XXXI

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A manhã mal havia clareado quando Taehyung despertou. O quarto ainda estava mergulhado em uma penumbra suave, e a luz tímida que filtrava pelas cortinas pesadas do castelo mal rompia a escuridão. O ômega, sonolento, moveu-se instintivamente, procurando com o braço o pequeno corpo quente de seu filho. Era um gesto automático, algo que fazia todas as manhãs, um reflexo da necessidade de sentir a presença do bebê junto a si. Mas, dessa vez, a sensação do lençol frio sob seus dedos foi como um soco no estômago.

Seu coração disparou antes mesmo que a mente processasse o que aquilo significava. Num salto quase desesperado, Taehyung sentou-se na cama, os olhos arregalados percorrendo cada canto do aposento. Chamou baixinho, a voz entrecortada:

— Jeongwoo?

Nada. O silêncio devolveu-lhe o som da própria respiração acelerada. O berço, vazio. As almofadas ao chão, intocadas. O ar parecia mais pesado, cada segundo que passava o fazia sentir que algo terrível estava prestes a acontecer.

Um calafrio percorreu-lhe a espinha. Ele sentiu o suor frio despontar na nuca, os dedos trêmulos fechando-se em punhos. Não havia tempo para pensar em roupas ou conveniências; a única coisa que importava era o filho. Vestiu às pressas um grande casaco que mal conseguia esconder a tremura de suas mãos e saiu do quarto quase correndo.

Os corredores pareciam mais longos, cada sombra parecia um obstáculo. O som dos próprios passos ecoava como uma batida surda em seus ouvidos. Quando finalmente chegou à cozinha, a respiração estava entrecortada, o peito arfando como se tivesse corrido uma longa distância.

Ali encontrou apenas Yuju, serena, acompanhada dos filhos, ocupados com o desjejum. O contraste entre a normalidade da cena e o caos em seu peito quase o fez perder o equilíbrio.

— Vocês viram Jeongwoo? — perguntou de uma vez, sem rodeios, e a voz que saiu não era a sua voz habitual: era tensa, alta demais, quase um grito contido. — Viram o meu filho?

Yuju e as crianças se entreolharam, confusas. A negativa veio com um abanar de cabeças, e naquele instante Taehyung sentiu o chão fugir-lhe sob os pés.

O mundo pareceu estreitar-se, o som do castelo desaparecer. Havia apenas o eco da pergunta que ele mesmo repetia mentalmente, desesperado: Onde está o meu filho?

Sem esperar por mais respostas, girou sobre os calcanhares e correu. Desta vez, não tentou controlar as lágrimas que já ardiam nos olhos. Gritou pelo nome do pequeno, a voz ecoando pelos corredores:

— Jeongwoo!

Chamou pelo alfa também, quase suplicando:

— Jeon! Onde está você? Onde está o meu filho?!

Seus pés batiam com força nas pedras frias do chão, e o barulho atraiu Yuju, que se levantou alarmada. Logo, Yeri e Yoban se juntaram a eles, abandonando tudo para auxiliar o ômega. A busca tornou-se coletiva: três vozes adultas e duas infantis percorrendo corredores, pátios, jardins internos, cada canto do castelo, cada porta aberta com pressa, cada olhar que se encontrava e negava a esperança.

O choro de Taehyung já não podia ser contido. A mente, tomada por memórias e medos antigos, alimentava a paranoia: E se alguém o levou? E se Lalisa soube? E se…

Foi então, no auge do desespero, que um som rompeu o caos como um raio em noite escura:

— Omma!

A voz infantil, doce, cheia da alegria inocente de quem ainda desconhece o medo, cortou o ar como uma salvação. Taehyung parou, o coração batendo descompassado, a respiração presa. E então, como uma bênção, veio a risada — aquela risada clara, cristalina, que ele conhecia tão bem, o som mais belo do mundo para um pai desesperado.

Seguindo o som, correu como se a vida dependesse disso, guiado apenas pelo instinto. Os passos se apressaram quando a risada se tornou mais nítida. Até que, ao dobrar uma porta, parou subitamente, quase atordoado pela visão diante de si.

