O sol já se erguia por sobre as colinas, tingindo de dourado e âmbar as folhas úmidas da estrada que separava o castelo da pensão. O vento frio da manhã brincava com os cabelos de Yoongi, trazendo consigo o aroma de pinheiros, flores silvestres e o perfume inconfundível do próprio Taehyung, que ainda pairava na memória olfativa do omega. Jimin seguia de forma silenciosa, mantendo-se próximo ao casal, mas a tensão entre Hoseok e ele era palpável. Ambos os alfas mantinham-se eretos sobre seus cavalos, olhares fixos e desafiadores, numa disputa silenciosa pela autoridade sobre aquele momento, como se cada movimento e cada respiração fossem calculados para intimidar o outro.
“Já basta,” disse Yoongi, soltando a cintura de Hoseok com um movimento delicado, mas firme, percebendo de imediato a preocupação que tomou o corpo do alfa menor. Eles ainda estavam montados sobre Cloé, e qualquer gesto brusco poderia desestabilizá-los. O arrepio de alerta percorreu a espinha de Hoseok, que imediatamente contorceu o corpo sobre a égua, parando-a com cautela.
“Amor, estais em perigo. Assim, qualquer descuido poderia vos lançar ao chão,” advertiu Hoseok, a voz grave e firme, mas carregada de cuidado e afeição. Yoongi saltou do lombo da égua sem demora, sentindo o frio da manhã misturar-se à adrenalina do momento.
“Que estranho fenômeno é este? Por que vossas presenças me oprimem de forma tão intensa?” indagou o omega, a voz tremendo de incredulidade e de uma tensão que ia além de palavras. Jimin foi o primeiro a saltar do cavalo, aproximando-se de Yoongi com gestos rápidos, porém cautelosos. O omega, porém, afastou-se, deixando claro que não desejava contato.
“Ah… já compreendo toda esta confusão,” murmurou Yoongi, recuando ainda mais, as mãos delicadas fechando-se diante do peito como se tentassem criar uma barreira invisível contra o maior. O rosto pequeno, ainda marcado pelo rubor da manhã, carregava uma expressão de sofrimento silencioso.
“Perdoai-me,” disse Jimin, aproximando-se com cuidado, mas sentiu imediatamente o toque firme de Hoseok afastando-o, sua mão quente segurando-o com possessividade e alerta.
“Não é o toque que me preocupa, mas a vossa presença, Park. Estais noivo. Deixai meu omega em paz,” declarou Hoseok, os músculos tensionados e a mandíbula firme. Seus olhos lançavam raios de descontentamento para o outro alfa, uma advertência silenciosa e ao mesmo tempo dolorosa.
“Eu… Yoongi,” começou Jimin, tentando ignorar a barreira que Hoseok havia erguido.
“Não, Jimin! Isto é absurdo! Estais prometido a meu primo. Deveríeis permanecer com ele, como vosso dever e promessa ordenam. E Hoseok, há quanto tempo estamos nós juntos? Por que vos vejo receoso a cada gesto, a cada movimento? Basta! Não me sigam. Necessito de um tempo só meu, dos dois, para ordenar meus pensamentos e sentimentos!” Yoongi avançou pela estrada que separava o castelo da pensão, passos firmes e decididos, mas o coração apertado, a respiração entrecortada pelo conflito entre amor, lealdade e desejo.
Jimin suspirou pesadamente. Parte de si queria permanecer ali, confrontar o omega, esclarecer tudo, mas a razão e a prudência ainda pesavam sobre seus ombros. Mesmo após a ordem de Yoongi, decidiu segui-lo por um curto trecho, mantendo distância suficiente para não invadir seu espaço, mas próximo o bastante para sentir cada sussurro de emoção, cada vibração do lobo interior do omega. A mente do alfa fervilhava: Taehyung permanecia constante em seus pensamentos, mas Yoongi, com seu sorriso delicado e olhar firme, desafiava todas as suas certezas.
“Não permitirei que vos aproximeis de meu omega novamente, ou revelarei tudo ao mesmo,” disse Hoseok, montando novamente em Cloé e galopando em direção à pensão. A determinação em sua voz não admitia contestação, cada palavra carregada de proteção e possessividade.
Jimin soltou mais um suspiro profundo, sentindo-se dividido. Uma parte dele ansiava por confessar a Yoongi o que sentia, uma necessidade de honestidade que apertava seu peito, enquanto outra parte, mais humana, ainda nutria afeição pelo pequeno omega de sorriso peculiar, pelo mesmo que despertava sua própria alma com gestos sutis, palavras curtas e sinceras, e que não temia mostrar seu descontentamento quando injustiçado.
