Especial:Historias do Passado

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Naquelas terras afastadas, onde as colinas ondulavam como ondas verdes sob o céu amplo e límpido, quatro jovens alfas desfrutavam da liberdade e da ousadia próprias de sua idade. Jimin, Jeongguk, JongIn e Chanyeol eram, na juventude, pequenos turbulentos, uma verdadeira fonte de angústia para seus pais, que frequentemente os repreendiam com vozes graves, mas sem conseguir conter o espírito indomável dos filhos. Desde muito cedo, foram educados para serem fortes, inteligentes e implacáveis em qualquer disputa — fosse na caça, nos jogos de estratégia ou nas simples corridas pelas colinas e bosques que circundavam o castelo de suas famílias. Agora, aos cinco anos, a amizade e a rivalidade entre eles se manifestavam de maneira palpável em cada gesto, em cada olhar e, especialmente, na corrida que se preparavam a iniciar.

O campo que se estendia diante deles era vasto e aberto, salpicado por pequenas flores silvestres de tons púrpura e amarelo, enquanto o sol da manhã lançava uma luz dourada sobre a relva úmida de orvalho. Pequenos pássaros voavam entre as árvores mais distantes, lançando sombras que dançavam pelo chão, e o aroma fresco da terra recém-molhada e do musgo misturava-se com o perfume delicado das flores silvestres. O rio que serpenteava pelo vale mais abaixo refletia o céu em tons de azul intenso, convidando a todas as criaturas a se refrescarem em suas águas límpidas e gélidas. Era um dia perfeito para uma corrida, e a ansiedade das crianças tornava o ambiente ainda mais vivo.

— Eu vou chegar primeiro! — exclamou Jeongguk, o pequeno alfa lúpus, seu peito se enchendo de orgulho e determinação. Sua voz, firme apesar da pouca idade, denunciava a confiança que apenas aqueles que nasceram para liderar poderiam ter. Os olhos escuros brilhavam com uma intensidade incomum para sua idade, e mesmo enquanto corria sobre a relva, sua postura já denunciava a elegância natural de sua linhagem alfa. Ele conseguia transformar-se em sua forma lupina antes mesmo dos colegas, um feito que lhe conferia uma vantagem notável, embora ainda infantilmente celebrada.

— Isto é injusto, Jeon! — resmungou Jimin, franzindo a testa, enquanto se posicionava ao lado de JongIn e Chanyeol. O pequeno alfa de cabelos negros e olhos profundos demonstrava um misto de indignação e determinação. Mesmo sabendo que a vitória de Jeongguk parecia inevitável, não podia deixar de desafiar o amigo com um resmungo irritado e o típico olhar de quem jamais se curva à superioridade alheia sem lutar.

— Vocês é que são fracos! — provocou Jeongguk, mostrando a língua com um sorriso travesso que mesclava inocência e audácia. Seus pelos ainda curtos, macios e castanho-escuros, reluziam sob o sol, e cada movimento era ágil e gracioso, demonstrando a destreza natural herdada de sua linhagem. Ao seu lado, a pequena Lalisa, a única omega do grupo, ria alto, seus olhos brilhando de diversão. Jogou seu paninho rosa — que servia como sinal de largada — para o chão com um gesto decidido, e imediatamente, como se um comando invisível houvesse sido dado, a corrida começou.

O som de pés batendo na grama, de risadas infantis e de respirações rápidas ecoava pelo vale. A velocidade de Jeongguk era impressionante: seus pequenos músculos se contraíam e relaxavam em perfeita coordenação, sua respiração curta e ritmada parecia uma melodia, e seus olhos focavam cada detalhe do caminho à frente. Jimin, JongIn e Chanyeol tentavam acompanhar, cada qual em seu ritmo, com expressões que variavam entre concentração e pura diversão. O vento soprava em seus cabelos, levantando pequenas nuvens de pó e pétalas, e a sensação de liberdade fazia cada criança se sentir infinitamente maior do que realmente era.

Quando Jeongguk cruzou a linha imaginária à frente, ergueu os braços com uma confiança natural de vencedor, um sorriso travesso e irresistível estampando seu rosto. A pequena Lalisa correu em direção a ele, abraçando-o com entusiasmo, mas o alfa, ainda em sua forma lupina parcial, empurrou-a de maneira quase ríspida, provocando risos e pequenos protestos.

