XXIII

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Taehyung adentrou o quarto que compartilhava com seu tutor, e encontrou lá apenas Jin, o jovem omega, alisando com delicadeza a barriguinha ainda lisa, como se ensaiasse tocar algo que ainda não havia se formado. Um sorriso suave se formou nos lábios de Tae; imaginou que algum dia poderia sentir aquela sensação, mas não sabia se ainda desejaria que fosse com Jimin. Suspirou ao deitar-se em sua cama, permitindo que o medo e a apreensão lhe tomassem por inteiro, dominando cada canto de seu ser.

Nesse ínterim, Jeon havia retornado ao castelo, a entrada silenciosa sendo abruptamente interrompida pela fúria de Lisa. A omega avançou sobre o alfa, desferindo-lhe um tapa no rosto. Jeon, contudo, apenas a afastou com firmeza, seus pensamentos demasiado sombrios e carregados de tumulto para se deixar levar por estereótipos ou birras.

—Tu me traíste, Jeon! —bradou Lisa, a voz ecoando pelo salão—. Diante de todos os nossos guardas, fiquei como a omega traída, impotente para agir! Compreendes, Jeon, quão desprovida de autoridade me tornei? E tudo por um mero omega qualquer!

Jeon respirou fundo, o lobo em seu interior rugindo por vingança, desejando esmagar a fúria que Lisa emanava, mas não ousaria fazê-lo; nem em conflitos passados jamais atingira uma omega com tamanha hostilidade.

—TAES OUVINDO, JEON? —gritou Lisa, os olhos faiscando de ira—. ISSO NÃO FICARÁ ASSIM! AQUELE QUALQUER NÃO TE TOMARÁ DE MIM!

Jeon apertou o rosto da omega com força, seus dedos tremendo de contenção. —Escuta-me bem, e ouve apenas uma vez. Deixa meu omega em paz, e então manteremos este casamento ridículo. Se ousares interferir, arrepender-te-ás pelo resto de tua vida —disse, sua voz baixa, firme, carregada de uma ameaça gélida.

Lisa sorriu, zombeteira, sem temor aparente. —Descobrirei quem é ele, Jeon. Farei com que perca tudo. Mas por ora, toma um banho; cheiras como se o mundo inteiro tivesse se derramado sobre ti! —Após estas palavras, recolheu-se aos seus aposentos, sabendo que o instinto do alfa logo despertaria, e então seu plano seria posto em marcha.

Enquanto isso, Taehyung permanecia deitado, a mente fervilhando com os acontecimentos do dia: a conversa com Jimin, a descoberta de Lalisa, as ameaças veladas… sentia-se impossibilitado de prosseguir, mas já não sabia como encerrar a corrente de pensamentos. Cada lembrança de Jeon, seu sorriso, sua melodia suave, apertava-lhe o peito com saudade e desejo. Um suspiro profundo escapou-lhe, e, para não perturbar o sono dos outros, resolveu caminhar pelos corredores silenciosos, buscando dissipar a ansiedade, quem sabe encontrar o alfa que lhe roubara o descanso e se tornara senhor de todas as suas inquietações.

A cozinha do castelo encontrava-se mergulhada em penumbra, iluminada pela luz trêmula de uma única vela. Ali, Yuju segurava cuidadosamente o pequeno Yohan nos braços, o bebê recém-nascido exalando a pureza e a serenidade de quem mal começara a conhecer o mundo. Taehyung aproximou-se, a respiração contida, e com a voz suave pediu:

—Permita-me segurá-lo, apenas por um instante…

Yuju olhou para ele com confiança e um sorriso cálido, entregando-lhe o pequeno ser que exalava cheiro de leite e ternura. Taehyung recebeu Yohan com cuidado, sentindo o peso delicado e a suavidade da pele. O pequeno movimentava os dedinhos, sugando levemente o polegar, e Tae não pôde evitar sorrir, encantado com a perfeição em miniatura que segurava.

—Ele é lindo —murmurou, a voz quase um suspiro—. E a cada vez que o vejo, parece mais perfeito.

—Sim, um verdadeiro anjinho —respondeu Yuju, observando-o acariciar o bebê—. Mas as noites… já não são as mesmas. Tudo muda quando se traz nova vida ao mundo.

O tempo pareceu suspender-se, enquanto o silêncio da cozinha os envolvia, quebrado apenas pelo sussurro do fogo no fogão. Taehyung devolveu Yohan com cuidado a Yuju, respirando fundo, o coração pesado de emoções e memórias.