“Ah, maldição! Por que me confundes assim, lobo e coração?” Jimin gritou para si mesmo, a raiva misturada à frustração percorrendo-lhe cada músculo. A confusão, o desejo e a culpa se entrelaçavam, criando um nó quase insuportável em seu peito. Decidiu afastar-se do casal, montar em Pégasus e galopar até uma clareira mais calma da floresta, onde pudesse refletir, organizar pensamentos e confrontar os próprios sentimentos sem que a presença de Taehyung ou Hoseok ampliasse ainda mais seu turbilhão interno.
Ao adentrar o bosque que conhecia bem, Jimin sentiu o aroma familiar de Yoongi crescer em intensidade, misturado ao perfume da vegetação e da terra úmida. Seus passos aceleraram, e, ao dobrar uma curva entre árvores antigas, viu o pequeno omega curvado sobre um lírio, fungando baixinho, com as mãos delicadas acariciando a flor. O coração do alfa disparou; o omega, vulnerável e inocente, despertava nele uma mistura de ternura e desejo proibido.
“Yoongi?” chamou Jimin, aproximando-se com extrema cautela, sem que seu peso ou presença rompesse a delicada bolha de solidão do omega. Os olhos cor-de-rosa de Yoongi se ergueram, molhados e inchados, refletindo confusão, dor e surpresa.
“Não vos aproximeis!” Yoongi ergueu as mãos, tentando manter distância, a voz trêmula de emoção.
“Por que chorais, pequeno?” Jimin avançou mais alguns passos, cuidadosamente, os olhos fixos nos do omega, buscando compreender cada nuance de dor e incerteza.
“Tudo isto é errado… tudo isto é proibido,” respondeu Yoongi, desviando o olhar, tentando se afastar, mas os passos hesitantes traíam o desejo de permanecer próximo, ainda que apenas em segurança emocional.
“Não é errado, Yoongi,” disse Jimin, levando as mãos ao rosto delicado do omega, mas este novamente recuou, afastando-se, ainda que com hesitação.
“Eu amo Hoseok, amo-o com toda a minha essência, mas… por que vós despertais tamanha confusão em mim?” O omega suspirou, a voz carregada de dor e frustração, como se confessar aquilo pudesse aliviar, mesmo que apenas por instantes, o peso de sua culpa.
“Eu me faço a mesma pergunta,” murmurou Jimin, tocando as mãos do omega, sentindo o calor da pele branca e a tensão contida em cada fibra. Mas Yoongi, relutante, correu para o lado oposto, afastando-se, tentando escapar de algo que ele mesmo não conseguia nomear.
“Não adianta fugirmos disso, Yoongi. Sabeis tão bem quanto eu que…”, começou Jimin, mas foi interrompido por um riso baixo e nervoso, enquanto mostrava ao omega a pequena marca no pescoço, lembrança de uma ligação íntima, mas carregada de significado.
“Meu lobo… não pode estar são! Como poderia escolher-me se já escolheu Hoseok?” Yoongi questionou, entre indignação e perplexidade, sentindo o coração pulsar com intensidade.
Jimin aproximou-se, examinando as marcas com cuidado e, num impulso irresistível, beijou o omega, sentindo o pequeno corpo estremecer, mas não resistir.
“Não me importo, Yoongi. Apenas permiti-me compreender tudo isto,” disse Jimin, abraçando o corpo delicado e pequeno do omega contra si. Yoongi, sem forças para negar os próprios instintos, permitiu-se ser segurado, os olhos cor-de-rosa encontrando os castanhos do alfa com intensidade contida.
“Isso ainda é errado,” sussurrou Yoongi, o rubor das bochechas se intensificando, a mente dividida entre razão e desejo.
“Então irei errar por nós dois,” respondeu Jimin, aproximando os rostos e desviando-os de qualquer vigilância exterior.
“Mas Hoseok e Taehyung… não merecem isso,” disse Yoongi, a voz embargada e os olhos marejados de culpa.
“Assumo toda a responsabilidade. Apenas permiti-me provar de vossos lábios, ou enlouquecerei por completo,” respondeu Jimin, rindo baixinho, embora cada palavra fosse verdade, carregada de desejo e sinceridade.
E assim, o primeiro beijo aconteceu. Mas não estavam sós. Ao longe, alguém os observava. Um silêncio pesado, interrompido apenas pelo vento e pelo sussurro das folhas, anunciava que suas ações não passariam despercebidas. O choque, a surpresa e o temor misturavam-se às lágrimas que já se acumulavam nos olhos de quem testemunhava, deixando claro que o mundo ao redor continuaria a girar, implacável, mesmo diante de desejos proibidos e corações traídos.
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The Masked Slave
Fanfic[Reescrevendo] No reino antigo, o Jovem Rei Jeon Jeongguk, embora possuidor de coroa e riqueza, levava vida monótona ao lado de sua esposa, cuja presença lhe era morna e costumeira. Até que, num dia que não se lembra, apareceu em seus domínios um se...
