E como previsto em seus ardilosos desígnios, a carruagem destinada ao reino natal do jovem omega tomou caminhos tortuosos e isolados, afastando-o de Seul e, sobretudo, de seu amado alfa. O sol despontava tímido sobre os campos quando a primeira etapa da viagem começou, e Taehyung sentiu o coração apertar com o ranger das rodas sobre as pedras irregulares. Cinco dias de estrada se estenderiam à frente, entre vales estreitos, florestas densas, rios a atravessar por pontes precárias e trilhas que se estreitavam de tal maneira que a carruagem quase tocava os galhos das árvores. Cada solavanco lembrava-lhe do calor e da segurança que os braços de Jimin proporcionavam; cada som da madeira se contorcendo, o vento gelado que penetrava pelas frestas, despertava nele o medo instintivo de que algo pudesse acontecer.
No primeiro dia, a viagem começou com a esperança ainda fresca, embora velada pelo receio. Taehyung observava o cenário, absorvendo cada detalhe: o campo úmido, a neblina que se erguia sobre a relva, os pássaros que cortavam o céu em busca de abrigo. Baekhyun, um omega animado e prestativo, mantinha o semblante alegre, conversando sobre pequenas curiosidades do reino e mostrando o melhor que podia para distrair Taehyung de seu temor. O pequeno omega apertava a capa sobre os ombros, tremendo não apenas de frio, mas da ansiedade que corroía seu peito.
O segundo dia trouxe consigo uma chuva fina e insistente, transformando a estrada em lama escorregadia. O ranger das rodas sobre o barro fazia o coração do jovem saltar a cada solavanco. Baekhyun, sempre vigilante, mantinha os cavalos sob controle, suas mãos firmes nos arreios, seus olhos atentos a cada obstáculo. Taehyung, encolhido, sentia a distância que o separava de Seul crescer como um abismo. A sensação de impotência o sufocava, e cada noite trazia a lembrança de Jeongguk, seu alfa, e a esperança de que, de algum modo, ainda pudesse vê-lo novamente.
No terceiro dia, a carruagem atravessou florestas densas, onde o sol mal penetrava entre as copas altas. A luz que chegava era fraca e dourada, tingindo as folhas com tons de cobre e âmbar. Taehyung contemplava em silêncio, cada passo ecoando pela madeira da carruagem. Ele imaginava Jeongguk esperando-o à margem do rio, ou talvez, aflito em Seul, impaciente e irado. A saudade latejava em seu peito com uma força quase física, cada lembrança de calor e afeto com o alfa acendendo uma chama silenciosa de esperança e desespero.
O quarto dia apresentou longas planícies, onde o vento soprava impiedoso, arrastando poeira e folhas secas. A viagem tornava-se árdua: os músculos do pequeno omega começavam a doer, o corpo exausto, mas sua mente permanecia alerta. Baekhyun, percebendo a fadiga do jovem, falava-lhe com suavidade, lembrando-o de que logo chegariam ao castelo, de que o perigo imediato havia passado, mas Taehyung mal ouvia; seus pensamentos estavam em Seul, em Jeongguk, em cada gesto, cada olhar que compartilhavam, e na cruel ausência que Lalisa impusera.
No quinto dia, finalmente, a terra do reino tailandês surgia diante deles. Os portões do castelo, altos e majestosos, iluminados por lamparinas e tochas, recebiam o jovem com uma silenciosa grandiosidade. Ao descer da carruagem, Taehyung sentiu o peso do cansaço misturado à ansiedade, o coração batendo forte, os dedos trêmulos ao segurar a mala leve que carregava. Baekhyun, seu guia e protetor, sorriu com alegria genuína e acalentadora, apresentando-o a cada aposento, cada servo e nobre, explicando quem eram dignos de confiança e quem exigia cautela.
Finalmente, chegaram ao quarto que dividiriam. O vento da noite soprava pelas janelas altas, sussurrando através das cortinas, enquanto Taehyung, sentindo-se seguro apenas naquele pequeno espaço, podia respirar lentamente. A conversa com Baekhyun estendeu-se noite adentro, confidências compartilhadas, medos confessados, lampejos de esperança trocados em sussurros, como se a escuridão que preenchia os corredores pudesse levar embora cada sombra de temor que os cercava.
