O jovem Taehyung encontrava-se atordoado, a mente turvada e o coração em desalinho. O pequeno anel, herança inestimável de sua mãe, não se encontrava em lugar algum. Vira-o pela última vez em seu anelar, mas ao perceber a ausência da jóia, o desespero apoderou-se dele. Correra por todos os aposentos de seu quarto, vasculhando cada canto, cada recanto da pedra fria e dos tapetes de veludo, mas nada encontrara.
- Hyung... como pude perder tal tesouro? - suspirou, atirando-se sobre o leito com expressão emburrada, os olhos marejados de desolação.
Namjoon, o tutor e beta, sentou-se junto ao pequeno, a face carregada de seriedade, ainda que o coração lhe pesasse. O beta carregava consigo a preocupação por segredos que não podia revelar totalmente, por receios que lhe pesavam há meses.
- Talvez o guardastes em outro local, pequeno meu - disse, com a voz grave e ponderada, tentando acalmar-lhe o espírito aflito.
- Talvez... - sussurrou Taehyung, virando-se sobre o leito, encarando o teto.
- Não, não... - insistiu Namjoon, erguendo o semblante e fitando o ômega com olhos sérios. - Sabeis bem que não é prudente buscar algo em lugares perigosos.
- Mas, hyung, não compreendeis? É-me tão precioso! Faz já tantos anos... - interrompeu-se, segurando a máscara branca em suas mãos delicadas, ignorando o alerta do beta. A determinação em seu olhar era clara, embora misturada a uma ponta de inquietação.
- Retornarei antes que contes até dez mil - disse Taehyung, com um sorriso travesso, enquanto adentrava o pequeno espaço que ligava seu quarto ao corredor, vestindo o manto negro e ajustando a máscara sobre o rosto.
- Tae, meu dongsaeng, deveis ser cauteloso. Sabeis o quanto a lua cheia vos atrai, e bem sabeis que, quando ela se ergue, os perigos se intensificam... - tentou advertir Namjoon, mas fora interrompido pela pressa do jovem.
- Prometo cuidar-me, hyung. Tenho maior domínio agora, não repetirei os erros de outrora - replicou, confiante, fitando o beta com firmeza.
- Não és tu quem mais me preocupa - murmurou Namjoon, quase inaudível, ao sentir Taehyung aproximar-se e depositar um selar gentil sobre sua bochecha.
- Prometo regressar ileso - disse o ômega, já desaparecendo pelos corredores silenciosos. O relógio marcava pouco mais das seis horas da tarde. O castelo estava deserto, poucos servos perambulando, e a mata adjacente sussurrava sob a brisa fria da noite.
O jovem correu com a leveza e rapidez de um cervo, até alcançar a margem do rio. Como sempre, retirou o manto negro, deixando-se deslizar nas águas calmas. O frio líquido envolveu-lhe o corpo, e cada tensão, cada mágoa parecia dissolver-se como se fossem correntes que levavam consigo as dores do coração.
A lua, cheia e imponente, refletia-se nas águas límpidas e iluminava o corpo delicado do ômega. Taehyung dançava entre os reflexos prateados, rindo suavemente, como se a própria lua fosse testemunha de sua alegria silenciosa. Seu cheiro doce, reminiscentes das raras rosas de Daegu, flutuava no ar noturno, e o jovem sentia-se leve, livre de quaisquer preocupações mundanas.
Mas, como sempre, o alfa observava. Jeon, silencioso entre as sombras das árvores, não desviava os olhos do ômega, sorrindo com a paciência sombria de um predador.
- Sabias que retornarias... sempre retornas - disse Jeon, a voz profunda ecoando entre os troncos, ainda que mantivesse a distância, a presença quase etérea.
- Meu senhor, é feio observar alheios a banhar-se - replicou Taehyung, procurando localizar a fonte daquele timbre ameaçador entre a penumbra.
- É ainda mais feio negar ao vosso senhor o que verdadeiramente desejais - respondeu Jeon, descendo com leveza de uma árvore, o sorriso predador cintilando à luz da lua.
- Não podes ter tudo o que desejas... - disse Taehyung, afastando-se da margem - Estou prometido a outro.