— Você roubou! — gritou Jimin, fazendo birra com o punho cerrado, seu rosto corando levemente de frustração.

— Roubou nada! — respondeu Jeongguk, rindo debochado, seus olhos escuros cintilando com malícia infantil.

O campo em que brincavam era banhado por uma luz quente e difusa; cada flor, cada folha, cada sombra parecia participar daquele jogo, e até o rio, que refletia a luz dourada do sol, parecia convidar as crianças a uma disputa que misturava velocidade e risos. O ar estava impregnado do aroma da vegetação molhada, da madeira das árvores antigas e de uma leve fragrância de flores silvestres que se espalhava pelo vale, tornando o ambiente quase mágico.

— Vem, vamos nadar! — disse Jeongguk, puxando seus colegas para o rio, com o riso vibrando em sua garganta, enquanto as gotas de água refletiam a luz do sol em minúsculos prismas. Chanyeol e JongIn seguiram-no com entusiasmo, e Jimin, depois de um instante de hesitação, cedeu ao convite. A água fria e cristalina os envolveu, despertando risos e gritos de surpresa e prazer. Cada movimento provocava ondas que se espalhavam pelo rio, cintilando sob o céu azul e refletindo o verde das árvores e o dourado do sol.

Enquanto as crianças brincavam, o olhar atento do pai de Jeongguk percorria a cena. Orgulho e satisfação se misturavam em seu semblante. O alfa adulto, de postura elegante e trajando roupas de linho refinado, observava cada gesto do filho, absorvendo cada risada, cada mergulho e cada empurrão travesso. Um contrato havia sido assinado com o rei do Japão, garantindo que, assim que crescessem, os filhos dos alfas seriam casados, selando alianças estratégicas entre regiões. Mas, naquele momento, seu olhar era apenas de um pai orgulhoso, testemunhando a vitalidade e o vigor da juventude, o futuro prometendo grandes feitos.

O rio, cercado por árvores altas e robustas, projetava sombras delicadas sobre as crianças, criando um jogo de luz e sombra que tornava a cena ainda mais envolvente. Cada respingo era acompanhado pelo canto de pássaros e pelo farfalhar das folhas, criando uma sinfonia natural. A relva nas margens estava úmida, com pequenas flores de cores vibrantes que se misturavam ao verde profundo, e o cheiro da água doce misturado ao aroma de terra fresca impregnava o ar.

Enquanto Jimin se esforçava para acompanhar Jeongguk na água, seus olhos encontraram os de JongIn e Chanyeol, e juntos compartilharam um riso cúmplice, cada um tentando provar sua própria coragem e habilidade. Lalisa, ainda segurando o paninho rosa, observava cada movimento, rindo e incentivando, enquanto os pequenos mergulhavam, nadavam e brincavam, criando laços que seriam lembrados por toda a vida.

O dia avançava lentamente, o sol subindo no céu e iluminando cada detalhe do campo, das árvores, do rio e das crianças. Cada instante era impregnado de vivacidade, e cada gesto carregava o peso da amizade, da competição e do aprendizado. Jimin, Jeongguk, JongIn e Chanyeol, mesmo jovens, já demonstravam a força, a determinação e a sagacidade que mais tarde os tornariam alfas respeitados, mas naquele dia eram apenas crianças, livres e radiantes, suas almas puras entrelaçadas pela alegria, pela rivalidade e pelo carinho mútuo.

Os pais, observando de longe, entendiam que estavam plantando sementes de força, coragem e lealdade, e que cada riso, cada mergulho e cada corrida se transformaria em memórias preciosas, formando a base para alianças futuras e para a construção de laços que nenhum poder ou estratégia poderia quebrar. O dia se despedia lentamente, tingindo o céu com tons de laranja, púrpura e vermelho, refletindo-se na água do rio e nos olhos brilhantes das crianças. O riso e a energia dos jovens alfas ecoavam pelo vale, criando um cenário vívido de infância, amizade e promessas silenciosas de futuros gloriosos.

The Masked SlaveOnde histórias criam vida. Descubra agora