Jimin deixou o palácio ao cair da tarde, quando o céu se tingia de rubros e púrpuras, tingindo de tons quentes a fachada imponente de pedra e mármore. O vento frio da estação fazia dançar suavemente as cortinas das janelas e o aroma do incenso queimado na sala do trono misturava-se com o cheiro de terra úmida e ferro aquecido. Cada passo do alfa sobre o paralelepípedo ecoava firme, acompanhado de um frio cálido que lhe subia pela espinha — uma ansiedade contida, mas palpável. Seria, afinal, a primeira vez que encontraria os familiares de seu estimado ômega. Desejava causar-lhes a mais refinada impressão, ao mesmo tempo em que tentava disfarçar a inquietação que borbulhava em seu peito.
A estação ferroviária se encontrava mergulhada em uma luz suave, alaranjada, filtrada pelas nuvens de vapor que o trem exalava ao chegar. O apito baixo, quase melancólico, anunciava a chegada, e os trilhos cintilavam sob os últimos raios de sol. Quando os primeiros membros da família de Taehyung surgiram, a cena parecia extraída de um quadro antigo: o pequeno Kim Daeho, de cinco anos, corria livremente, com seus cabelos escuros balançando e os olhos cintilando de entusiasmo, enquanto os dedos minúsculos agarravam um ursinho gasto, companhia inseparável. Logo atrás, um homem de postura serena, provavelmente o pai da criança, caminhava de maneira cuidadosa, transmitindo segurança e estabilidade, um contraste perfeito com a energia viva do menino. Jimin, observando atentamente, percebeu a harmonia no modo como pai e filho se moviam, o cuidado silencioso em cada gesto, o amor não declarado, mas profundamente sentido.
Em seguida, uma senhora idosa avançava com passos lentos, apoiando-se em um bastão de madeira escura, adornado com entalhes sutis. Seus cabelos prateados, longos e impecavelmente penteados, estavam enfeitados com pequenas flores brancas, que destacavam a delicadeza de sua presença. Seus olhos carregavam uma expressão ao mesmo tempo severa e carinhosa, revelando décadas de experiência, dores sentidas e alegrias silenciosas. Ao avistar Jimin, seu sorriso largo e caloroso iluminou-lhe a face enrugada, e o abraço que lhe ofertou carregava um afeto genuíno e pungente, capaz de derreter qualquer barreira emocional.
Por fim, surgiram dois jovens, ambos imponentes à sua maneira. O primeiro, de pele extremamente clara e traços delicados, parecia quase etéreo, e seus olhos refletiam a luz do entardecer de maneira hipnotizante. O segundo, de tez amorenada e sorriso encantador, caminhava de maneira confiante, segurando a mão do jovem pálido. Quando os olhos do rapaz de tez clara encontraram os de Jimin, um arrepio percorreu-lhe a espinha, fazendo suas íris arderem com intensidade inesperada. Um pequeno sorriso tímido surgiu nos lábios do jovem, expondo uma gengiva delicada, e Jimin, por um instante, se perdeu naquele instante suspenso entre o tempo e o espaço. Seu coração acelerou, e um calor sufocante espalhou-se pelo peito, misturando-se à sensação de familiaridade inexplicável.
— És o senhor Park, correto? — indagou a senhora, aproximando-se com passos cautelosos, mas o sorriso largo e acolhedor iluminava seu semblante, dissipando qualquer tensão.
— Sim, sou Park Jimin, e vós deveis ser Jangwoo, tia de meu estimado ômega — respondeu ele, sentindo o calor do abraço firme e afetuoso que lhe foi ofertado.
— Exatamente. Permita-me apresentar: este é Kim Daeho, meu neto mais novo; aqueles são Kim Daehwui, pai de Daeho, e Kim Jungmin, pai alfa. Atrás deles seguem Min Yoongi, meu filho mais jovem, e seu companheiro Jung Hoseok. Meninos, deem olá ao noivo de nosso Taetae — disse a senhora, irradiando orgulho e afeto.
Jimin absorvia cada detalhe com atenção quase obsessiva. Cada gesto, cada sorriso, cada inclinação de cabeça dos familiares de Taehyung parecia carregado de história, e ele não podia deixar de notar a delicadeza do pequeno Daeho, a postura protetora de Daehwui, a serenidade de Jungmin, e a aura tranquila de Yoongi e Hoseok. Mas, acima de tudo, os olhos do jovem de pele clara o mantinham cativo, queimando-lhe a alma com uma intensidade irresistível, enquanto o aroma de canela e lírios do jovem invadia suas narinas, despertando sensações que ele não conseguia controlar.
Após a recepção, todos foram conduzidos ao hotel reservado para a estadia, afastado do burburinho do palácio, rodeado por jardins cuidadosamente podados, com arbustos alinhados em simetria perfeita e fontes cujas águas refletiam a luz dos lampiões à noite. Taehyung acompanhou-os em silêncio, o semblante tranquilo, mas o coração pulsando ligeiro, absorvendo cada gesto de carinho e cada sorriso das memórias familiares. Cada abraço, cada risada, cada toque parecia gravar-se em sua mente com clareza vívida, enquanto Jimin observava com atenção cada mínimo detalhe, cada expressão, cada nuance de emoção.