- E, como disse antes, isso não me inquieta - retrucou Jeon, a confiança sombria em sua postura, aproximando-se e deslizando o nariz pelo pescoço do jovem, provocando-lhe arrepios. - Sou rei de Seul. Posso muito mais do que desejais acreditar.
- É memorável, meu senhor, a vossa teimosia - disse Taehyung, apertando os olhos ao perceber Jeon levantar algo diante de si. O pequeno anel, brilhando na luz prateada, repousava no dedo do alfa.
- Uma joia bela, não vos parece? - disse Jeon, a voz firme e carregada de sedução - Um de meus servos a deixou cair, mas sei de sua origem... sei também que casar-vos-íeis em breve. Então, conhecerei vossa identidade por completo.
- C-como? - murmurou Taehyung, aproximando-se, o coração em tumulto.
Jeon aproximou-se ainda mais, segurando a mão esquerda do ômega com firmeza, mas com um cuidado que só um predador prudente poderia ter.
- Dizei-me, pequeno Kim, o que desejais que eu faça para que vos devolva tão preciosa lembrança? - sussurrou, a proximidade tornando cada palavra um sopro ardente contra a pele do jovem.
- Já lhe disse uma vez... eu desejo-vos - respondeu Taehyung, a voz baixa, quase trêmula. Jeon sorriu e, delicadamente, devolveu o anel ao anelar de Taehyung, o toque curto mas carregado de significado.
- Ouvi com atenção, e concedo-vos um acordo: daqui em diante, deveis vir todas as noites até este lugar. Não vos tocarei sem vossa permissão, mas desejo ao menos sentir o vosso sabor novamente. Caso não venhais, descobrirei quem sois, e sem chance de vos amar antes, vos farei meu. Compreendeis? - disse Jeon, com a voz firme, autoritária, mas repleta de uma sedução silenciosa que deixava Taehyung inquieto.
- Tenho alguém que amo... por que fazeis isto comigo? - choramingou Taehyung, a confissão saindo entre suspiros, o corpo ainda úmido das águas do rio.
- Porque meu lobo vos escolheu - replicou Jeon, aproximando-se ainda mais, o cheiro de alfa e predador envolvendo Taehyung -, e sabeis as histórias dos lúpus, não?
- Sei... meu pai foi um - murmurou Tae, concordando -, valente, forte e amoroso.
- Então compreendeis: amam uma única vez - disse Jeon, o tom sombrio e sedutor, aproximando-se como se a noite e a lua fossem cúmplices de sua audácia.
- Não podes fazer-me vosso sem meu consentimento - sussurrou Taehyung, aproximando-se do alfa, sentindo o aroma único de Jeon, que provocava estranhas sensações no jovem.
- Mas posso destruir quem ousar tocar-vos - replicou Jeon, ameaçador, selando os lábios de Taehyung num breve, porém intenso, beijo.
- Então... sê um bom ômega - murmurou Jeon, e Taehyung afastou-se, apressando os passos pelo bosque até alcançar a segurança do castelo e adentrar a cozinha, ofegante e ainda intrigado com o encontro.
Ao chegar em seu quarto, ouviu a voz trêmula de Yeri, chamando por ajuda, e percebeu a aflição da pequena:
- Tio Taetae, minha mãe está a dar à luz! - disse a menina, os olhos marejados e a voz cheia de urgência.
Taehyung, abalado, correu para os aposentos, o coração acelerado, sabendo que cada instante poderia definir a segurança e a vida daqueles que amava.
O luar atravessava as janelas estreitas do castelo, projetando sombras longas e dançantes sobre as paredes de pedra, enquanto o cheiro de ervas e da água corrente do rio invadia o espaço, lembrando Taehyung de seu encontro com Jeon. Cada passo era carregado de mistério, desejo e tensão, e o jovem sabia que a noite apenas começara a revelar os segredos que a lua cheia lhe guardava.
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The Masked Slave
Fanfic[Reescrevendo] No reino antigo, o Jovem Rei Jeon Jeongguk, embora possuidor de coroa e riqueza, levava vida monótona ao lado de sua esposa, cuja presença lhe era morna e costumeira. Até que, num dia que não se lembra, apareceu em seus domínios um se...
