O caminho até a cabana mais afastada fora percorrido com presteza, pois faltavam-lhe apenas algumas noites para que o ômega fosse acometido por mais um de seus longos e solitários cios. Os dias, para Taehyung, arrastavam-se com a lentidão de uma eternidade, cada instante marcado pela ausência de todo e qualquer contato humano. Contudo, o tormento maior residia no fato de que, quando as ondas de prazer se faziam sentir, seu coração ansiava não pelo abraço de seu alfa, mas por Jeon, o que invariavelmente o deixava contrariado e furioso consigo mesmo, especialmente quando os impulsos se esvaíam levando consigo a fugaz satisfação que o ômega tanto buscava.
Cinco dias já haviam transcorrido, e com eles o desespero de Taehyung. Todavia, nos interstícios de sua ansiedade, surgia a leveza e a satisfação de saber que, em breve, poderia afirmar seu sim ao alfa que escolhera para si. Algo, contudo, perturbava-lhe a alma: seu lobo, habitualmente ardente e inquieto, encontrava-se surpreendentemente sereno, menos impetuoso do que o costume quando retornava aos braços de Jimin. Mas o ômega decidiu relegar tais pensamentos a outro momento. Estava próximo do castelo, próximo de seu amado e, não menos temível, de seu pesadelo.
Ao alcançar a entrada, o sorriso largo da pequena Yeri, segurando um singelo presente, trouxe-lhe um lampejo de alegria. O ômega curvou-se levemente diante da criança, e esta, com delicadeza, lhe colocou sobre os fios platinados uma coroa de flores recém-colhidas.
- Estava com saudades, tio Taetae, e então fiz esta coroa - disse Yeri, os olhos brilhando de ternura. Taehyung apertou a pequena num abraço carinhoso, sentindo o aroma cítrico que dela emanava, confortando-lhe de certo modo a alma inquieta.
- Gratidão, Yeri... são verdadeiramente lindas - respondeu Taehyung, sorrindo com genuína apreciação.
- Vinde, o senhor Park ordenou que vos conduzissem assim que entregardes a coroa - disse a pequena, puxando-lhe a mão com a leveza de quem conhece o caminho.
Ao adentrar a cozinha, Taehyung mal teve tempo de firmar os pés no chão de madeira polida quando Jimin se voltou para ele e avançou, envolvendo-o num abraço caloroso e selando seus lábios num beijo breve, porém cheio de ardor e afeto.
- Tive imensa saudade de vós - murmurou Jimin, ignorando a pequena audiência, e mantendo os braços firmes ao redor do ômega, sentindo o corpo delicado de Taehyung pressionar-se contra o seu.
- Também senti saudades, Minie - respondeu o ômega, esfregando-se contra o alfa como um felino que busca conforto e segurança.
Dirigiram-se então a Yuju, e rapidamente a atmosfera se encheu de risos e conversa animada. Taehyung mimava o pequeno ômega, ninando-o com suavidade, enquanto o dia cedia seu lugar à noite, e a lua surgia majestosa entre as estrelas. Foi então que os sintomas de seu cio começaram a se manifestar, arrebatando-lhe o corpo e o espírito.
- Pretendes continuar com tais escapadas? - indagou Namjoon, observando o pequeno já vestido em seu manto.
- Preciso, hyung. Senti falta de meu rio, da natureza que tanto amo. E prometo: não permitirei que ninguém me toque - respondeu Taehyung, aproximando-se e envolvendo o beta num abraço apertado, sentindo a força silenciosa e reconfortante de Namjoon.
- Já vos disse que não é de vós que me preocupo - replicou Namjoon, bagunçando-lhe os fios platinados com leveza, arrancando um riso contido do ômega.
- Nada há que possa ocorrer - murmurou Taehyung, erguendo a máscara que lhe cobria o rosto e dirigindo-se em direção ao rio, o coração martelando no peito.