Ali, sentado sobre um tapete, o pequeno Jeongwoo, bochechas ruborizadas, sorria encantado. Nas mãozinhas delicadas, ele puxava com suavidade algumas mechas escuras do homem ajoelhado à sua frente. E este homem, com um sorriso largo e olhar sereno, era ninguém menos que Jeon Jeongguk.

— Omma, olha o cabelo do apa! É macio! — disse o bebê, rindo ao segurar os fios entre os dedos.

Por um momento, Taehyung quase desabou, o alívio misturado à fúria. Mas a emoção falou mais alto, e seus passos apressados o levaram até eles.

— Jeongwoo, venha aqui agora! — a voz firme, carregada de autoridade e dor, soou mais como súplica do que como ordem.

O ômega avançou e tomou o filho nos braços, apertando-o contra si com força quase desesperada.

— Nunca mais faça isso, ouviu? Eu quase enlouqueci quando não o encontrei! Nunca mais! — a voz embargada, tremendo entre bronca e choro, revelava a gravidade do medo que sentira.

E então, o resto da cena seguiu como antes — mas agora o peso do medo era palpável, e cada palavra parecia ecoar no ar.

— Mas o Jeonie precisava fazer pipi… aí o apa correu e ajudou o Jeonie a brincar… — disse a criança, ainda confusa, apontando para o pai.

Os olhos de Taehyung encontraram os de Jeon, carregados de um misto de surpresa e desafio.

— O que disse para ele? — perguntou, firme.

Jeon ergueu as mãos num gesto de rendição, o sorriso quase contido nos lábios.

— Não disse nada, Taehyung. Mas você precisa me ouvir.

O ômega apertou o filho contra si e girou para sair, mas o alfa foi mais rápido. Com uma única passada, alcançou-os, a mão firme mas suave tocando-lhe o braço.

— Até Jeongwoo sabe que sou o pai dele, Taehyung. Por que continua negando? — perguntou, com uma calma que contrastava com o turbilhão de emoções no ar.

— Porque não quero que ele seja seu filho — respondeu, e a voz de Taehyung, embargada, quebrou a solenidade do momento. — Não quero que ele seja herdeiro… não quero que você o tire de mim.

Algumas lágrimas já deslizavam pelas maçãs do rosto do ômega, que parecia ainda mais frágil desde que Jeon retornara à sua vida.

— Eu nunca faria isso. Nunca tiraria você ou ele de mim, amor — disse Jeon, em um tom baixo, quase suplicante. — Por favor, escute-me. Deixe-me explicar tudo.

Taehyung hesitou, prestes a negar, quando uma vozinha doce interferiu:

— Omma, ouve o apa… o Jeonie gosta dele.

O coração do ômega quase cedeu, mas ele manteve-se firme.

— Tudo bem… eu vou ouvir, mas não agora. Ainda estou assustado… achei que… — as palavras morreram nos lábios de Taehyung. Ele não ousou terminar a frase.

O maior de seus medos era que Lalisa pudesse surgir a qualquer instante, descobrir Jeongwoo e afastá-lo de seus braços. A gravidez fora difícil de esconder, mantida sob segredo até mesmo de Kunpimook; apenas graças às roupas largas e à discrição dos poucos que sabiam, passara despercebida.

— Te espero no nosso lugar — disse Jeon, com um aceno suave.

— Mas não irei sozinho. Não confio em você — murmurou Taehyung, baixo o suficiente para que apenas o outro pudesse ouvir.

Ao sair, ainda com o filho nos braços, Taehyung suspirou longamente. Cada fibra de seu ser parecia carregada de medo e amor, um peso que só aumentava. De volta ao quarto, depositou o pequeno na cama e, com voz suave, ordenou:

— Não saia mais sem avisar, meu pequeno. Se precisar de qualquer coisa, me chame, está bem?

— Certo, omma. Mas… o apa veio comigo? — perguntou o menino, inocente.

O ômega não resistiu e sorriu, a raiva dissolvendo-se ante o olhar doce do filho.

— Sim, filho. Ele é o seu appa — respondeu, beijando as bochechas coradas do pequeno.

Passaram o resto da manhã juntos, e Taehyung sabia que precisaria de toda a força que Jeongwoo lhe transmitia para o que viria a seguir. Logo, teria que enfrentar Jeon — e, desta vez, ouvi-lo.

The Masked SlaveOnde histórias criam vida. Descubra agora