— Obrigado, hyung, por tudo hoje — murmurou Taehyung, descendo da carruagem, a voz suave carregada de gratidão e ternura.
— Não há de que, são vossos familiares, afinal — respondeu Jimin, pressionando um selar delicado contra a bochecha do jovem, sentindo o calor da pele macia.
— Hmm… preciso entrar agora — murmurou Taehyung, fazendo um biquinho que arrancou uma risada baixa e melódica de Jimin.
— Tudo bem, mas amanhã cedo estarei aqui para acertarmos os últimos detalhes do enlace. Restam apenas algumas semanas — disse o alfa, envolvendo-o pela cintura com firmeza protetora.
— Sei bem, meu alfa… não vejo a hora de termos nossa casinha — respondeu Taehyung, depositando um beijo terno nos lábios do amado. Namjoon, observando de longe, manteve-se discreto, garantindo que a privacidade do momento fosse preservada.
Durante o retorno ao hotel, a mente de Jimin fervilhava. O pequeno ômega de olhos rosados, o sorriso tímido e a aura delicada agitavam suas emoções, despertando nele uma inquietação que se misturava à admiração e à tensão contida. Cada gesto de Taehyung parecia gravado em sua memória, cada inclinação da cabeça e cada sorriso despertavam nele uma intensidade difícil de controlar. A luz dos lampiões refletia em suas roupas de seda, criando reflexos que brincavam com a sombra, projetando formas elegantes que pareciam dançar à medida que caminhavam lado a lado.
Ao alcançar a fachada iluminada do hotel, o ar frio e denso da noite envolvendo a construção, Jimin sentiu a certeza de que a lenda do imprinting era real. O magnetismo que o ômega exercia sobre ele era irresistível, mas a verdade se impunha com clareza devastadora: o imprinting verdadeiro não estava ligado a Taehyung, mas ao jovem de pele clara, filho de Jangwoo.
Ali, sob a luz pálida das lanternas e o silêncio expectante da noite, Jimin compreendeu que tudo mudaria. Cada passo do jovem, cada sorriso tímido, cada gesto de gentileza ou hesitação o prendia, mas também despertava uma tensão sufocante, uma atração sedutora que desafiava sua própria razão. Ele podia sentir a fragrância doce e envolvente de Taehyung, o calor da pele contra a sua visão mental, e a intensidade do magnetismo que ligava seu destino a outro. O coração de Jimin palpitava com força, dividido entre o dever, o desejo e a irresistível força do imprinting, e a certeza absoluta de que sua vida jamais seria a mesma pairava no ar, pesada, sedutora e irrevogável.
O vento frio soprava através das árvores que cercavam o hotel, fazendo o ranger das folhas ecoar pelo ar e misturar-se com o leve estalo da madeira sob seus pés. A lua surgia tímida, espalhando um brilho prateado que iluminava delicadamente as faces de Jimin e do jovem ômega, e cada sombra projetada parecia contar segredos, aumentar a tensão e o mistério do encontro. O ambiente, sóbrio e elegante, transformava cada instante em uma dança silenciosa de emoções, e Jimin não conseguia afastar os pensamentos que giravam em torno da intensidade daquele momento: da voz suave, do aroma adocicado, do toque delicado e da certeza desconcertante de que não podia tocar aquele jovem sem enfrentar consequências inesperadas.
Por fim, ele se afastou alguns passos, respirando fundo, tentando reconciliar o que via e sentia com o que sabia ser correto. O aroma persistente de Taehyung, a visão de seus olhos rosados e do sorriso pequeno, mas encantador, tudo aquilo permanecia gravado em sua mente, provocando uma sensação ao mesmo tempo dolorosa e prazerosa. Jimin sabia que estava diante de uma encruzilhada: a vida que havia planejado e o destino que parecia já traçado para ele, a força irresistível do imprinting, e a consciência de que cada passo que desse definiria o curso de sua existência dali em diante.
O silêncio da noite se estendeu, quebrado apenas pelo som distante de uma fonte, o farfalhar das árvores e o leve ranger da madeira. Jimin permaneceu ali, observando o jovem ômega, absorvendo cada detalhe, cada nuance, cada gesto que poderia ser inesquecível. A certeza de que a lenda existia agora lhe pesava na alma, e o magnetismo incontrolável, irresistível e sedutor daquele momento transformava o mundo ao redor em um cenário sublime e perigoso, onde cada respiração e cada olhar possuíam significado profundo.
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The Masked Slave
Fanfiction[Reescrevendo] No reino antigo, o Jovem Rei Jeon Jeongguk, embora possuidor de coroa e riqueza, levava vida monótona ao lado de sua esposa, cuja presença lhe era morna e costumeira. Até que, num dia que não se lembra, apareceu em seus domínios um se...
