No albor da aurora, quando os primeiros raios de sol tingiam os altos muros do castelo com tonalidades de ouro e púrpura, Yeri entrou nos corredores apressada, o pequeno peito arfando, os olhinhos marejados de lágrimas que ainda escorriam por suas faces delicadas. A menina, de apenas sete anos e meio, sentia em seu coração um peso insuportável; queria ser maior, mais forte, capaz de proteger aquele a quem amava com devoção quase fraternal — Taehyung, seu querido tio, seu irmão de alma. O amor que nutria por ele não era de afeição comum, mas uma ligação profunda, forjada em anos de cuidados e memórias compartilhadas.
“Cadê o tio Taetae? Tio Joonnie?” perguntou ela, entre soluços, limpando o rosto com as pequenas mãos manchadas de lágrimas. A voz, ainda infantil, tremia com urgência e desespero.
“Ele saiu, Yeri…” respondeu Namjoon, a voz impregnada de preocupação e ternura. Aproximou-se com passos cautelosos, ergueu a menina com cuidado e a colocou sobre a mesa de madeira polida, retirando de seu bolso um lencinho bordado para limpar o rosto da pequenina. “Que foi que houve, pequena flor? Por que choras assim, tão cedo?”
“Quero o tio Taetae! Por obséquio, onde ele se encontra?” murmurou a menina, fungando baixinho, o olhar repleto de súplica, quase a implorar pela presença do amado omega.
Yuju, que ouvira os passos apressados, aproximou-se de imediato, a voz ansiosa e suave: “Yeri, cadê as frutas que… minha filha, o que houve?”
“Não podem deixar o tio Taetae se casar! Prometam que não o permitirão!” exclamou a menina, a voz firme apesar da pouca idade, os olhos brilhando com determinação, quase como se estivesse conjurando sua própria coragem para enfrentar o mundo.
“Não podemos interferir nisso, filha… sei que sentirá falta de Taehyung,” começou Yuju, mas Yeri não lhe permitiu concluir, os olhos faiscando em oposição e rebeldia.
“Não! Vós não quereis protegê-lo, mas eu hei de fazê-lo!” rugiu a pequena alfa, saltando da mesa com agilidade surpreendente, correndo para seu quarto como se cada passo fosse um juramento de defesa e cuidado. Ao deitar-se sobre a cama, abraçou o irmãozinho, deixando que o aroma fraco de baunilha que emanava dele lhe trouxesse algum consolo. “Esses malvados não farão meu titio sofrer,” murmurou, os lábios encostando na cabeça do irmão, prometendo silenciosamente guardar sua felicidade.
Namjoon e Yuju trocaram olhares carregados de inquietação e dúvidas. Nenhum deles compreendia por completo o motivo que levara a pequena e saltitante Yeri a chorar com tanta intensidade. Sabiam, porém, que a ideia do casamento de Taehyung agitara-lhe o coração — ela via o omega como um irmão, protetor e guardião desde a mais tenra infância. Namjoon, no entanto, pressentia que havia algo mais profundo por detrás daquela aflição, algo que a própria menina ainda não podia compreender, mas que parecia pulsar no ar como um aviso silencioso.
“Perdoai-me, Namjoon… ela nunca se comportou assim. Talvez esteja estressada com a partida de Taehyung… ela é muito apegada a ele,” disse Yuju, separando o que preparava para a salada da rainha e organizando os utensílios para o jantar dos senhores. Namjoon apenas assentiu, ajudando discretamente, mas sua mente voava em pensamentos inquietos: Yeri sentira falta do omega antes mesmo de perceber a própria ausência dele, e ele, Namjoon, sentia o peso da responsabilidade de proteger tanto a menina quanto os segredos do coração de Taehyung. Um perfume familiar, forte e reconfortante, penetrou então no ambiente, envolvendo-o em lembranças e sentimentos antigos que o fizeram suspirar.
“Podemos conversar?” disse Taehyung, a voz doce, porém carregada de seriedade, cortando o ar como se tivesse sido feita para ele somente. Namjoon virou-se, pedindo licença a Yuju, e seguiu o omega até o jardim, onde a luz pálida do entardecer iluminava as flores e a relva ainda molhada pelo orvalho, tornando cada sombra mais intensa e misteriosa.
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The Masked Slave
Fanfiction[Reescrevendo] No reino antigo, o Jovem Rei Jeon Jeongguk, embora possuidor de coroa e riqueza, levava vida monótona ao lado de sua esposa, cuja presença lhe era morna e costumeira. Até que, num dia que não se lembra, apareceu em seus domínios um se...
