Vinte e nove

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Bom diaaa, amores! o livro "CHASE" já está disponível para ser adicionado na biblioteca de vocês, é só ir lá no meu perfil.  Boa leitura :)

O vento fazia as folhas dançarem pela praça, a risada de uma criança ecoou pelou lugar, eu fitava o lago a minha frente tão fixamente que não notei a figura se aproximar, até que estava se sentando ao meu lado. O cheiro familiar encheu os meus pulmões, mas não me virei para encarar a pessoa no meu flanco esquerdo.

- Sinto muito, filho, isso foi longe demais. – A mão pesada do meu pai caiu no meu ombro, em um aperto reconfortante.

- Isso quase destruiu a mim e as pessoas que foram ingênuas o suficiente para se aproximarem do filho do mafioso aqui. – Falei amargamente e me afastei do seu aperto.

- Estou resolvendo isso, dou a minha palavra a você.

- Acho que você disse isso da última vez, e veja só onde estamos.

- Quando recebi sua ligação há três dias, e você me contou o que aconteceu eu soube que falhei com você...

- Nenhuma novidade quanto a isso.

Meu pai fingiu que eu não disse nada, e continuou falando.

- Então, tomei medidas necessárias para que ele não se meta com a minha família.

- Significa que você mandou matar o cara. – Declarei o obvio.

- Não, filho. – Essa declaração me fez olhar para ele. – Eu o matei com as minhas próprias mãos.

Sinceramente eu não soube o que dizer quanto a isso, não é como se fosse comum pessoas saindo por aí falando essas coisas. Não é uma conversa normal de um pai e filho. Mas, não é também como se a minha família fosse normal...bem longe disso. Meu pai foi quem quebrou o silêncio.

- Como está o seu amigo?

- Estável, Chase teve muita sorte, foi o que os médicos disseram. Acham que eu fui um herói ao entrar no fogo para encontra-lo. – Soltei uma risada amarga. – Eu coloquei ele nessa situação, não fiz mais do que a minha obrigação ao salvar a vida dele. Foi o mínimo que pude fazer.

- Agora tudo vai melhorar, filho.

- Vai mesmo pai? Até quando um outro inimigo seu vir atrás de mim? Eu não fiz absolutamente nada, mas mesmo assim fui envolvido no seu trabalho sujo.

- Sinto muito, Nico, porém é o que é. Não posso fazer nada quanto a isso. – As palavras do meu pai me fizeram ressentido. – Entretanto, vou passar a minha vida inteira garantindo que o meu mundo fique longe de você, nem que para isso eu tenha que cuidar da sua mãe.

- Como assim, minha mãe? – Olhei confuso para o meu pai.

Os ombros dele se encolheram, e ele nunca me pareceu tão velho, era como se estivesse carregando o peso do mundo nos ombros.

- Foi por isso que me dei o trabalho de vir até aqui e entrar em contato com você. – Meu pai encarou o lago, evitando o meu olhar confuso. – Ela ainda estava tendo contato com Júlio, dando informações.

- Mas por quê? – Eu estava confuso.

- Antonella quer me fazer pagar de qualquer forma, e não tem problema em colocar o próprio filho em risco para conseguir o seu objetivo. Não se preocupe, eu cuidarei dela.

- Não faça nada com ela. – Digo. – Ela ainda é a minha mãe.

- Nico...

- Deixei-a. – Falo duramente. – Aposto que ela já está no seu próprio martírio.

NickOnde histórias criam vida. Descubra agora