Ao regressar do Japão, sem qualquer nova do omega que lhe fora tão caro, Jimin afundou-se nas bebidas como quem tenta apagar brasas com água fria. Cada copo de licor, cada gole ardente que descia pela garganta parecia embalar a dor em falso conforto, mas jamais lograva apagá-la de seu peito. Ele se julgava o mais vil dos alfas; aquele que jurara amor verdadeiro desaparecera, sumindo como neblina ao romper do dia, deixando atrás de si apenas o eco das promessas e lembranças que mais feriam do que curavam. Jimin sentia-se culpado de toda sorte: por nutrir sentimentos secretos por Yoongi, por não haver protegido Taehyung quando devia, por sentir alívio pelo cancelamento do casamento que, no íntimo, jamais desejara.
A taberna encontrava-se quase vazia naquela madrugada, as sombras das velas tremeluziam sobre as paredes de madeira envernizada, e o cheiro doce do álcool misturava-se à fumaça do incenso que queimava na esquina do balcão.
— Senhor, já bebeste demais — murmurou o dono do local, cauteloso, receoso de provocar a ira de Jimin.
Jimin soltou uma risada rouca, ecoando pelo salão, e arremessou moedas sobre o balcão, fazendo tilintar o metal, num som metálico e seco que lhe soou como trovões na cabeça.
— Quereis que eu cesse? — disse, com olhar turvo, os olhos lilases a brilhar de forma febril. — Não! Quero mais! Mais que o suficiente para que a dor se torne silêncio, e que as memórias se dissolvam neste néctar ardente!
Passaram-se horas, e a taberna esvaziou-se por completo. Garrafas amontoavam-se como torres vacilantes, e o cheiro forte da bebida impregnou cada fenda do aposento, entrando nas narinas, invadindo os pensamentos e lembranças. Então, de súbito, Jimin sentiu o aroma delicado do omega, tão familiar e doce, penetrar-lhe os sentidos. O peito apertou-se com força, como se uma mão invisível o esmagasse, e cada lembrança do tempo passado voltou à tona, afiada como punhal de prata.
— É assim que procuras meu primo, Jimin? — disse Yoongi, cruzando os braços, o rosto firme e o olhar carregado de reprovação e cuidado. Hoseok aproximou-se com delicadeza, percebendo a tensão a vibrar no corpo de Jimin, e juntos, conduziram-no ao quarto da pousada, como marinheiros guiando um navio em tormenta por entre rochedos traiçoeiros.
As noites e dias seguintes foram de melancolia profunda, de um Jimin entregue ao próprio desespero e à sombra de seus próprios arrependimentos. Hoseok, paciente e calmo, buscava amenizar-lhe a dor, levando-o a feirinhas, passeios matinais e longas conversas até que o sono finalmente viesse como bálsamo. Yoongi, por sua vez, permanecia sempre vigilante, conhecendo bem a ferocidade de Jimin e a intensidade de seu lobo, sempre pronto a saltar com a mera presença do omega.
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Um anno depois, a tensão antiga ressurgiu como tempestade que nunca se apagara:
— Jimin! Guarda tua presença! — bradou Hoseok, irritado, os olhos a cintilar com a cor de seu lobo em alerta.
Jimin, ergendo os olhos lilases para o alfa, respondeu com sorriso torto, quase provocativo:
— Droga… por que não me avisastes que entrarias no cio?
Hoseok chiou, o lobo inquieto a retorcer-se no peito, mas ao ver o olhar firme e decidido de Jimin dirigido a Yoongi, compreendeu que não havia alternativa senão ceder. Se Yoongi desejava, nada mais importava.
— Calma, Hoseok… avança, aproxima-te do omega — murmurou Yoongi, a voz doce e manhosa, porém carregada de autoridade, os olhos cintilando com fome e expectativa.
— Amor… sei que também o desejais — disse Yoongi, aproximando-se com lentidão calculada. Ao notar a mudança de cor nos olhos de Hoseok, um sorriso largo e malicioso surgiu em seu rosto. Sem demora, inclinou-se e selou-lhe os lábios num beijo possessivo, ardente, devorando cada instante, cada suspiro.
Jimin, por sua vez, não se conteve. Com mãos firmes, apertou a cintura fina de Yoongi e inclinou-se, pressionando-lhe o corpo ao seu, beijando-lhe o pescoço com intensidade e provocando gemidos suaves que se misturavam à respiração ofegante de Hoseok.
— Sejam bonzinhos, hum? — ordenou Yoongi, conduzindo-os com firmeza, levando ambos a entregar-se, a explorar o prazer intenso que lhes fora negado por tanto tempo. A relutância inicial deu lugar a deleite pleno, corpos entrelaçados numa dança de possessividade e luxúria.
O cio de Jimin foi de tal intensidade que, ao despertar, Yoongi quase enlouqueceu ao notar a marca deixada no pescoço do alfa. Hoseok, entre risos nervosos e súbita raiva, segurava Jimin pelo colarinho, incapaz de conter a mistura de frustração e fascínio que o consumia.
— Marcaste-o, seu desgraçado! — rosnou, a voz entrecortada pelo desejo e pela raiva.
Jimin apenas riu, deleitado com o desespero que provocara, e murmurou:
— E quem vos disse que eu desejava conter-me, senhores?
A partir daquele instante, Hoseok teve de aceitar a verdade incômoda: Yoongi não pertencia apenas a si. Cada gesto, cada toque, cada olhar do omega lembrava-lhe que o coração deste era demasiado vasto para se prender a apenas um. O dia a dia tornou-se um equilíbrio instável, repleto de ciúmes, possessividade e uma paixão feroz e bela, capaz de incendiar os corpos e as almas de todos os envolvidos.
— Não quero saber… — disse Yoongi, cruzando os braços, a voz firme como aço. — Ter-me-eis de revezar, sim, para que nenhum de vós saia ferido.
Yoongi mantinha-se, como sempre, a cabeça da relação; e, mesmo com toda a confusão, a intensidade e o desejo, lembrava a todos que o omega ditava as regras do coração. E naquele triângulo febril, cada sentimento era vivido com fúria, desejo e entrega absoluta, cada momento impregnado de melancolia, intensidade e arrebatamento.
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The Masked Slave
Fanfiction[Reescrevendo] No reino antigo, o Jovem Rei Jeon Jeongguk, embora possuidor de coroa e riqueza, levava vida monótona ao lado de sua esposa, cuja presença lhe era morna e costumeira. Até que, num dia que não se lembra, apareceu em seus domínios um se...
