Os dias que se seguiram após o crepúsculo trouxeram uma tranquilidade quase sobrenatural à existência de Taehyung. As primeiras luzes do amanhecer banhavam os salões do palácio com tons dourados, iluminando tapeçarias bordadas e os pisos polidos que refletiam o brilho suave das velas. Para o pequeno ômega, as únicas obrigações consistiam em organizar seu enlace com o alfa de seus sonhos, e cada amanhecer parecia uma promessa de felicidade futura.
A rotina, embora delicadamente serena, não deixava de ser cheia de expectativas. Taehyung, de olhar atento e passos leves, percorria os corredores largos do palácio, cuidando de detalhes que passariam despercebidos aos olhos comuns. O aroma de rosas e jasmim que preenchia os salões lembrava-lhe de Jeon, cujo pensamento permanecia constante, como uma brisa silenciosa que nunca cessava. A amizade com o alfa era um bálsamo contra o estresse do dia, e cada gesto, por menor que fosse — um aceno, um riso contido, a maneira delicada como ajeitava os cabelos do ômega — aquecia-lhe o coração.
Jeon, por sua vez, permanecia diligente em sua promessa: jamais ultrapassaria os limites impostos. Apenas pequenos selos furtivos eram concedidos, quase imperceptíveis, deixando Taehyung em uma inquietação doce e estranhamente dolorosa. O ômega, contudo, permanecia firme em seu propósito: casar-se com Jimin e finalmente retirar-se do palácio, para viver na casa no campo que tanto almejava, rodeado por jardins e o murmúrio do rio próximo.
— Como se apresentam os preparativos de vosso enlace? — indagou Yuju, sua voz suave ecoando pela ampla sala de estar, enquanto tentava acalmar Yohan, o pequeno bebê cuja insônia recente se devia às persistentes cólicas.
Taehyung, ainda debruçado sobre uma mesa de mogno polido, coberta por pergaminhos e utensílios para a cerimônia, respondeu com um sorriso que iluminou sua expressão delicada:
— Prosseguem de maneira satisfatória; embora exigente, quase tudo se encontra pronto.
Yuju aproximou-se, o olhar perscrutando o semblante de Taehyung com uma curiosidade afetuosa:
— Vejo vossos olhos radiantes… mas noto algo distinto em vós, pequeno.
— Distinto? — murmurou Taehyung, tocando suavemente o rosto da amiga, o rubor tingindo-lhe as faces.
— Não sei ao certo explicar, mas é encantador — replicou Yuju, antes de levar a compressa quente à pequena barriga de Yohan, acalmando o bebê com delicadeza.
O comentário ecoou na mente de Taehyung durante toda a tarde. Diferente? Talvez. Mas ousado… não. A tarde seguia tranquila; o alfa não havia marcado encontro com Jeon, e o tempo foi destinado a revisar trajes nupciais e outros preparativos pessoais.
Ao recolher cuidadosamente suas vestes, Namjoon entrou, conduzindo Jimin, que sorria com aquela tranquilidade que somente o verdadeiro alfa possuía. Taehyung arregalou os olhos, corando, enquanto escondia rapidamente os trajes sob os lençóis.
— Jimin! Que faz aqui? — exclamou, virando-se para encarar o alfa de Busan, o coração acelerado.
— Vim tratar de alguns assuntos relacionados à coroa — respondeu Jimin, aproximando-se e depositando um beijo carinhoso nos lábios do ômega. — Como meus compromissos com o rei terão início em breve, pensei em passar por aqui para ver meu amado.
— A-assuntos com o rei? — murmurou Taehyung, ainda assustado, enquanto Namjoon observava a cena, franzindo as sobrancelhas.
— Sim, como lorde de Busan, devo apresentar periodicamente relatórios sobre a região, e, considerando a proximidade de nosso enlace, pensei em convidá-lo alguns dias após o aniversário do rei — explicou Jimin, sentando-se ao lado de Taehyung na cama, aproximando-os mais.