Taehyung saiu dos aposentos e, caminhando pelo jardim silencioso, sentiu o frescor da noite envolvendo-lhe os ombros. A lua cheia derramava sua luz prateada sobre a relva e os arbustos, e as estrelas cintilavam como pequenas faíscas no céu profundo. Cada sopro de vento parecia transportar o perfume da terra úmida e das flores noturnas, e Tae buscava, nesse cenário, afastar a inquietação que lhe dominava o peito.

Eis que avistou Jeongguk, o alfa, postado sob a luz da lua, o semblante perdido em pensamentos e os olhos fixos em algum ponto invisível. O coração de Tae saltou no peito; por um instante, temeu aproximar-se, mas a coragem empurrou-o adiante, e ele se curvou em reverência, mantendo uma distância respeitosa, para que o alfa não percebesse seu odor.

—Noite tempestuosa, senhor? —perguntou Tae, a voz baixa, hesitante, como se rompesse a magia silenciosa do luar.

Jeongguk voltou o olhar lentamente, a expressão sombria iluminada pela prata lunar. —Também… a lua me traz calma —respondeu, a voz quase um sussurro, carregada de melancolia.

Tae sentiu o coração apertar-se, cada palavra do alfa era como um magnetismo impossível de resistir. —A lua… me lembra meu omega —prosseguiu Jeongguk, a fala lenta, impregnada de desejo contido. Tae engoliu em seco, sentindo-se desarmado diante daquela confissão velada.

—Não é de Lalisa que falais, senhor? —perguntou, a garganta seca, temendo a resposta.

—Não —replicou Jeongguk, a voz firme, —não é de minha esposa que me refiro.

O silêncio caiu entre ambos, pesado, repleto de sentimentos não ditos. Tae sentiu o peito apertar e a respiração falhar. —Então… é meu destino, vosso amante? —sussurrou, quase sem voz, cada sílaba carregada de medo e desejo.

—Oh, não… —respondeu Jeongguk, aproximando-se lentamente, cada passo feito com a gravidade de uma promessa. —Ele é muito mais que isso. Pela primeira vez, amo alguém com toda a intensidade que jamais conheci.

Um vento gélido passou por eles, carregando o perfume delicado de Tae até Jeongguk, envolvendo-os numa aura de intimidade proibida. Tae sentiu o corpo tremer, a proximidade do alfa uma mistura de perigo e conforto impossível de ignorar.

—Está frio, senhor… talvez devêsseis retornar —sussurrou Tae, tentando conter a ansiedade que lhe consumia.

—Não… —Jeongguk respondeu, a voz baixa e firme— tu cheiras como ele.

Tae recuou ligeiramente, mas o alfa segurou seus pulsos, aproximando-o ainda mais. —Não me mintas, Tae. Não há engano no que sinto.

—Por favor… —murmurou o omega, a garganta apertada, o coração prestes a saltar pela boca.

Jeongguk aproximou o rosto do pescoço de Tae, inalando profundamente o aroma que lhe despertava os sentidos. Os olhos do jovem se arregalaram, e um arrepio percorreu-lhe a espinha. Um selo suave e ardente nos ombros de Tae trouxe-lhe uma mistura de temor e desejo, enquanto ele fechava os olhos, rendendo-se à sensação.

—Jeon… —gemeu Tae baixinho, mas um ruído súbito vindo do castelo fez-o recuar abruptamente, tropeçando levemente sobre o corpo firme do alfa. Jeongguk cambaleou, mas ainda segurava Tae com firmeza, protegendo-o.

Com cuidado, Tae conduziu Jeongguk até seus aposentos, deitando-o na cama e ajeitando-lhe os cobertores. Um último selo nos lábios cheios do alfa foi a despedida temporária. Tae saiu rapidamente, correndo para seu quarto, o coração batendo descompassado, a certeza plena de que estava completamente apaixonado por Jeongguk Jeon, rei de Seul e marido de sua senhora.

Ao deitar-se, Tae permaneceu imóvel por longos instantes, o olhar perdido no teto, tentando organizar os pensamentos que giravam em turbilhão. Cada gesto, cada palavra, cada cheiro do alfa que ainda parecia impregnar sua pele revelavam-lhe uma verdade que não podia mais negar: seus sentimentos por Jeongguk não eram meramente admiração ou desejo, mas um amor profundo, intenso e inevitável. Um amor que misturava temor e fascínio, respeito e entrega. E, pela primeira vez, compreendeu que não apenas desejava a presença do alfa, mas precisava dela para respirar, para sentir-se inteiro.

A lua continuava a derramar sua luz prateada sobre o jardim, testemunha silenciosa de segredos e sentimentos proibidos, enquanto o vento noturno carregava consigo o perfume de ambos, entrelaçando-os numa promessa silenciosa de encontro, desejo e amor inevitável.

The Masked SlaveOnde histórias criam vida. Descubra agora