A rainha observava o cenário com olhos gélidos e impiedosos, cada detalhe gravado em sua mente como se fosse uma acusação viva. O omega, entregue em completo afeto, abraçava Jeon com o corpo relaxado, sorrindo largo e despreocupado, mãos entrelaçadas com segurança e carinho, e a visão do calor que se espalhava entre eles era uma punhalada na alma de Lalisa. Cada gesto, cada riso suave do casal parecia zombar de sua autoridade, roubando o rei de sua posse e deixando-a tomada por uma fúria silenciosa, quase insuportável.
O entardecer tingia o céu de tons profundos de púrpura e dourado, refletindo no lago que se estendia adiante, rodeado por árvores que lançavam longas sombras sobre a superfície ondulante da água. O vento morno carregava aromas de terra úmida, flores silvestres e o perfume sutil do omega, cada sopro lembrando à rainha do que estava prestes a perder. Um arrepio percorreu sua espinha, e Lalisa respirou fundo, decidida: descobriria, naquela noite, quem ousava afastar Jeongguk de si, e puniria sem piedade o culpado.
Por alguns momentos, teve a ilusão de calma. Jeon entoava uma melodia suave, os pés mergulhados nas águas claras do lago, ondulando o reflexo do entardecer. O canto preenchia o ar com serenidade, quase hipnótico. Mas logo o aroma doce de morangos e chocolate se misturou ao perfume do omega, confirmando-lhe a presença daquele que roubava a atenção do rei. E, quando os lábios do omega tocaram os de Jeon, selando-os com ternura, uma centelha de fúria explodiu no coração da rainha.
Os guardas posicionados ao seu lado já se preparavam para avançar, mas Jeon se ergueu diante do omega com postura de lobo protetor, olhos faiscando vermelhos como sangue, bloqueando qualquer ameaça.
—Se ousardes tocar em meu omega, perecereis! —a voz era firme, grave, carregada de autoridade e perigo. Não era mais o Jeon dócil de outrora; ali estava o lobo completo, protetor absoluto de sua presa, cada músculo tenso, pronto para a batalha.
Lalisa manteve-se firme, punhos cerrados, corpo rígido de raiva e determinação. —Não vês, Jeon? Ele te seduz, rouba-me o que é meu! O adultério será punido com a morte, mesmo para o amante do rei —declarou, cada sílaba carregada de desprezo e desespero.
Jeon riu, alto e firme, um som que fez alguns guardas recuarem. Ninguém jamais o vira tão intenso, tão feroz, e o riso parecia rasgar a calma do entardecer. —Nunca fui teu, Lalisa —disse, avançando alguns passos com a confiança de um predador—. E se é a lei que te desespera, faremos o seguinte…
O alfa aproximou-se do rosto da omega, provocando um arrepio de tensão e perigo. —Nos separemos! —sussurrou rente aos lábios de Lalisa, que abriu os olhos em choque e incredulidade.
—Tirem esses sujeitos daqui antes que eu perca a paciência! Yugyeom, Chanyeol, Kai —Jeon fulminou os alfas posicionados ao lado da rainha com o olhar—. Tendes vossos próprios omegas a cuidar; que fazeis seguindo ordens de outrem, senão das minhas?
A voz de Lalisa explodiu em desespero, mistura de medo, desejo e possessividade. —VOCE NAO OUSE, JEON! NÃO OUSE TIRAR TUDO DE MIM, EU TE AMO! —lançou-se ao alfa, agarrando-o com força, olhos marejados, transmitindo a promessa silenciosa de união eterna.
—Porque eu não te amo, Lisa —respondeu Jeon, firme, mas a voz baixa e carregada de sinceridade—. Nunca te amei como pensas. E se desejas manter segredos sobre o nosso casamento, sugiro que retires-te. Não terei pena se alguém tocar nele… mesmo após todos esses anos. Vejo-te apenas como irmã, e peço que não apagues essa imagem, nem te tornes minha inimiga —sussurrou, enquanto a omega permanecia abraçada a ele, mesclando medo e afeto, um vínculo silencioso a protegê-los.
Jeon então envolveu o corpo trêmulo de Taehyung, sentindo cada tremor e cada batida de medo. —Inspira, amor —murmurou, aroma de rosas e lavanda envolvendo-os, acalmando a tensão aos poucos.
—Ela está atrás de mim, Gukkie… —sussurrou Taehyung, o coração apertado—. Não podemos continuar assim. Não posso suportar a ideia de que queira machucar-te. —E, mesmo temeroso, deixou-se levar pelo calor de Jeon, pelos sentimentos que não mais podia negar.
O alfa inclinou-se e selou os lábios do omega num beijo calmo, carregado de emoção, transmitindo tanto medo quanto ternura.
—Nada acontecerá, amor —prometeu Jeon—. Cuidaremos um do outro, e se necessário, colocarei meus guardas ao redor. Agora, acalma-te… deixa-me ver a galáxia que são teus olhos —sussurrou, mantendo o olhar profundo nos orbes do omega.
Taehyung assentiu, devolvendo o beijo. O entardecer transformava-se em noite lentamente, e cada gesto, cada toque, cada riso suave tornava o momento eterno. Jeon cantava baixinho, melodias que enchiam o ar com serenidade, e Taehyung aprendeu a valorizar a presença do alfa, rindo com sua ingenuidade e se sentindo seguro, amado.
—Ficaria lindo uma marca minha em teu pescoço —disse Jeon, provocando risadas de Taehyung, que se empurrou levemente, sentando-se no colo do maior. O calor do corpo do alfa fazia-o sentir-se protegido, desejado.
—Preciso ir —murmurou, ainda relutante, enquanto o céu noturno se aprofundava em tons de púrpura e azul. —Estou acostumando-me a sentir teu cheiro ao dormir, Gukkie.
—Por que tão cedo? —perguntou, e Jeon respondeu com selinhos suaves, arrancando sorrisos tímidos.
—Jimin está no castelo; permanecerá lá hoje. Tivemos uma pequena desavença e ele deseja compensar —disse Jeon, provocando riso em Taehyung.
—Tudo bem, mas prometes, de mindinho, que tomarás cuidado? Não deixarás teu lobo zangado e a machucar ninguém? —perguntou, biquinho formado. Jeon beijou-o suavemente.
—Prometo —respondeu Jeon, sorrindo—, mas tu prometerás vir sempre me ver.
Taehyung assentiu, e trocaram mais um beijo, corações batendo em uníssono, enquanto o céu noturno se aprofundava em tons de púrpura e azul. A despedida foi doce e dolorosa, cheia de calor, expectativa e promessas silenciosas. Jeon não queria soltar o omega, Taehyung não queria deixá-lo sozinho, mas ambos sabiam que, apesar da distância temporária, o vínculo que os unia permaneceria firme, inquebrável.
—Até amanhã, amor —sussurrou Jeon, segurando-o uma última vez, depositando um beijo apaixonado.
—Até amanhã, Gukkie —respondeu Taehyung, entrando na portinhola do castelo, o coração ainda aquecido pelo toque do alfa, guardando o perfume e a promessa de um novo amanhecer juntos
VOCÊ ESTÁ LENDO
The Masked Slave
Hayran Kurgu[Reescrevendo] No reino antigo, o Jovem Rei Jeon Jeongguk, embora possuidor de coroa e riqueza, levava vida monótona ao lado de sua esposa, cuja presença lhe era morna e costumeira. Até que, num dia que não se lembra, apareceu em seus domínios um se...
