XXVIII

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Taehyung corria pelos corredores do palácio com toda a força que suas pernas trêmulas conseguiam suportar. Cada passo reverberava nas pedras frias e lustrosas, como se cada batida de seu coração se fizesse ecoar no espaço vazio e silencioso. O ar estava carregado de incenso queimado e da tensão contida nos muros, mas nada disso podia impedir que o medo e a vergonha o arrastassem adiante. Havia se guardado para o alfa desde o dia em que foram separados, mantendo seu corpo e seu coração intactos, preservando a esperança de um reencontro. Mas agora, ao tomar coragem de se aproximar, encontrou o que jamais imaginara: Jeongguk estava com outra.

O choque o atravessou como lâmina quente, e sua respiração se tornou irregular, sufocante. Mas o pior ainda estava por vir. Enquanto corria pelos corredores, ouvia rumores sussurrados pelos servos e sombras das portas entreabertas: Jeongguk havia se transformado em alguém cruel, imerso no harém com suas concubinas. A visão mental do alfa com outros seres, aproveitando-se de sua posição e poder, sujava sua alma. Taehyung sentiu-se corrompido apenas por ter sido seduzido por alguém tão cruel, tão distante daquilo que amava.

Com passos apressados e trêmulos, alcançou finalmente seu pequeno refúgio: o quarto onde sempre se sentira seguro. Ali, trancou a porta e, com mãos trêmulas, pegou Jeongwoo no colo. O pequeno alfa, ainda inocente diante do mundo, enroscou-se ao pai, como se pressentisse a turbulência que dominava o coração de Taehyung. O menino, com sua vozinha corajosa e doce, falou:

— Num xola, omma… vo bate nelis todos!

O coração do ômega se aqueceu. Seu filho era sua âncora, sua força em meio ao caos, o único que podia fazê-lo sentir-se seguro novamente. Taehyung curvou-se, beijando os cabelos macios do menino, tentando acalmá-lo com seu calor e presença.

— Filho, omma tem uma coisa pra vos dizer… não deveis chamar o omma assim quando o senhor Jeon estiver por perto, está bem? — disse, tentando conter as lágrimas que ameaçavam cair, queimando sua face.

— Maisi puque, omma? — murmurou Jeongwoo, fazendo o bico adorável que o pai imediatamente beijou.

— Porque ele é um homem malvado e pode querer levar-vos de mim, meu filho — respondeu Taehyung, lembrando-se com amargura do quão cruel Jeongguk se tornara. O pequeno alfa rosnou, uma reação instintiva ao perigo percebido, como se compreendesse a gravidade do aviso do pai.

— Maisi… Jeon vai poteger o omma! — disse Jeongwoo, abraçando Taehyung com força. Mas antes que pudessem se aconchegar por completo, um estalo de porta interrompeu o momento.

— Taehyung! — A voz autoritária de Jeongguk ecoou pelo corredor, firme e imponente. Taehyung encolheu-se, sentindo o pavor se espalhar pela espinha. Yuju tentou interceder, mas a intervenção foi inútil; a porta se abriu de vez, revelando Jeongguk em toda sua presença dominante.

Namjoon e Jin haviam saído para buscar Jimin e os noivos, deixando apenas Taehyung, Jeongwoo e a pequena alfinha no cômodo. O coração do ômega batia descompassado enquanto se erguia, mantendo Jeongwoo escondido atrás de si, como um escudo frágil e precioso.

— Desejais algo, senhor? — perguntou Taehyung, firme, embora seu corpo tremesse por dentro.

— Sim… conversar convosco — respondeu Jeongguk, aproximando-se com passos lentos e calculados. Taehyung recuou, protegendo o filho, que já começava a rosnar levemente em alerta.

— Não temos nada para conversar, senhor — disse Taehyung, sentindo o lobo de Jeongwoo vibrar contra suas pernas.

— Temos, Tae… temos muito que conversar — insistiu Jeongguk, tocando o rosto de Taehyung. Ao ver as lágrimas silenciosas do ômega, Jeongwoo franziu o cenho, indignado:

The Masked SlaveOnde histórias criam vida. Descubra agora