Enquanto isso, em Seul, a fúria consumia Jimin. Ao receber a notícia de Yuju sobre a partida de Taehyung, enviada pela ordem implacável de Lalisa à rainha do Japão, o sangue subiu-lhe às faces, o coração quase saltando do peito. A raiva era tão intensa que parecia queimar cada palavra não dita, cada gesto frustrado. Ele rugiu pelos corredores da cozinha:
— Como ousam afastar Taehyung de nós assim, sem aviso, sem consideração?!
Namjoon, próximo, tentou conter a tempestade de emoção que se erguia no alfa:
— Jimin… há algo profundamente errado… não vejo razão plausível…
— Errado?! — Jimin o encarou com olhos faiscantes, o punho cerrando-se até que as juntas dos dedos rangeram. — É cruel! É impossível que não tenham pensado no que isso nos causaria!
Na manhã seguinte, a rainha, impassível, ordenou que tudo fosse preparado para a partida de Lalisa, sem tempo para despedidas. Namjoon chorava silenciosamente, o coração pesado de impotência, enquanto Jimin permanecia imóvel, os olhos ardendo de fúria e impotência, sentindo cada segundo de ausência de Taehyung como uma punhalada profunda.
Segundo Yuju, o omega havia sido enviado à rainha do Japão. Lalisa, ainda que concedendo o passe livre para que o casamento acontecesse, impusera uma distância cruel, levando o amado a terras longínquas, tornando o reencontro incerto e perigoso.
A ausência trouxe um silêncio pesado sobre o castelo. Jimin, determinado a recuperar seu amado, arrumou-se na manhã seguinte e compartilhou os acontecimentos com Yoongi e Hoseok. A inquietação deles refletia a gravidade da situação. Embora a verdade estivesse finalmente clara, a raiva ainda queimava no coração do alfa, e o medo de que algo pudesse acontecer a Taehyung consumia-o por inteiro.
Por três anos, Jeongguk transformou-se na própria personificação do que o povo mais temia. A tirania de seu pai parecia ressurgir nele, e a ausência de Taehyung corroía-lhe a alma dia após dia. Cada boato sobre a morte do omega, cada rumor sobre os ardilosos planos de Lalisa mergulhava-o em depressão e autodestruição, tornando-o mais implacável, mais temido e ainda mais inquieto.
Finalmente, o rei, em sua decisão, ordenou:
— Levem-na daqui.
— Mas sou sua esposa, Jeon — implorou Lalisa, lágrimas escorrendo pelo rosto.
— Por que ainda não a levaram? — replicou o alfa, erguendo-se do trono e segurando-a pelo braço, arrastando-a para a porta com força contida.
Assim, Lalisa foi deportada ao Japão, deixando para trás os salões frios de Seul e a raiva silenciosa de Jeongguk.
O tempo passou, e então, de maneira tão silenciosa quanto a neblina que cobre os campos ao amanhecer, Taehyung retornou a Seul. Cinco dias de viagem, cinco dias de mistério absoluto, e nenhum som, nenhum sinal antecipava sua chegada. Ele carregava nos braços o pequeno Jeongwoo, que se agitava e pulava sem cessar, sua inocência contrastando fortemente com o peso que Taehyung trazia no coração — anos de separação, de segredos e de ameaças ainda ocultas.
— Tem certeza, Taetae? — perguntou o omega mais velho, com um sorriso terno, enquanto ajeitava o cabelo do pequeno.
— Está na hora de voltarmos para casa, Baek. Sinto tanta falta do meu appa — respondeu, apertando o pequeno Jeongwoo contra si com cuidado e firmeza.
A carroça balançava suavemente, cada movimento lembrando-lhe que Seul os aguardava, mas nada poderia apressar o tempo que separava o agora do passado. Cada sombra da estrada parecia guardar memórias, cada sussurro do vento, um aviso silencioso do que ainda estava por vir.
— Só espero que tenham me esperado… — murmurou Taehyung, fechando os olhos e inspirando profundamente o aroma de baunilha que emanava dos fios do pequeno alfa, percebendo, quase imperceptível, que em seus olhos se escondia algo mais — um mistério, uma sombra de futuro que nenhum dos dois poderia ainda compreender.
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The Masked Slave
Fanfiction[Reescrevendo] No reino antigo, o Jovem Rei Jeon Jeongguk, embora possuidor de coroa e riqueza, levava vida monótona ao lado de sua esposa, cuja presença lhe era morna e costumeira. Até que, num dia que não se lembra, apareceu em seus domínios um se...
