II

9.7K 970 416
                                        


Após os tumultuosos acontecimentos nos aposentos da rainha, o jovem servo Taehyung avançava pelos corredores do castelo com passos ligeiros, a respiração ainda ofegante e o coração a arfar pelo temor e pelo peso das lembranças da manhã. As paredes de pedra fria, revestidas de tapeçarias bordadas com fios de ouro e seda, projetavam sombras tremeluzentes à luz dos archotes, e cada reflexo de luz parecia ocultar observadores invisíveis, como se o próprio castelo, velho de séculos, conspirasse para mantê-lo cativo em sua própria angústia. Seus passos ecoavam levemente, como sussurros que se perdiam na vastidão daquele palácio gótico, erguido com torres altaneiras e arcadas de pedra que desafiam o tempo e a história.

Dirigiu-se à copa, onde encontrou Kim Namjoon, seu tutor e beta, homem de porte nobre e semblante sério, cuja presença desde a morte súbita de seus pais lhe proporcionara abrigo, guia e afeto. Namjoon, vestido com túnica longa de linho escuro, adornada com fivelas de bronze, observava as chamas do candelabro, o olhar profundo e preocupado.

- Hyung... estou perdido - murmurou Taehyung, a voz embargada e os olhos marejados, buscando consolo no abraço do homem mais velho.

Namjoon envolveu-o em seus braços, sentindo o corpo pequeno do ômega tremer de medo e excitação. Conduziu-o da cozinha até o quarto que compartilhavam, espaço modesto mas seguro, onde podiam falar sem olhares curiosos. As paredes eram simples, revestidas de tapeçarias menores que representavam cenas campestres e batalhas antigas, e a luz suave de um candelabro a óleo proporcionava calor e intimidade.

- Dizei-me, Taetae, qual tormento vos aflige? - perguntou o beta, a voz grave e serena, enquanto sentia o peito arder com a aflição do jovem.

- O rei... - começou Taehyung, engolindo o nó na garganta - ele me seguiu ontem, quando me dirigi ao rio.

Com hesitação, contou cada detalhe: o olhar ardente do alfa, a aproximação silenciosa e ameaçadora, o toque inesperado, o perfume inebriante e a sensação de perigo misturada a desejo que lhe consumia a alma. Namjoon ouviu em silêncio, o semblante fechado, a mente calculando cada risco e oportunidade. Ao final, aconselhou:

- Por ora, abster-vos de ir ao rio é prudente. Ficar longe permitirá que o jovem rei se distraia e vos esqueça por algum tempo.

Seguindo o conselho, Taehyung manteve-se afastado das águas do Rio Han, guardando cada lembrança do encontro proibido como brasas acesas em seu coração. O rio, com suas margens bordadas de salgueiros e pedras lisas, corria límpido e frio, refletindo a luz da lua que surgia entre nuvens, quase como se o próprio céu conspirasse para proteger os segredos do jovem.

Duas semanas transcorreram nesse regime de precaução. Numa noite particularmente clara e tranquila, o desejo e a ansiedade irromperam novamente em seu peito. Dirigiu-se a Namjoon com o semblante carregado de apreensão:

- Hyung, hoje irei encontrar o senhor Park. Necessito relaxar. Credes que há ainda perigo?

Namjoon franziu a testa, preocupado.

- Sabei, Taetae, que o rei tem estado irascível. Nestes dias, devemos permanecer atentos, pois cada ação é observada e cada passo é medido.

- Não demorarei, hyung - replicou Taehyung, a voz firme, embora o coração tremesse - já são seis horas do crepúsculo; creio que nada adverso ocorrerá.

O beta, incapaz de negar o menor desejo do ômega, sorriu com sinceridade e inclinou-se para lhe dar um selar na fronte, gesto terno e reconfortante. Taehyung retirou-se para os aposentos, vestindo-se de forma leve para o banho noturno no rio, ocultando o rosto com a máscara que sempre guardava para estas escapadas. A brisa da noite o envolveu, trazendo aromas de folhas molhadas, flores silvestres e o musgo úmido das pedras antigas, e um sorriso brotou em seus lábios. Com passos ligeiros, tocando a relva fria, adentrou a mata, desviando-se de árvores retorcidas e da vigilância do castelo.

The Masked SlaveOnde histórias criam vida. Descubra agora