Desde o instante em que Taehyung lhe confessara sua predileção pelas rosas, Jeon dedicara-se com afinco à busca de um lugar capaz de cativar o coração do ômega. Fora, pois, além dos muros do reino, que o alfa descobriu uma singela habitação erguida em meio a um prado banhado pelo orvalho da madrugada, onde as flores de Daegu cresciam com delicadeza e primor. Após demoradas negociações, persuadira o idoso proprietário a ceder-lhe a propriedade, assegurando-se de que o perfume das flores permaneceria intacto e que a aura serena do local não seria corrompida.
- Eis, portanto, tua surpresa - disse Jeon, aproximando-se com passos calculados, a presença envolvente como sombra suave de luar. Ele envolveu Taehyung por trás, os braços firmes porém sutis, e murmurou quase inaudível: - Desde que revelaste teu amor pelas flores, busquei o local ideal. Desejava que se tornasse teu próprio refúgio, visto que, de certa forma, me atrevi a roubar-te o coração...
O coração de Taehyung disparou, como se tentasse escapar do peito. O delicado aroma das rosas misturava-se à fragrância natural do alfa, provocando-lhe arrepios, e uma estranha tensão apertava-lhe o ventre. Lágrimas silenciosas escorriam-lhe pelos cantos dos olhos, traindo a emoção que se debatia dentro dele.
- É... encantador. Sinto o aroma do lar... - murmurou, a voz embargada e trêmula.
- Desejo que te sintas verdadeiramente em casa, enquanto estiveres comigo; este lugar é teu - continuou Jeon, e Taehyung sentiu um frio percorrer-lhe a espinha ao perceber o toque gelado dos lábios do alfa roçando-lhe a pele, enquanto suas mãos deslizavam pelo corpo do ômega, suaves e quase provocadoras. Taehyung recuou, limpando as lágrimas, o coração confundido entre desejo e medo de ceder.
- Não posso aceitar, senhor... Isto não está correto! Por que me trouxeste até aqui? Parecias tão diferente... - disse Tae, sentindo-se pequeno e vulnerável diante da intensidade do alfa.
- Trouxe-te apenas para que sentisses felicidade, Kim. Por que te inquietas assim? - replicou Jeon, a voz baixa, carregada de firmeza e um sutil toque de afeto.
- Estás a tentar seduzir-me, é isso? - murmurou o ômega, recuando, o coração martelando no peito, receoso e excitado ao mesmo tempo.
Jeon reprimiu um suspiro e murmurou para si mesmo, desapontado com o deslize involuntário.
- Eu... tu quase me tocaste, e por pouco cedi... Não podemos continuar assim. Não posso mais encontrar-te - disse Tae, afastando-se, a escuridão já engolindo o céu, dificultando sua visão.
- Perdoa-me, Kim... Não foi minha intenção exceder-me. Mas teu aroma... tão intenso... tornou-me incapaz de resistir. Imploro-te perdão - murmurou Jeon, a voz carregada de sinceridade e desejo contido.
- Não sei se consigo confiar em ti - respondeu Tae, receoso, as mãos inquietas sobre a máscara que lhe cobria o rosto.
- Permite-me demonstrar-te; há ainda outra parte da surpresa. Se, após isso, não confiares em mim, conduzirei-te de volta ao castelo - disse Jeon, estendendo novamente a mão. Taehyung, relutante, aceitou caminhar lado a lado com o alfa até a entrada da pequena casa.
- Pedi auxílio aos servos do castelo para preparar tudo - continuou Jeon, conduzindo-o com elegância até a cadeira. - São especiarias de tua terra natal; espero que agradem ao teu paladar.
O jantar decorreu com harmonia delicada. O clima tenso dissipara-se, substituído por conversas animadas sobre Daegu, suas curiosidades e lembranças de infância. Entretanto, a noite avançava, e Taehyung já demonstrava sinais de cansaço.
- Creio que deveríamos regressar - murmurou o ômega, receoso de que adormecer sob o olhar atento do alfa pudesse revelar-lhe segredos não desejados.
