Jeon despertou naquela alva com a cabeça latejante, como se martelos incansáveis lhe golpeassem o crânio. Um pensamento obstinado não cessava de atormentá-lo: seria aquele jovem, tão delicado e perfumado, verdadeiramente seu legítimo omega? Um rosnado baixo escapou de seus lábios, quase involuntário, mas procurou afastar tais cogitações, convencendo-se de que se tratava apenas de alucinação provocada pela fadiga e pelo turbilhão de emoções que o assolava. Certamente, Kim jamais se atreveria a vê-lo sem a máscara, mas então, por que aquele aroma penetrante ainda impregnava o quarto, flutuando sobre cada sombra e cada móvel antigo?
O alfa fechou os olhos com força, inspirando e expirando profundamente, buscando aquietar o coração acelerado e a mente confusa. Só um modo restava para dissipar a inquietação que o consumia: procurar o criado que vira na noite passada, aquele que carregava a chave de seu enigma e de sua própria paz de espírito.
-Senhor? Logo será servido o desjejum! -adentrou Yuju, reverenciando com precisão e graça, obediente às ordens da rainha Lalisa. A intenção era que Jeon compartilhasse a refeição com a esposa, mas tais planos eram alheios à vontade do alfa.
-Mande que um dos servos o traga até mim -respondeu Jeon, a voz grave, porém carregada de um brilho curioso que mal conseguia conter.
Yuju inclinou-se em reverência, medindo cuidadosamente suas palavras. -Pedirei que Taehy... Eu mesma o trarei, senhor -lembrando-se de que o jovem omega evitava aproximar-se demasiado do rei.
-Espere... que disseste? -Jeon ergueu-se abruptamente da cama, o olhar sombrio e interrogativo.
-Que eu trarei vosso desjejum, senhor -respondeu Yuju, com voz baixa e medida, porém firme.
-Não... antes... -Jeon tentou interromper, a curiosidade e o desejo queimando-lhe a garganta.
-Ah, é meu ajudante, mas lembrei-me que o noivo virá -ela improvisou, buscando evitar descontentamento ou alguma desordem.
-Não! Quero que ele... digo, que seja ele a trazer meu desjejum -Jeon disse, a voz agora carregada de impaciência, curiosidade e um deleite oculto.
-Mas senhor... -Yuju arregalou os olhos, assustada.
-Sem objeções! Que o senhor Taehyung leve meu desjejum -determinou Jeon, e a omega retirou-se apressada, sem contestar, deixando o aposento silencioso e impregnado pelo aroma do rei.
Ao adentrar a cozinha, Yuju quase prendeu a respiração ao deparar-se com Tae, já segurando Yohan em seu colo. O pequeno repousava sereno, com o dedinho sugando levemente, enquanto Tae o embalava com cuidado extremo, como se temesse quebrar a essência frágil da vida que segurava. A luz pálida da manhã delineava os traços do jovem: os cabelos caindo em suaves cachos sobre a testa, o rosto imerso em concentração e ternura, os olhos atentos e brilhantes, refletindo um misto de amor, medo e reverência. O aroma doce e delicado do jovem omega misturava-se ao perfume do bebê, tornando a cena quase celestial.
-O Rei deseja que tu leve seu desjejum -anunciou Tae, a voz baixa e cuidadosa, ainda segurando Yohan com firmeza e devoção. Um frio percorreu-lhe a espinha ao pensar no que isso poderia significar: Jeon, mesmo embriagado pela noite anterior, lembrava-se dele?
-Compreendo, Tae... mas lembra-te do que pedistes antes -Yuju murmurou, corrigindo-se rapidamente, com um leve tremor na voz. -Já é tarde, e nosso senhor é cabeça-dura, além de não se encontrar em seu pleno juízo. Que ele não se perturbe contigo, por favor.
-Está bem, noona -respondeu Tae, ajustando Yohan com cuidado, sentindo a responsabilidade pesar-lhe no peito como uma pedra preciosa, e pegando a bandeja com frutas, pães, chás e sucos.
O caminho até os aposentos reais parecia interminável. Cada passo de Tae era acompanhado pelo aroma penetrante de Lalisa, que inundava os corredores com sua presença dominante. A pressa do jovem omega era temperada pelo receio de ser reconhecido pelo alfa; cada sombra parecia uma ameaça, cada rangido do assoalho um prenúncio de desgraça. Ao adentrar o quarto, Tae deparou-se com Jeon, que se virou abruptamente, os olhos ônix flamejando com intensidade e surpresa, e sorriu ao perceber que não se tratava de ilusão: o aroma, a essência e o toque eram reais, indiscutivelmente reais.
-Trouxe-vos o desjejum, senhor -anunciou Tae, aproximando-se da mesa e depositando a bandeja com cuidado quase reverencial, sentindo o coração pulsar descompassado.