— Convidá-lo? Não achas demasiada audácia, amor? — perguntou o ômega, nervoso. — Eu já consultei a senhora Lalisa, e ela negou tal intento.
— Falarei diretamente com o rei; um pedido formal jamais poderá ser recusado — replicou Jimin, sorrindo e observando atentamente o pequeno.
Taehyung hesitou, respirando fundo, tentando organizar os pensamentos. — Humm… Não creio ser prudente…
— Posso indagar o motivo? Tem algo que te incomoda quanto à presença do rei em nossa união? — interrompeu Jimin, roubando um breve selar nos lábios do ômega, enquanto Namjoon se retirava, garantindo-lhes privacidade.
— Os senhores enfrentam… problemas no relacionamento; creio não ser saudável a presença da rainha. E, claro, o rei não compareceria sem ela — improvisou Taehyung, ainda que seus pensamentos recuassem discretamente à figura da rainha, temida e respeitada.
— Creio que não seria negativo; veriam a união entre quem ama, e talvez assim renovassem a própria aliança — disse Jimin, sorrindo astutamente. A presença do rei conferiria legitimidade e prestígio à cerimônia, afastando murmúrios da corte.
Taehyung sorriu, contido e forçado, cedendo a outro selar.
O alfa de Busan permaneceu algum tempo junto ao ômega, acariciando-o com ternura, antes de se retirar para cumprir compromissos oficiais. Caminhou pelos corredores do palácio, percorrendo salões adornados por tapeçarias e lustres de cristal, cada passo reverberando sobre os pisos polidos, até chegar à sala do trono. Ali, Jeon aguardava, emburrado e impaciente, os braços cruzados, observando cada movimento do amigo com atenção crítica.
— Demoraste — disse o rei, um sorriso leve e astuto cruzando o semblante.
— Houve um pequeno contratempo; sigamos diretamente aos negócios? — respondeu Jimin, conduzindo Jeon a um escritório privativo, iluminado apenas por velas e a luz mortiça que escapava pelas janelas altas.
Enquanto discutiam assuntos administrativos sobre Busan, Jimin trouxe à tona o tema que realmente lhe inquietava:
— Outra questão, devo tratar contigo acerca de meu enlace; desejo que compares — disse, aproximando-se da porta do escritório.
— Vais casar? — repetiu Jeon, surpreso, o olhar fixo no alfa sonhador.
— Ele é o ômega da minha vida: gentil, belo, dono de uma voz encantadora — disse Jimin, absorto em devaneios.
— Desejo conhecê-lo antes da cerimônia — riu Jeon, ainda surpreso e pensativo.
— Já deves tê-lo visto, é um de teus servos — respondeu Jimin, com naturalidade, sem notar o impacto de suas palavras.
— Um de meus servos? — repetiu Jeon, incrédulo, assimilando lentamente a informação.
— Agora preciso partir; alguns familiares do ômega chegarão hoje, e devo recebê-los — finalizou Jimin, deixando Jeon mergulhado em pensamentos, a mente fervilhando com possibilidades.
— Vai com cautela — murmurou Jeon, retomando o trono, o semblante sombrio. O coração do alfa batia mais rápido, a suspeita crescendo: e se Taehyung fosse realmente aquele que perturbava suas noites? Quantos omegas entre seus servos seriam de Daegu, e estivessem prestes a se casar? A dúvida corroía-lhe por dentro, e precisaria esclarecer a verdade antes que fosse tarde demais.
Mal sabiam Jeon e Jimin que a estabilidade que parecia se formar seria abalada de maneira irreversível. Alguém novo estava prestes a entrar na vida do alfa, e, inevitavelmente, tudo, absolutamente tudo, mudaria.
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The Masked Slave
Fiksi Penggemar[Reescrevendo] No reino antigo, o Jovem Rei Jeon Jeongguk, embora possuidor de coroa e riqueza, levava vida monótona ao lado de sua esposa, cuja presença lhe era morna e costumeira. Até que, num dia que não se lembra, apareceu em seus domínios um se...