- Podes repousar aqui; há um aposento disponível. Desejo, porém, mostrar-te algo antes de retornarmos - respondeu Jeon, recolhendo a louça, o olhar firme no pequeno corpo do ômega, agora relaxado e vulnerável.
- Prometes que nada farás? - indagou Taehyung, erguendo o mindinho em gesto de juramento. Jeon sorriu, cativado pela delicadeza, e entrelaçou seu mindinho ao do ômega.
- Prometo - respondeu com sinceridade.
Pouco tempo depois, Taehyung adormeceu, entregue a um sono profundo e silencioso, sem sonhos, enquanto Jeon percorria os arredores da casa. O aroma do ômega pairava no ar, um convite silencioso à perdição, fazendo-o perder a razão por instantes.
- Kim, acorda - murmurou Jeon, a voz baixa e firme.
- Que horas são, Joon hyung? - respondeu o ômega, ainda sonolento.
- Quem é "Joon"? - replicou o alfa, o ciúme oculto na voz. O ômega ergueu-se apavorado, as mãos indo ao rosto para certificar-se de que a máscara ainda o protegia, suspirando aliviado ao tocá-la.
- Senhor Jeon? - murmurou, o coração acelerado.
- São quatro e meia; apressemo-nos ou não haverá tempo - disse Jeon, avançando à frente, ligeiramente irritado pela demora da resposta do ômega.
Cavalgando novamente, alcançaram um pequeno monte, onde Jeon, sem permitir protestos, acomodou Taehyung entre suas pernas.
- Esta é a última etapa da surpresa; fecha os olhos - sussurrou, a lua ainda tingindo o céu com tons prateados.
- Mas... por quê? - murmurou o ômega, emburrado e cansado.
- Apenas feche - replicou o alfa, firme e paciente.
- Pensa em tudo que de bom já te sucedeu - murmurou Jeon, e, aos poucos, os primeiros tons claros do amanhecer começaram a tingir o céu, espalhando luz suave e delicada.
- Abre os olhos - disse Jeon, rindo ao ver Taehyung soltar um "uau" admirado diante do espetáculo do sol nascente.
- É magnífico - murmurou o alfa, embora seus olhos já não contemplassem o céu, mas sim o ômega aninhado em seus braços.
- Verdadeiramente encantador - murmurou Taehyung, a voz embargada pelo fascínio e pelo calor que lhe subia ao coração.
- Como um recomeço - disse o ômega, alto demais, a emoção transbordando.
- Para mim, é um recomeço desde que te vi - replicou Jeon, selando os fios platinados do ômega com um beijo suave, mas carregado de promessa e desejo. Assim que o sol despontou no horizonte, ambos ergueram-se.
- Voltarei a conduzir-te - disse Jeon, e montaram novamente nos cavalos, retornando em silêncio. O trajeto fora silencioso, mas confortável; Jeon conduziu-os até o local de seu primeiro encontro, e, então, despediram-se, silenciosamente cúmplices de um segredo compartilhado.
Ao adentrar o quarto onde dormia com Namjoon, Taehyung encontrou ambos à sua espera.
- Onde estiveste? Estávamos deveras preocupados - disseram em uníssono, a preocupação visível em cada gesto.
Em outro aposento, Lalisa, com semblante furioso, aguardava o marido.
- Onde estava Jeon? - indagou, aproximando-se com passos firmes, a fúria traída em cada linha de seu rosto.
- Seu aroma não engana... - murmurou, irritada, retirando-se com porte ameaçador e batendo a porta com força, como se o mundo pudesse ser dobrado à sua vontade.
- Descobrirei quem me rouba meu esposo, e assim que o fizer, esta criatura jamais verá um novo amanhecer - pensou Lalisa, o sorriso carregado de malícia, tramando vigiar cada passo do marido e de seu amante, nas sombras que se estendiam pelo castelo.
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The Masked Slave
Fanfiction[Reescrevendo] No reino antigo, o Jovem Rei Jeon Jeongguk, embora possuidor de coroa e riqueza, levava vida monótona ao lado de sua esposa, cuja presença lhe era morna e costumeira. Até que, num dia que não se lembra, apareceu em seus domínios um se...
