VI

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O jovem Taehyung encontrava-se em estado de profunda inquietação, o coração descompassado e a mente turvada. O pequeno Yohan nascera há algumas horas, e a responsabilidade sobre o recém-chegado recaía inteiramente sobre seus frágeis ombros. Instruíra a pequena Yeri a buscar Namjoon, o beta e tutor leal, cuja presença transmitia segurança e firmeza; este chegou rapidamente, acompanhado de Seokjin, o parteiro do reino, cujos olhos experientes e mãos hábeis sempre traziam tranquilidade nos momentos de aflição.

As horas transcorreram céleres e silenciosas, até que, passada a meia-noite, o primeiro suspiro do bebê rompeu o ar pesado da madrugada. Um lindo ômega, de pele alva como a neve que lentamente se acumulava sobre os vales do reino, carregando traços inconfundíveis de sua irmã Yeri.

- Parabéns, Yuju - murmurou Jin, a voz grave e serena, enquanto entregava o bebê à mãe exausta - Vosso filho é obra dos céus, e que a providência lhe guarde saúde e felicidade em cada passo de sua vida.

Yuju, ainda embalada pelo cansaço e pela intensidade do parto, murmurou entre soluços e suspiros:

- Gratidão, a todos vós...

Jin, diligente e meticuloso, explicou a Taehyung cada cuidado necessário para o pequeno, ciente de que Yuju precisava de auxílio constante, e que o esposo da ômega encontrava-se ausente a mando do rei.

- Obrigada, titio Tae - disse Yeri, correndo e abraçando o jovem com força, apertando-o com a ternura de quem confia plenamente.

- De nada, minha pequena - respondeu Taehyung, os olhos ainda cintilando sob a máscara de renda branca, que cobria parte de seu rosto e conferia-lhe ar de mistério e distinção - Vamos agora dar banho a este meninão?

A pequena alfa assentiu animada, e Taehyung auxiliou ambas com mãos firmes, mas delicadas, cada movimento carregado de cuidado e afeto. Depois de algum tempo, exausto porém satisfeito, retirou-se para seus aposentos, ainda refletindo sobre a obsessão silenciosa de Jeongguk. Mal conhecia o alfa, mas sentia em seu lobo a marca de predileção de um ser que o escolhera. Todavia, seu coração já pertencia a outro: Jimin, futuro esposo e companheiro de alma. Apertou, então, entre os dedos, a pulseira de pedrinhas multicoloridas, símbolo silencioso da promessa de proteger aqueles que amava, custasse o que custasse.

A manhã seguinte emergiu fria e austera, trazendo a neve que há muito não cobria os vales do reino. O clima sombrio e silencioso não se refletia, todavia, no humor de Jeongguk, que caminhava pelos salões do castelo com passos leves, cantarolando baixinho. Sua esposa, Lalisa, uma ômega de temperamento forte, atenta e exigente, observava-o com desconfiança, mas nada conseguia extrair de suas palavras.

- Logo vos verei - murmurou ele, os olhos fixos no horizonte, a espera tornando-se quase insuportável.

Enquanto isso, Taehyung permanecia ocupado com suas tarefas e com os cuidados da pequena Yuju, sentindo o tempo escapar-lhe pelas mãos. Lalisa, sua senhora e ômega de grande temperamento, encontrava-se irascível, descontando suas irritações em todos ao redor.

- Eu disse que queria chá de hortelã, não camomila! Em que mundo estais, Taehyung? - exclamou, atirando a pequena caneca de volta à bandeja.

Antes que pudesse continuar, um estrondo de louça se quebrando ecoou pelo salão, interrompendo-a.

- Então, dizei-me: alguma notícia da amante de meu senhor esposo? Sabeis algo sobre ela? Sabei, criatura inútil, ou darei razão para vossa desventura! - vociferou Lalisa, olhos fulminantes pousando sobre o jovem.

Taehyung encolheu-se, todo o corpo tenso, mas respondeu com firmeza:

- Infelizmente, senhora, nada sei. As horas que passo no reino são de serviço, e nada de estranho percebi - disse, sentindo o peso da mentira, mas mantendo o semblante sereno.

The Masked SlaveOnde histórias criam vida. Descubra agora