A cada passo que o aproximava das águas límpidas e da presença aguardada de Jeon, repetia mentalmente suas próprias palavras: "Nada há que possa ocorrer." Permitiu-se, porém, demorar-se, contemplando a natureza ao redor: pequenos esquilos coletando frutos, os pássaros retornando aos ninhos recém-construídos, o vento agitando as folhas e espalhando o perfume da floresta. O ômega desejava adiar o inevitável encontro, tentando escapar da ansiedade que lhe dominava a alma.
Ao aproximar-se da margem, contudo, sentiu uma pontada de surpresa e inquietação: o alfa ainda não se encontrava ali. Soltou o ar que retinha e decidiu esperar, consciente de que, quando o faria, seus passos hesitariam diante do olhar do alfa.
Passados quarenta minutos, Taehyung, exausto de esperar, começou a retirar o manto. Um estalo de galho fez-lhe virar-se a tempo de avistar Jeon adentrando seu refúgio, a expressão do alfa carregada de uma intensidade que o ômega não conseguia decifrar completamente.
- Estás pronto para partir? - perguntou Jeon, detendo-se a poucos metros, os olhos negros como a noite fixos nos do ômega.
- Partir? Para onde pensais conduzir-me, senhor? - indagou Taehyung, cauteloso, o corpo inteiro tenso.
- Sabeis muito bem que trago-vos uma surpresa. Por que finges espanto? - Jeon avançava lentamente, cada gesto medido, a cadência de seus passos lembrando a dança silenciosa de um predador confiante.
- Então mostrai-me, não partirei convosco - respondeu o ômega, recuando alguns passos, os dedos trêmulos acariciando a máscara que ainda cobria seu rosto.
- Mas partireis, Taetae... Não vos compelirei a nada que não desejeis; apenas aguardarei o momento em que me pedireis - disse Jeon, tocando delicadamente os lábios fartos do ômega, que se retraiu num gesto de contenção e provocação.
- Não contempleis tal ousadia. Ainda hei de me casar, senhor, e não me vereis novamente - murmurou Taehyung, engolindo em seco quando um riso baixo escapou dos lábios do alfa.
- Venha, discutiremos tal assunto depois - replicou Jeon, mudando o rumo da conversa com galante elegância, estendendo a mão esquerda ao ômega, que, hesitante, acabou por aceitá-la.
O caminho que percorreram era o mesmo pelo qual vieram, e Jeon caminhava à frente com majestade e compostura. Logo, Taehyung avistou um cavalo negro, relinchando suavemente ao longe, e recuou instintivamente.
- Onde nos conduzis? - perguntou, a voz embargada por medo e expectativa.
- Confiai em mim - sussurrou Jeon, segurando novamente suas mãos delicadas e conduzindo-o até o animal, ajudando-o a montar antes de subir ao próprio.
- Desejo mostrar-vos um lugar - murmurou o alfa, enquanto o cavalo negro galopava, carregando-os para longe do mundo conhecido.
Em poucos minutos, a viagem chegou ao fim, e uma pequena cabana erguia-se diante deles, isolada e enigmática, envolta pela penumbra da floresta. Taehyung, já abalado pela tensão e pela ansiedade do cio, suspirou profundamente.
- Que estamos fazendo aqui? - indagou, ao ser conduzido para fora do cavalo.
- Eis a vossa surpresa - disse Jeon, dando de ombros, o sorriso enigmático nos lábios e a intensidade dos olhos brilhando como brasas na noite silenciosa.
- Não pode ser... - murmurou Taehyung, os joelhos levemente trêmulos, o coração acelerado, e uma mistura de temor e excitação invadindo-lhe cada fibra.
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The Masked Slave
Fanfiction[Reescrevendo] No reino antigo, o Jovem Rei Jeon Jeongguk, embora possuidor de coroa e riqueza, levava vida monótona ao lado de sua esposa, cuja presença lhe era morna e costumeira. Até que, num dia que não se lembra, apareceu em seus domínios um se...