-Muito bem... mas não vás embora -Jeon aproximou-se, cada passo carregado de um magnetismo que fazia Tae recuar, tonto pelo perfume intenso que o envolvia.
-Por que recuas, senhor? -perguntou Jeon, aproximando-se apenas o bastante para que Tae o ouvisse, e cada palavra lhe fazia o corpo estremecer.
-Não sei do que fala, senhor... estou aqui, trouxe vosso desjejum e agora retornarei à cozinha -respondeu Tae, reunindo toda a coragem que lhe restava, encarando aqueles olhos ônix que pareciam penetrar-lhe a alma, sugando o ar de seus pulmões.
-Ah, imagino que saiba, sim... teus olhos são únicos para mim, senhor Kim -Jeon murmurou, e cada fio de cabelo de Tae eriçou-se, cada nervo despertando-se à eletricidade do momento.
-Creio que deveis ter errado, meu sobrenome é Lee, senhor -respondeu Tae, murmurando, tentando disfarçar o turbilhão de sentimentos que o consumia.
-Lee Taehyung? Não combina contigo -Jeon riu, aceitando a brincadeira, divertido com a ousadia do jovem.
Tae acenou, conseguindo finalmente afastar-se da pressão sufocante do alfa.
-Então, senhor Lee, envia ao senhor Kim que desejo vê-lo ainda cedo hoje. E felicitações pelo vosso casamento com Jimin -Jeon pronunciou, deixando Tae atônito, o coração quase saltando do peito.
-Tudo bem, senhor -respondeu, curvando-se em reverência, incapaz de articular outra palavra.
Jeongguk aproximou-se novamente, envolvendo Tae pela cintura, inalando seu aroma delicado e doce. Mesmo que o jovem pretendesse brincar de não se conhecerem, Jeon reconhecia cada nuance daquele perfume, cada essência que lhe era inconfundível.
-Estarei esperando por ti -sussurrou Jeon contra o lóbulo do omega, e Tae, excitado e temeroso, retirou-se rapidamente, o coração martelando no peito como um tambor de guerra.
Tae corria pelos corredores, quase tropeçando em Lalisa, que seguia na mesma direção. Ela, planejando sua própria noite com Jeon, passava ligeira, saltitante, ignorando o jovem omega, cujo coração estava já aprisionado por outro desejo.
Ao adentrar seu quarto, Tae sentiu-se ofegante, o corpo quente, a mente confusa e desorientada. A tentativa de conversar com Jeon revelara-se precipitada; agora sabia que o alfa descobriria quem realmente era, e isso o preenchia de temor e excitação simultâneos.
Jeon, por sua vez, consumia-se em uma quentura quase insuportável. Tomara mais de três banhos em poucas horas, o corpo ardendo sob o efeito de seu instinto e a presença do omega que o consumia. A rainha, sempre perspicaz, não lhe dava repouso, mas nada o impedia de buscar seu amado.
No horário marcado, Tae aguardava, corpo tenso, coração acelerado, mãos levemente trêmulas. Quando Jeon chegou, tomou-o pelos lábios com gula e possessividade, o aroma do alfa tornando-se quase palpável. O cio aproximava-se rapidamente, aumentando ainda mais a ansiedade e o desejo do jovem omega.
-Fica comigo neste cio, amor -Jeon sussurrou, depositando beijinhos suaves contra o pescoço de Tae, que fechou os olhos e gemeu manhoso, rendendo-se ao toque e à voz que o envolvia.
-Jeon... -sussurrou Tae, o coração apertado e a respiração irregular.
-Faz amor comigo -Jeon pediu, firme e sedutor, segurando-o contra si, olhos ônix profundos e ardentes, exigentes e dominadores.
-Eu... nunca fiz isso antes, Gukkie... tenho medo -murmurou Tae, beijando o alfa com hesitação, o corpo inteiro a tremer de emoção e desejo.
-Prometo ser cuidadoso, amor -Jeon segurou o rosto belo de Tae, esperando sua concordância, a voz baixa e firme, impregnada de ternura e possessividade.
-Eu quero que sejas meu primeiro e único, Jeongguk -sussurrou Tae, sentando-se no colo do alfa, e, no instante em que os olhos de ambos mudaram de cor, cada emoção contida, cada desejo reprimido, explodiu em um só momento de ligação irrevogável, selando o destino que os uniria.
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The Masked Slave
Fanfiction[Reescrevendo] No reino antigo, o Jovem Rei Jeon Jeongguk, embora possuidor de coroa e riqueza, levava vida monótona ao lado de sua esposa, cuja presença lhe era morna e costumeira. Até que, num dia que não se lembra, apareceu em seus domínios um se...
