo do que vão pensar e fazer conosco, se souberem que nós duas...

- Nós duas nos amamos. - completo.

Às vezes parece que Luciana tem vergonha. Isso me intristesse, mas ao mesmo tempo me dá raiva.

  Luciana solta o ar.

- Melhor ir dormir. Resolvemos isso amanhã. - ela se afasta.

- Não! Você praticamente diz isso todos os dias. É o que? Ciúme por eu te tido Anni e querer se afastar?

- Bem, a culpa não é minha se foi infantil e procurou o Alexandro para fazer ciúme em mim! - Luciana se altera.

  - Eu... - respiro e solto o ar - Eu te amo. Tudo passou. Eu só peço que vá comigo, podemos ser uma família.

  Ela também tenta recuperar o ar. Estamos as duas respirando e soltando.
Vou até Luciana e a beijo. Ela não me impedi.  Seu posto de durona e fria se pede quando ficamos coladas.

- A Anni te adora e eu te adoro. Você me adora e sei que adora Anni também. Praticamente somos uma família. É só falarmos que ela tem duas mães, mães não são boas? Ter em dobro deve ser ótimo?

Luciana ri do meu discurso. Quando quero algo falo coisas que outras pessoas ficariam de olhos arregalados, mas é apenas a verdade.

Mas algo no fundo dos olhos de Luciana mudam de repente. Ela segura meus pulsos e se afasta.

- Também te amo. Mas vá dormir, amanhã pensamos mais. E você tem que me explicar o que  está acontecendo. - Ela se afasta. Sem mais, sem menos.

  Estou perdida. Agora a ficha está caindo.
Se eu ligar pra Alexandro, ele me ajuda fugir. Mas vai te que ser sem Luciana ao que parece. Eu poderia tentar falar com ela depois, quem sabe...

  Já na porta, Luciana me olha. Não aguento, ando até ela e abraço-a. Guardo seu cheiro, seu cabelo junto ao meu, suas mãos me apertando. Posso sentir uma lágrima descer, mas limpo rápido.

- Boa noite. - ela diz e some no escuro do corredor.

Tranco a porta logo disso. Anni tem os dedinhos na boca cheios de baba.
Sorri. Você não tem preocupação nenhuma, né?

Chegando perto de Anni, ela pega minha mão e brinca com meus dedos.

- Acho que vou ficar um tempo sem vê-la.

  E assim durmo pensando num futuro que teria com Luciana e Anni. Longe de todo mal, seria um sonho.

Fim
_____________________♥____________________

Obrigada por ler.
Espero muiiito que tenham gostado, escrevi essa história de coração.
Espero que a Anni fica muito e feliz. Que Luciana tenha melhorado.
Os personagens se tornaram vivos no meio do livro, eu começei, mas eles terminaram. Me usaram para falar suas histórias e isso é maravilhoso.

Mais uma vez obrigado.
Fiquem bem.

beijos, Dudinha

HerançaOnde histórias criam vida. Descubra agora